Com referências amazônicas e nordestinas, Igapó de Almas lança segundo álbum “Laborioso Vinho”

Aliando os ritmos amazônicos e o Nordeste brasileiro à música eletrônica atual, o Igapó de Almas lança “Laborioso Vinho”, segundo álbum de inéditas. Projeto desenvolvido por cinco músicos de Natal (RN), o disco apresenta elementos tradicionais como o rock e jazz fermentado com uma mistura sonora regional e poética. O trabalho é composto por 13 músicas, entre composições autorais e faixas instrumentais. O lançamento é via selo Rizomarte Records.

Ouça “Laborioso Vinho”: http://bit.ly/LaboriosoVinho

Depois do disco cheio “A” (2014), o Igapó de Almas traz a influência de ritmos da Região Amazônica e do Nordeste em “Laborioso Vinho”, álbum denso e de livre experimentação. O uso despojado de sintetizadores, colagens de samples, beats e novos elementos encorpam a sonoridade, transformando-a em algo nunca antes visto. O rock, jazz e trip hop elevam a qualidade e se misturam com elementos até então escassos na Música Popular Brasileira, como o coco, baque acreano e ritmos Yawanawá.

“O Brasil é imenso, a música sempre ajudou a nos conhecermos melhor. Fazer algumas dessas influências soarem através da música pra gente é uma forma de agradecer e de manifestar nosso profundo respeito pela cultura de povos que são, na verdade, anteriores a qualquer possibilidade de existência de um país chamado Brasil”, revela o músico Henrique Lopes.

Igapó de Almas - Laborioso Vinho

“Laborioso Vinho” surgiu de um processo lento e criterioso. Os músicos elaboraram o álbum com base em aprendizados, experiências e no que estava acontecendo no país no decorrer do desenvolvimento. Como na maturação de uma boa safra, a paciência foi companheira durante os encontros da banda. “Gravamos, desgravamos e experimentamos bastante. Foi preciso se mover e bater cabeça, experimentar; nesse sentido de envolvimento foi laborioso. Mas também foi preciso não agir, esperar, dar tempo ao tempo, deixar rolar; nesse sentido foi tipo como vinho”, expressa Henrique.

As 13 faixas do disco exibem elementos regionais na estrutura. O mundo amazônico se mistura com o baião, a floresta e a música cabocla dos seringais transformam-se em elementos rítmicos no meio de batidas eletrônicas. Esse conjunto, que levou a inspiração do Igapó de Almas, veio do baixista Pedras, que morou muitos anos no Acre. Assim que retornou para Natal, iniciou as gravações do novo projeto, apoiado em experiências vividas: visitou aldeias, fez parte da banda do cantor Shaneihu Yawanawá, trabalhou com músicos atuantes no Acre, como Alexandre Anselmo e Rodolfo Minari; e estudou com o maestro Roberto Burguel.

O álbum inicia com o eco de vozes de “Andando Só”, que apresenta, logo de cara, a influência experimental da banda na voz de Luísa Guedes. A instrumental “Vuelo Sin Mapa” traz arranjo profundo e batidas densas, assim como “Abala”, que conta com a participação especial da cantora Débora Malacar (Chico Correa Eletronic Band). “Salsa Division” reproduz um ar misterioso e tenso, conectando-se com a posterior “Solidão Avulsa”, engrandecida pela voz de Clara Pinheiro.

O eletrônico dá o tom de “Tropical Madness”, com participação de Tiago Landeira. A seguinte “Se Fique” traz o violão dos bailes caboclos, sem deixar de lado a guitarra e os ares experimentais. Oitava faixa, “Lombroges” é enigmática, da mesma forma que “Laborioso Vinho” explora efeitos introspectivos. A canção “Baixo Maiame” conta com a presença de Maria Di Lia e Edgar, e se conecta com “Yuma Ushe”, que traz o ritmo yamanawá ao disco. As duas finais “Goteiras” e “Ar” são uma despedida para o ouvinte, transmitindo paz e serenidade.

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O processo de criação das músicas passa pelo desafio de unir referências e influências bem díspares entre si. O gosto dos integrantes por sonoridades mais sombrias é refletido em cada faixa autoral. “Ainda somos artesanais e experimentais em muitos aspectos, o que também acaba dando uma característica ao som, um climão próprio do som do Igapó. Isso a gente conseguiu expressar bem melhor nesse álbum, então ele também representa um aprofundamento dessa pegada sonora”, diz Henrique.

“Laborioso Vinho” é o segundo álbum do projeto musical Igapó de Almas. A capa do disco, desenvolvida pelo artista visual Sandro Freitas, tem inspiração de construções antigas que estão cobertas pela floresta na região amazônica. A banda é formada pelos músicos Pedras, Walter Nazário, Henrique Lopes, Rafael Melo e Artur Porpino, que também integram outros grupos da cidade de Natal (RN) como Mahmed, Luísa e os Alquimistas e Fukai.

Escute o álbum “Laborioso Vinho” de Igapó de Almas:

Ficha Técnica:

  • Igapó de Almas é: Pedras, Walter Nazário, Henrique Lopes, Rafael Melo e Artur Porpino
  • Produção Musical e Mixagem: Walter Nazário e Pedras
  • Participações: Luisa Guedes (faixa 1), Debora Malacar (faixa 3), Clara Pinheiro (faixa 5), Tiago Landeira (faixas 6,12 e 13), Edgar e Maria Di Lia (faixa 10).
  • Letras: Pedras (faixa 1), Maria Di Lia (3,5 e 7), Henrique Lopes(faixas 8 e 10), Edgar (faixa 10)
  • Gravado entre 2015 e 2018 nos estúdios: Cigarra, Vovó, Jangada, Mangueirão e Cantilena.
  • Masterização: Cris Lander
  • Capa: Sandro Freitas
  • Fotos: Rudá Melo e Paulo Fuga
  • Produção Executiva: Henrique Lopes
  • Selo: Rizomarte Records

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