Coletivos culturais buscam novas formas para promover cultura

Produzir cultura é uma tarefa árdua e que exige boas doses de criatividade para viabilizar projetos artísticos. Ainda mais quando os instrumentos de incentivo se mostram restritos ou os profissionais do setor precisam lidar com recursos bastante limitados. Porém, os coletivos culturais se apresentam como alternativa para artistas e trabalhadores do segmento.

As iniciativas colaborativas vêm contribuindo para transformar a realidade cultural em diversas cidades ao gerar visibilidade para os profissionais do setor, diversificar as expressões artísticas, facilitar o acesso da população aos projetos e, consequentemente, estimular a indústria criativa e mostrar que há novas possibilidades de fazer e viver cultura.

Em Itabira, os coletivos culturais têm sido responsáveis por diversas iniciativas populares que vêm mudando o cenário local, ocupando espaços públicos e fortalecendo a classe artística. “Naturalmente já fazíamos coisas coletivas, só não tínhamos um título como coletivo”, destaca Juninho Ibituruna, músico natural de Governador Valadares, mas radicado em Itabira, e que integra o Coletivo Altamente.

Mais do que trabalhar o fortalecimento da cena cultural local, os coletivos têm um papel fundamental na integração da classe artística. Cada grupo possui seus próprios projetos, mas acaba participando de outras iniciativas de maneira colaborativa. Essa integração facilita a realização de eventos únicos e mais inclusivos em que diferentes manifestações culturais acabam se encontrando.

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Mário Brito, da Casa de Jah; Carlos Cabeça, do Arredaí; e Juninho Ibituruna, do Coletivo Altamente analisam o papel dos coletivos na produção cultural.

É o caso das parcerias que têm envolvido, além do Coletivo Altamente, grupos como Casa de Jah, dedicado à cultura sound system; Arredaí, que promove intervenções sustentáveis; Calangodum, bateria universitária da Universidade Federal de Itajubá (Unifei-Itabira); e LaTrupe, que realiza intervenções teatrais e musicais. Além deles, a cidade possui outros coletivos, como O Cardume, divulgador da cultura hip hop; e Filhos de Um Poeta Morto, representantes do rock underground, dentre outras iniciativas colaborativas.

O desafio a ser superado por essas iniciativas colaborativas está justamente no financiamento dos projetos. Nos espaços públicos, é costume os coletivos montarem pontos de venda de comes e bebes para custear a estrutura do evento – o público contribui com a doação de pequenas quantias para ajudar no custeio. Outra forma encontrada é a promoção de festas com a cobrança de bilheteria, o que permite a realização de mais eventos.

A iniciativa privada vem se mostrando como um canal interessante para a promoção e divulgação da cultura. Por meio de patrocínio das festas realizadas pelos coletivos, empresários itabiranos estão tendo importante papel no desenvolvimento local. “A gente nem sabia dessa abertura. Chegamos para pedir apoio no comércio e a resposta era: é claro eu sei que vocês estão fazendo”, ressalta Juninho Ibituruna.

Mesmo assim, a produção dos coletivos é repleta de desafios a serem superados. A expectativa é de que logo a quantidade de apoiadores dos projetos aumente, inclusive com o poder público abraçando essas iniciativas. “A expectativa é que venha através de editais do poder público e da iniciativa privada, mas isso num futuro”, destaca Carlos Cabeça, do Arredaí.

Coletivos culturais

Na última década, o colaborativismo nas produções culturais voltou a ganhar força, o que acabou incentivando o surgimento de diversos coletivos artísticos. O Circuito Fora do Eixo, rede que busca promover intercâmbio cultural, troca de experiências e disseminação da arte, é principal influência para as iniciativas colaborativas. Criado no final de 2005, quando reuniu produtores de Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Uberlândia (MG) e Londrina (PR), o Circuito Fora do Eixo conta com mais de 200 pontos de cultura em 25 das 27 unidades federativas do Brasil.

*A jornalista Cacau Dias colaborou com este artigo.

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