Drummond deveria ser muito mais que um doodle do Google

Nesse 31 de outubro, Itabira deveria estar em festa. Se ainda fosse vivo, o poeta Carlos Drummond de Andrade, filho ilustre desta terra, completaria 117 anos.

Considerado um dos maiores poetas do Modernismo brasileiro, o autor mineiro revolucionou a literatura nacional com textos ao mesmo tempo críticos, ácidos e nostálgicos. Obrigado a partir de Itabira muito cedo, Drummond manteve a cidade natal – e seus habitantes – como principal fonte de inspiração.

Muita gente se surpreendeu ao ver que o Google fez uma homenagem ao poeta usando sua imagem como tema de um doodle, na capa de sua página de buscas. Mas pouca gente parou para pensar que, por sua importância na cultura nacional, as homenagens deveriam ser mais do que isso.

Não vou aqui falar sobre o total descuido com os aparelhos culturais que recebem seu nome em sua amada Itabira. Nem tão pouco vou ressaltar o total esquecimento com que poeta é tratado nas escolas do município. Ou a falta de cuidado com que seu legado é gerido.

Não vale à pena dizer que muito pouco se fala do homem que levou a cidade no coração e a apresentou para o mundo. E nem como esse fato é desconhecido do grande público. Para que ficar por aí dizendo que o incrível acervo com incontáveis cartas, postais, fotografias, documentos, textos originais, primeiras edições e livros autografados está se perdendo por não ter nem espaço e nem local adequado para ser armazenado em seu memorial?

Porque, na data de seus 117 anos, manter viva a sua obra, se o Google fez um Doodle?

Tatiana Linhares

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