Com forte discurso político, cariocas do El Efecto lança disco “Memorias do Fogo”

A descoberta do fogo provocou uma revolução na história da civilização. E é com o lançamento de “Memórias do Fogo” que a El Efecto também busca uma transformação. Em meio a uma época caótica de desinformação e inércia, a veia política da banda carioca pulsa forte. O disco é uma coletânea de ritmos, indo do samba ao metal, evocando a potência cultural da música brasileira.

Cada canção pretende tornar-se uma chama, resgatando memórias para iluminar possíveis caminhos. O álbum, produzido por Patrick Laplan, Tomás Alem e a banda, e masterizado por Robert Carranza (Criolo, The Mars Volta, Ozomatli), é um lançamento Sagitta Records e já se encontra disponível para audição nas principais plataformas de streaming e para download gratuito no site da banda.

Para incendiar injustiças e acender contradições, o El Efecto transformou música em combustível para uma labareda. Inspirado na trilogia de nome semelhante de Eduardo Galeano, que fala sobre a trajetória da América Latina, o álbum evoca a importância de cultivarmos a chama interior, seja para jamais esquecer que o mundo está pegando fogo, ou até mesmo, para juntos, incendiá-lo em algum sentido.

“Percebemos que, de uma maneira ou de outra, as músicas tinham em comum a referência ao elemento do fogo. E juntas, compunham um painel poético de situações, personagens e alegorias que evocam lutas coletivas contra diferentes formas de opressão, espalhadas em cenários, épocas e realidades distintas. Uma evocação à necessidade mais objetiva de torrar os ônibus, por exemplo, ou à imagem da barricada.  A ideia é que cada uma das músicas pretende ser uma chama, pra esquentar, pra botar lenha na fogueira, pra incendiar nossos corações”, explica Bruno Danton.

O álbum “Memórias do Fogo” é um convite a conhecer e contar histórias. Com letras que evocam desde tradicionais símbolos de luta, até a ideia do empreendedorismo de faz-de-conta, o disco chama o ouvinte a questionar-se e, porque não, rebelar-se contra as lógicas da opressão.

O trabalho conta com diversas participações, como Aline Gonçalves, Gabriel Ventura, Ingra da Rosa, Helen Nzinga, Nina Rosa, Thiago Kobe, Daíra, Uirá Bueno, Bernardo Aguiar, entre outros. São sete faixas, sendo seis delas autorais e uma versão (“Chama Negra”), composição de Rachel Barros, interpretada pela própria.

Capa do álbum "Memórias do Fogo", da banda carioca El Efecto.
Capa do álbum “Memórias do Fogo”, da banda carioca El Efecto.

“Acreditamos na música como forma de militância, um meio de organizar os sentimentos de indignação diante da injustiça social e das diversas formas de opressão, uma forma de estimular e abraçar as iniciativas de luta e, ao mesmo tempo, de nos sacudir, questionar o encaminhamento das nossas vidas, nossos gestos. Enfim, é uma trincheira para respirar, sentir, refletir e seguir ganhando terreno no confronto contra o massacre”, finaliza Gustavo Loureiro.

A capa, artes gráficas, conceitos e ilustrações do disco ficam por conta do artista visual Rafa Éis, numa proposta de parceria e diálogo entre o som e as imagens.

Outro aspecto audiovisual diz respeito aos vídeos das músicas. Todo processo de gravação foi registrado e, a partir disso, os materiais foram entregues a sete parceiros diferentes. Como resultado, cada canção terá um vídeo com um olhar e uma montagem particular que, após o lançamento, serão divulgados semanalmente no canal de YouTube da banda.

Firmando-se como um sexteto, a El Efecto é formada por Tomás Rosati (voz, cavaquinho e percussão), Cristine Ariel (guitarra, cavaquinho e voz), Tomás Tróia (guitarra e voz), Gustavo Loureiro (bateria), Bruno Danton (voz, violão e viola) e Eduardo Baker/Pedro Lima (baixo).

