Das falhas técnicas às surpresas que ganham os palcos – um breve balanço da primeira metade do Festival de Inverno de Itabira

O frio que passa por nossos rostos deixando a ponta do nariz e as bochechas vermelhas, e a neblina que toma as madrugadas, sempre fizeram parte do inverno itabirano. E dão um tempero especial para o tradicional Festival de Inverno de Itabira, que fica ainda mais charmoso nas noites brancas imortalizadas por Drummond.

Talvez seja esse frio que, em pouco mais de dez dias desde o início do principal evento cultural da cidade, tem espantado o público, que, até o momento, ainda não chegou a lotar nenhuma das apresentações. Nem mesmo na noite de abertura, quando subiram ao palco músicos integrantes do projeto “Itabiranos em Cena” e a sambista belorizontina Aline Calixto.

Quem sabe as falhas técnicas tenham gerado desconfiança no itabirano, que viu durante a apresentação do grupo Tumbaitá, logo na solenidade de lançamento do Festival de Inverno, falhas constantes no som e na primeira noite de apresentações uma sucessiva queda de energia que endurecia o gingado do mais desenvolto sambista.

Porém, mesmo com as falhas técnicas, algumas atrações já se destacaram pela qualidade musical. O Bar do Festival, um dos pontos de questionamento do público devido à cobrança de ingressos, tem sido responsável por algumas das boas surpresas, com o som alternativo da Dom Pescoço e as interpretações de Tânia Azze. Por lá também passou o som regional de Igor Venal e O Chiqueiro Elétrico (que já foi tema de matéria aqui).

Mas o Bar do Festival também tem dado os seus “furos”. O atraso para começar os shows tem sido uma constante e, diante do frio que é comum na Fazenda do Pontal, parte do público acaba desistindo de acompanhar as apresentações. Além disso, ainda há o risco de se desapontar com algumas atrações, como foi o caso da Zoom Bee Doo, que mais pareceu um cover do Tianastácia – feito pelo próprio Tianastácia.

A descentralização dos espaços que recebem os shows tem levado música a diferentes pontos da cidade. E o ponto alto tem sido a produção autoral e independente de artistas itabiranos, como o rapper Thiago Skp, que fez o pré-lançamento do álbum “Malabarista do Caos” na praça Dr. Acrísio Alvarenga, e do grupo A Palo Seco, que se apresentou na praça Dr. Nélson Lima Guimarães, aquela do Pará, um repertório de canções próprias.

Aliás, a música autoral tem ganhado destaque na edição deste ano. O projeto “Itabiranos em Cena” está presente em diversos momentos do evento, mas um em especial chamou bastante a atenção: “Itabiranos em Cena em Noite Autoral”, que contou com a apresentação de Ednardo, Genésio Reis, Matheus Maia, Clevinho Martins e Fernando Cotonete no Memorial Carlos Drummond de Andrade. Apesar da bela paisagem, as belas performances dos artistas foram prestigiadas por um público pequeno.

Em meio aos altos e baixos, o Festival de Inverno de Itabira ainda tem muita coisa para mostrar – shows, espetáculos, oficinas e exposições. Agora é saber se as falhas técnicas permanecerão interferindo no espetáculo. Afinal, o frio a gente dá um jeito de espantar.

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