Das praças ao teatro: rapper Lukinha DDG grava o DVD “Na Terra de Drummond”

Uma caixa de som numa praça qualquer; o microfone revezando de mão em mão enquanto rimas são disparadas; poesias dividindo espaço com improvisos; e uma plateia disposta a curtir e conhecer novos talentos locais. É de cenários como esse que surgiram muitos rappers itabiranos e nomes da cultura hip hop. Entre eles Jefferson Lucas, o Lukinha DDG, que no sábado, 19 de setembro, sobe no palco do teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade para a gravação do seu primeiro DVD.

lukinha_ddg_03Intitulado “Na Terra de Drummond”, o registro audiovisual terá como base o CD homônimo lançado em 2014. Porém, o primeiro trabalho seguiu a estrutura tradicional das gravações de rap, com muitos beats nas músicas. Agora, essas canções recebem uma releitura e o rapper será acompanhado no palco por uma banda – composta pelos músicos Juninho Ibituruna, Bruno Debrau e Júlio Mengueles.

“Eu queria fazer todo o CD com banda, mas fiz com sampler, produção e beatmaker mesmo, agora que é a oportunidade de fazer uma coisa que eu queria fazer lá em 2013, que é colocar a banda, e a gente está trazendo isso para o DVD e estamos muito felizes com isso”, conta Lukinha.

Essa nova roupagem e estrutura de palco que está sendo elaborada promete surpreender o público itabirano. Ao menos é o que espera o rapper. Para ele o espectador local está acostumado à estrutura tradicional do hip hop e ainda não conhece as diferentes vertentes e possibilidades que esse ritmo pode ter. Com isso, a experiência que será mostrada no DVD ajudará a diversificar e ampliar o entendimento das pessoas em relação ao rap.

Isso acontece porque essa manifestação cultural ainda é muito recente no Brasil, tendo chegado em nossas terras apenas no final de década de 1980.
Em uma cidade do interior, como Itabira, essa cena é ainda mais recente e passa por um momento de descobertas e experimentalismos, o que contribuirá para os próximos passos e construções musicais que serão adotados pelos artistas desse cenário.

“É um trabalho que está sendo feito detalhadamente. Aqui em Itabira a galera meio que não sabe, elas ainda não lukinha_ddg_02abriram a cabeça para o leque de
coisas que é o rap. Acho que no Brasil ainda. O rap está crescendo e ganhando espaço. E em Itabira temos pessoas fazendo isso bem, atraindo público, então as pessoas podem esperar nesse DVD uma coisa diferente do que encontra no mercado, que é o rap com banda”, afirma Lukinha.

O DVD “Na Terra de Drummond” ainda representa o encerramento de um ciclo para o rapper. O ano de 2015 é o último ano em que o material do primeiro CD é usado como músicas de trabalho. Assim, realizar este último registro, além de trazer uma nova experiência sonora, é a forma encontrada pelo artista para encerrar os praticamente dois anos dedicados ao seu primeiro álbum.

Antes de partir para novas aventuras musicais, Lukinha ainda deve gravar um clipe em janeiro. Só então começará a produção do seu segundo disco. Porém, os detalhes do projeto ainda são mantidos em sigilo pelo rapper. “É o fechamento de um ciclo. Esse é o último ano que eu trabalho com esse CD. Vai sair o DVD e só tem mais um clipe para sair, que será gravado em janeiro. Aí a gente inicia o novo trabalho, que é o lançamento de um novo CD. Já tenho material para dois prontos, mas estão guardados a sete chaves lá em casa”.

Trajetória
Os treinos de basquete no Valério foram o início das experiências de Lukinha com a música. Ao final de cada prática ele, juntamente com o rapper Pedro Rodrigues, improvisava rimas. Em meados de novembro de 2006 resolvem fundar o grupo Conexão do Gueto, mas esse nome já era usado por outras pessoas. Então, em janeiro de 2007 rebatizam para Discípulos do Gueto, ou simplesmente DDG. Sigla que até hoje carrega junto a seu nome.

“Na época a gente falou que tinha que ter alguma coisa a ver com o gueto. Não queríamos perder o gueto por nada. Acho que a origem do trabalho, independente de hoje o rap estar em vários locais, a origem é o gueto”, explica Lukinha.

lukinha_ddg_04O grupo permaneceu junto até 2009. Naquela época, Pedro Rodrigues vai estudar em Belo Horizonte enquanto Lukinha inicia a faculdade de Administração de Recursos Humanos em Itabira. Apesar da dissolução dos Discípulos do Gueto, os artistas resolvem manter a sigla DDG e a parceria em diversos projetos.

O rapper, então, parte para a sua carreira solo. Em 2012, o seu trabalho se torna profissional com a formalização da marca DDG como empresa que, além da vertente musical, também parte para a realização de projetos sociais. Essa nova filosofia levou à produção e gravação do álbum “Na Terra de Drummond” – gravado na Casa 1 Produtora, com mixagem e masterização de Luiz Café e arte de capa feita pelo itabirano Genin.

SERVIÇO
Gravação do DVD “Na Terra de Drummond”
Local: Fundação Carlos Drummond de Andrade (Av. Carlos Drummond de Andrade, 666, Centro)
Data e horário: Sábado, 19 de setembro, às 19h
Ingressos: As entradas serão trocadas por uma caixa de leite

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