Começa hoje a Flip 2019

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) começa nesta quarta-feira, dez de julho, com uma aula magna da crítica literária Walnice Nogueira Galvão, professora emérita da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Euclides da Cunha (1866-1909) e Guimarães Rosa (1908-1967). Responsável pela edição crítica considerada definitiva de “Os sertões”, clássico de Euclides da Cunha, a ensaísta é uma autoridade no que diz respeito ao autor homenageado.

Com 17 anos de história, a Flipe homenageia Euclides da Cunha promovendo debates que o escritor levantou ao longo de seu trabalho e adotando um forte tom político durante os cinco dias de evento. Para isso, um dos caminhos da curadoria dessa edição foi o de entrelaçar linguagens artísticas: literatura, música e encenação surgem entremeadas ou fundidas na canção, no slam, na performance, no cinema e na poesia de cordel.

A programação da Flip 2019 foi desenhada para abordar temas euclidianos e, em muitos casos, atualizá-los. Não dá para ignorar, por exemplo, sua visão preconceituosa com relação a cor de pele. Por isso, foram  reunidos convidados que vão promover debates amplos, que oferecem perspectivas novas para questões atuais e antigas na literatura de ficção, na de não ficção, na poesia e em outras formas de arte.

Ocupação dos espaços e incentivos de outras manifestações culturais

A concepção arquitetônica da Flip, ano após ano, vem explorando os espaços públicos de Paraty, gerando camadas de memória afetiva de moradores e visitantes, e contribuindo para a criação da identidade da feira. Uma de suas forças e particularidades é o interesse pelas experiências que a dimensão da arte pode proporcionar ao público em um determinado espaço urbano.

A cidade de Paraty, sua natureza e as relações ali estabelecidas criaram e deram sentido à Flip. Esta é a primeira edição que conta com a instalação No ar, de Laura Vinci, por exemplo, e o espetáculo Máquinas do mundo, do Núcleo de Arte da Mundana Companhia de Teatro.

Além disso, programações culturais promovidas por parceiros da Festa Literária e por ações de diversos coletivos e movimentos comunitários da região vão povoar a programação. Sabe como isso será feito: ocupando os dois lados do rio Perequê-Açu em uma ampliação simbólica da Praça da Matriz. Lá, artesãos, agricultores, artistas e ativistas compõem ações próprias de saraus, feiras, conversas e encontros em torno da agroecologia e da economia solidária.

Assim, a chamada Praça Aberta assume a missão de valorizar a cultura regional e promover produtos e produtores que dispõem de poucas oportunidades de comercialização. As atividades visam fortalecer iniciativas socioeconômicas e redes populares promovendo uma programação musical tradicional, com maracatu, carimbó, ciranda caiçara, entre outros.

A Praça Aberta também irá receber ações como: o caminhão-museu, organizado pelo Instituto Moreira Salles com exposição, mostra de filmes e atividades educativas relacionadas a Canudos e outros conflitos; a exposição interativa “A energia da língua portuguesa”, realizada pela EDP, com particularidades sobre o idioma; e o BiblioSesc, que oferece, além do acervo de livros, oficinas e apresentações artísticas, com especial atenção ao público infantil.

A programação completa, e muito mais, pode ser acessada no site da Flip.

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