Compositores: os artesãos da música

Em diversos momentos da nossa vida ela está lá: no amor que nasce e acaba, nas conquistas pessoais, nas comemorações, nos encontros, nas viagens… a música é daqueles elementos que tornam a vida mais leve e suportável. Se existe um verso e uma nota é graças ao trabalho daqueles que têm a sensibilidade necessária para traduzir sentimentos em canções: os compositores.

A arte é um mecanismo importante para a reflexão, entretenimento e transformação social. E por isso, no dia 15 de janeiro, é celebrado o Dia Mundial do Compositor, uma pequena homenagem àqueles que, com seu trabalho, se tornam companheiros dos momentos difíceis e nas horas alegres, afinal, são eles que lapidam as ideias em canções.

“A terra sem a criação seria inerte, sem graça como uma flor de lapela, as pessoas que criam é que me faz acreditar que o mundo ainda não está perdido. Pensar fora da caixa, mensurar a subjetividade, tanger o que corre por fora, por cima ou de lado, frente aos olhos que a totalidade não vê ou sente mas não consegue descrever. Acho que a maior importância é a questão da completude, as artes se unificam em traços, sons, gestos e as expressões mais puritanas que existem, o inventar e o reinventar é o fomento das artes”, ressalta o músico Rafael Formiga.

O processo de composição é uma forma única de se relacionar com o mundo. Na ponta do lápis ou nas cordas do violão, o músico consegue dar vazão aos seus sentimentos, ao mesmo tempo em que os relaciona com o universo que os cerca. Um ato contínuo de absorver, compreender e compartilhar ideias e percepções.

Compor é dialogar com o mundo. Trazer os sentimentos da nossa existência e contextualizá-los com o universo à nossa volta. É algo como reinventar o que já existe, por mais inédito que cada composição pareça ser. Há sempre algo a ser acrescentado ao que já foi feito, e assim seguimos como espécie em constante evolução”, avalia o músico Bruno Debrau.

Porém, criar músicas não é um trabalho fácil, principalmente quando o grande desafio é superar suas próprias limitações. Criatividade não é um mecanismo que se pode ligar ou desligar quando quiser, o que torna bastante complexa a atividade artística. E o pior: não existe uma fórmula pronta para lidar com os bloqueios criativos.

“É enlouquecedor a sensação de querer falar e a voz de dentro de você se cala. Outra coisa que me ocorreu recentemente foi a mudança de inspiração, é de conhecimento de todos que tristeza pode trazer inspiração artística, tenho feito coisas mais alegres e confesso que demorei a entender a influência desse tipo de som, que vem de atmosfera completamente diferente”, ressalta o músico Igor Venal.

“É preciso não deixar de alimentar a criatividade. Eu sempre penso: ‘isso dá uma música’ e a mente já começa trabalhar em rimas e estrofes. Muito disso nunca vai ser aproveitado, mas mantém sua mente exercitada para quando quiser fazer uma canção. Outra coisa é sempre ouvir músicas que se parecem com o que você quer compor, ler poemas, crônicas e textos em geral que tenham temas relacionados ao que você quer utilizar na música. Se você domina um assunto ou sentimento terá facilidade de expor. É isso que fortalece a criatividade”, observa o músico Van Basten.

É no meio dessas reflexões que reside a beleza da composição: a capacidade de transformação. “Um dos maiores desafios em compor músicas é achar o acorde perfeito dentro da harmonia para elucidar o que você quer dizer nas frases em andamento. É aí que mora a suavidade da alma ou a turbulência emocional. É transformar em melodia o abstrato tornando-o concreto”, finaliza o músico Genésio Reis.

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