Com bom humor, clipe de Ana Sucha traz à tona discussão sobre a visibilidade lésbica

No mês da Visibilidade Lésbica, celebrado em agosto, a cantora e compositora Ana Sucha lança clipe para a música “Uma Mulher Feliz”, presente em seu disco de estreia, “Inês”, lançado em 2016. Com roteiro e direção de Zé Pereira, a ideia é contar de forma bem humorada o momento em que os pais descobrem sobre a sexualidade da personagem. O clipe foi gravado no Centro de Tradições Nordestinas, também conhecido como Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, e combina com o tecnobrega da canção.

Em “Uma Mulher Feliz” é narrada a história de uma moça que ainda não “saiu do armário”, gerando questionamentos da mãe, que incentiva a filha a se arrumar para conseguir um namorado. No refrão, chega a grande revelação: “Mamãe, há mais de um mês, tô namorando a Inês, nem reparei no rapaz”. As canções de Ana Sucha trazem como marca o bom humor para falar das situações tragicômicas da vida. É esse jeito simples e profundo de compor que a torna uma voz importante nesse mês da Visibilidade Lésbica.

“Eu sempre senti muita falta de mulheres lésbicas ou bis falando abertamente sobre isso, nas músicas principalmente. Eu vejo isso como uma forma de militar, uma forma de fazer política, sabe? De mostrar ‘Olha tô aqui com outra menina e isso tinha que ser visto de uma forma natural’, ou ‘Ei, você que sente coisas por outra menina, tamos juntas querida, você não é alguém pior por isso e  pode não ser ‘uma fase’ (risos)’”, aconselha Ana Sucha.

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Por esses motivos, lançar o clipe de “Uma Mulher Feliz” no mês da Visibilidade Lésbica se tornou uma forma de colocar o tema sob os holofotes e gerar discussão. A iniciativa culminou em 29 de agosto, Dia Nacional da Visibilidade Lésbica e Bissexual.

“Esse dia foi firmado para mostrar que existimos. E acho que lançar trabalhos artísticos, ou pesquisas, ou quaisquer expressões que tragam visibilidade para o tema, é positivo para nos reconhecermos e nos fazermos reconhecidas para a sociedade. Principalmente para sentirmos que não estamos sós nesse mundo ainda muito difícil para nós. Vou ficar muito feliz de ver outras mulheres lésbicas lançando trabalhos sobre o tema neste mês!”, anima-se.

O posicionamento de Ana Sucha também é uma forma de resistir aos retrocessos da sociedade, em meio a uma forte onda de conservadorismo. Nesse contexto, o humor é a forma que ela encontra para lidar com estas questões, transformando dor em ironia.

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“Por mais que seja difícil, a luta é pela nossa felicidade, pela nossa liberdade – de ser quem nós somos. A gente já tem muito motivo pra sentir angústia, medo, insegurança… e poder, com a música, rir um pouco e ironizar algumas situações como essas, que são cotidianas – é uma forma de fazer a crítica alcançar novos espaços, lugares em que esse tipo de discussão seria mais difícil de chegar. E acho que outras pessoas que escutam e se identificam, se sentem abraçadas de alguma forma, por entenderem que alguém passa pelo mesmo”, finaliza Ana.

O vídeo de “Uma Mulher Feliz” traz direção e roteiro de Zé Pereira; direção de arte de Carolina Aleixo; fotografia de Samuel Fortunato; enquanto a assistência de produção é de Gabriela de  Almeida e a maquiagem foi feita por Ana Karenina. Em cena, Ana Sucha é acompanhada por Suely Mesquita (mãe), Eugenio Dale (pai) e Isis Fernanda (Inês).

Confira o clipe de “Uma Mulher Feliz”:

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