Ouça “Memórias do Fogo”: http://bit.ly/ElEfectoMemoriasdoFogo

Confira o faixa-a-faixa:

Café: A ideia da letra partiu da leitura do poema “Moça feliz”, de Cassiano Ricardo. Na música, ao invés da “moça”, optamos por um “casal feliz”. A parte musical surgiu a partir da descoberta e o encantamento com o Joropo, gênero venezuelano/colombiano. Depois, na construção da música, tentamos mergulhar no universo das canções de luta latinoamericanas. Chamamos a Daíra pra compor junto com o Tomás, a voz do “casal feliz”. Também contamos com a parceria do compositor russo Tchaikovsky, que chegou junto com algumas melodias bem legais, enriquecendo o drama. É uma canção sobre as veias abertas da América Latina.

Carlos e Tereza: Nessa faixa, celebramos a memória de um outro casal. Dois personagens históricos que, em tempos e contextos diferentes, batalharam e deram a vida na luta contra os absurdos vigentes. Na parte musical, foi uma tentativa de voltar a trilhar os caminhos do axé, da swingueira e do pagodão baianos, tentando nos atualizar diante das linguagens mais contemporâneas desses gêneros

O Monge e o Executivo: Uma homenagem a capa de um dos discos mais fundamentais da nossa formação (RATM), sendo lida na perspectiva do capitalismo zen, desse falso orientalismo, empreendedorismo samurai, espiritualidade new age e todas as formas de autoajuda empresarial. Chamamos a Helen Nzinga pra fazer um rap no meio disso tudo e puxar as pessoas “elevadas” pro chão. Gabriel Ventura também foi chamado, com a missão de expressar uma pessoa em chamas através dos sons da guitarra Uma canção sobre a gratidão, trazendo a lembrança de que sem justiça não há paz.

Chama Negra: Quando pensamos no conceito do disco, na ideia do fogo, nos lembramos dessa canção da Rachel Barros. Tínhamos tido contato com a música em outra situação e achamos que ela trazia uma outra perspectiva dobre o tema, um outro olhar, que não saberíamos dar, mas que agregava algo fundamental nesse conjunto de canções sobre fogo e luta. Daí convidamos ela e bolamos um outro arranjo em parceria com a Aline Gonçalves, que fez todo o arranjo de sopros/percussão. A Aline trouxe a linguagem do festejo peruano e o resultado foi uma ponte entre a musica afrobrasileira e a afroperuana.

Trovoada: É uma canção inspirada pela poesia de Elaine Freitas e pela força do jongo. Contamos com as participações de Nina Rosa e Thiago Kobe, que, além da participação fundamental como músicos e intérpretes, também nos ajudaram nas discussões sobre a letra. Também contamos com a Ingra da Rosa que, além de fechar a canção com sua poesia, nas conversas sobre as músicas, acabou nos levando até o Rafa Éis, autor da capa e das artes do disco.

Incêndios: Melancolia tangueira em forma de hardcore pra levantar o questionamento sobre a necessidade individual e coletiva de dar um passo atrás. de não seguir reproduzindo a desgraça. Inspirações no disco “Il pleut sur Santiago”, de Astor Piazzola, no filme “O Ódio”(la Haine). na poesia de “A Rosa do Povo”, e no poeta paulista Lucas Bronzatto. O baixo dessa faixa foi gravado pelo Patrick Laplan, produtor musical do disco.

Ouça “Memórias do Fogo”:

Ficha técnica:

  • Gravação: Tomás Alem (Estúdios Toca do Bandido e MK Estú- dio) e Patrick Laplan (Estúdio Fazendinha) no Rio de Janeiro/RJ
  • Mixagem: Tomás Alem no Estúdio Aura (exceto “Chama Negra”, mixada por Gustavo Loureiro)
  • Produção Musical: Patrick Laplan, Tomás Alem e El Efecto
  • Produção Executiva: Iuri Gouvêa
  • Masterização: Robert Carranza, em Los Angeles, CA – EUA
  • Composições, arranjos, pesquisas e roubos: El Efecto (exceto “Chama Negra”, composta por Rachel Barros e arranjada por Aline Gonçalves e El Efecto)
  • Direção de Arte: Rafa Éis e El Efecto
  • Projeto Gráfico e Desenhos: Rafa Éis

LEIA MAIS

Comentários