Duo Feito Café lança trabalho de estreia: o EP “Barbacena”. Confira!

Foi durante uma viagem a Barbacena, Minas Gerais, que o filho primogênito do Feito Café nasceu. O EP, batizado com o nome da cidade mineira, traz em sua fórmula uma variedade de situações tendo como ponto de partida os relacionamentos e continuando por outros temas sentimentais. São letras que, através de histórias de amor aparentemente pueris, oferecem um fio condutor para outros sentimentos e sensações, com o objetivo de entender – e receber – melhor as desventuras do cotidiano.

O duo formado por Lê Pacheco (voz) e Hugo Oliveira (violão) mistura influências indie, pop e folk em canções que conquistam fácil, tal como as doçuras de Minas ou o primeiro amor. A dupla foi formada em Angra dos Reis, cidade fluminense conhecida por suas belezas naturais. Talvez esse ambiente tenha influenciado a serenidade das canções e impulsionado o lançamento do EP “Barbacena”.

“Acredito que existe algo que conecta a maior parte das músicas. Talvez um sentimento, um clima agridoce, algo parecido, que dá liga a esse trabalho. Foi muito normal que, ao termos todos esses ingredientes nas mãos, o próximo passo fosse reunir essas faixas numa mesma embalagem”, explica Hugo.

O EP foi criado durante uma viagem a Barbacena para visitar um casal de amigos. Durante esse período, Hugo decidiu transformar a incapacidade de dormir em meios de transporte em algo positivo: começou a rabiscar letras de canções, processo repetido na ida e na volta.

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“Havia tempo que eu não escrevia nada e, talvez por isso, estivesse repleto de ideias e sentimentos. Pois bem: foram essas palavras e frases e parágrafos que se transformaram no grosso do EP. Logo, ao menos para mim e para a Letícia, o nome não poderia ser outro”, relembra.

A faixa de abertura, “Seu e Sim”, foi a primeira a ser composta por Hugo. Diferente das outras canções, ela traz em seu eu lírico a perspectiva masculina, de alguém que encontra no amor a forma de sair do caos da vida cotidiana. Já em “Erro, não Nego; Acerto Quando Puder”, o refrão de rima fácil fala sobre o sentir culpa e ter a maturidade para aceitar que ninguém é perfeito.

Já em “Boa Viagem”, single que recentemente ganhou um clipe, existe forte influência da sonoridade do rock anos 60. Com uma letra triste, a vibe positiva dos instrumentos mascara a ideia de que alguns amores não foram feitos para ter um fim feliz. A faixa que encerra o EP, “Segredo para Quem?”, é uma crônica sobre o primeiro amor de um casal de pré-adolescentes, e traz diversas referências aos anos 80, como Atari, papel de carta, a novela Roque Santeiro, e muitas outras. E como em todas as boas histórias, o fim é surpreendente.

O EP “Barbacena” foi gravado entre setembro e outubro de 2017, nos estúdios de Léo da Costa, que produziu o trabalho. Acompanharam o duo Feito Café os músicos Marcos Vinícius Zampaglione (baixo), Humberto Ramos (teclados), Raphael Mello (bateria) e Jefté Maia (guitarras).

Feito Café - Barbacena (Arte por Victor Reis)

“Barbacena” faixa-a-faixa Por Hugo Oliveira

“Seu e Sim” – A primeira faixa do EP foi também uma das primeiras a ser esboçada. Diferente das outras canções do trabalho, ela é cantada da perspectiva masculina, de alguém que vem passando por uma série de problemas e, de repente, encontra um fiapo de luz em meio ao caos da vida cotidiana… Por meio do amor. Tenho muita vontade de tentar inserir um trecho de “Harvest Moon”, do Neil Young, em alguma parte dela, quando a gente for apresentá-la ao vivo.

“Erro, não Nego; Acerto Quando Puder” – Por enquanto, uma das canções que mais me orgulho de ter escrito. É uma música que defende a ideia de que sempre vamos nos sentir culpados diante de decisões importantes que tomaremos ao longo da vida. Fui chutado por alguém? Sinto-me culpado. Chutei alguém? Igualmente culpado. Feliz? Triste? Indeciso? Correto? Sempre culpado. A música completinha, com letra e tudo, já era ensaiada por mim e pela Letícia em 2014… Mas aí o pessoal do O Terno foi mais ligeiro e lançou uma puta música com uma temática parecida, ano passado. Eu e Lê vamos levar um cartaz ao Lollapalooza, no sábado, com os dizeres “‘Culpa’ dá música de sucesso… A gente já sabia!'”, para levantar na hora do show dos caras, que nós estamos doidos para ver. Vale citar mais alguma coisa? Ok, vamos lá: queria que o refrão dela lembrasse algo do Belle & Sebastian… Mas querer não é poder, correto? Sigamos sem culpa. Ou com. Sei lá.

“Boa Viagem” – Essa canção não foi criada numa viagem ou dentro de um ônibus. Eu estava sozinho no meu quarto, brincando com o violão, quando o refrão dela simplesmente apareceu. Foi uma alegria muito grande, por conta de ter soado para mim como Jovem Guarda, Beatles do começo, “Anna Júlia”, The Wonders e Frank Jorge; por outro lado, forneceu um pouco de preocupação, porque não se parecia com nenhuma das músicas que eu estava compondo na época. Deixamos as preocupações bobas de lado e inserimos a faixa no nosso repertório. Mais do que isso: é o carro chefe do nosso EP, tendo merecido um clipe lindão por meio dos nossos queridos amigos da Alima Produtora. Sabe aquele cara do vídeo num visual mod estiloso, metade Roy Orbison, metade Elvis Costello? É este mesmo que vos escreve! A letra parte de uma premissa simples e certeira: alguém que está abrindo mão de um amor por conta de um sonho que a outra pessoa tem… E que não inclui acompanhante. É triste, confesso. Mas a tristeza é pop.

“Segredo pra Quem?” – Tive o mesmo pensamento que muitos tiveram quando escutaram “Faroeste Caboclo”, da Legião Urbana. “Uau! Que fantástico: o cara criou um conto dentro de uma música, uma historinha com começo, meio e fim!”. Daí, o próprio Renato Russo, vocalista da banda, disse em entrevistas que uma das influências para a faixa foi a música “Hurricane”, de Bob Dylan. Fui eu correr atrás do Dylan e do disco “Desire”, que continha a música. Assombro total. De lá para cá, entre uma banda e outra, fui sempre tentando criar algo que lembrasse uma dessas narrativas longas que muita gente do folk costuma defender. “Segredo pra quem?” conta a história do primeiro amor de um casal de pré-adolescentes, pela perspectiva da menina. É ambientada nos anos 80 e tem muitas referências da época. Utilizei muito do que eu vi e ouvi no Colégio Estadual Nazira Salomão, em Angra dos Reis, na canção. Estudos Sociais, Atari, papel de carta, Luan & Vanessa, caderninho de perguntas, Roque Santeiro… Está tudo lá. E tem um final bem surpreendente também.

Escute o EP “Barbacena”, do duo Feito Café: https://onerpm.lnk.to/FeitoCafe

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