Catas Altas se organiza para receber novas produções audiovisuais

Em várias cidades do Brasil existe um departamento chamado Film Comission. Ele serve para orientar e colaborar com produções audiovisuais interessadas no destino. Mas, apesar de ser uma cidade pequena e não contar com esse setor, Catas Altas, a 120 quilômetros de Belo Horizonte, Minas Gerais, foi escolhida para ser cidade cenográfica da minissérie “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, da Rede Globo, e conseguiu suprir todas as necessidades da emissora para que a produção pudesse se concretizar.

“Mesmo sem o departamento, a assessoria de comunicação da Prefeitura [Municipal de Catas Altas] deu todo o auxílio à equipe da TV Globo para que o projeto pudesse sair do papel e acontecesse em nossa cidade”, explica o prefeito José Alves Parreira.

A mesma opinião foi compartilhada pelo produtor de locações da Rede Globo, Carlos Paulino: “a Prefeitura de Catas Altas, através da assessoria de comunicação, foi exemplar e fez o papel de Film Comission que muitos órgãos de cidade grande não conseguem fazer”.

O suporte à TV Globo envolveu todas as etapas de produção: apresentação da cidade à equipe responsável, auxiliando na identificação das locações; agilização das autorizações para início dos trabalhos; identificação de possíveis fornecedores, prestadores de serviços e mão de obra local; auxílio na seleção de figurantes; intermediação entre empresas e a emissora; acompanhamento das gravações; auxílio na logística e organização do trânsito na cidade; entre outros.

Até então, Catas Altas nunca tinha visto a produção audiovisual como possibilidade de desenvolvimento econômico. “Com essa primeira experiência, vimos que temos potencial e estrutura para receber novas produções e, com isso, criarmos uma nova fonte de renda para a população local. Agora estamos mais preparados e com know-how. Que venham novas produções como esta”, destaca Parreira.

De acordo com os produtores da minissérie, o município foi o selecionado entre diversos outros em potencial da América Latina. A cidade foi descoberta pela cenógrafa titular da Rede Globo, Anne Marie Borgeois, através de uma pesquisa na internet.

Após ver a foto da Praça Monsenhor Mendes com a serra ao fundo e seu casario colonial, que é o cartão-postal de Catas Altas, ela apesentou a opção à direção, que manifestou interesse e, logo, em seguida iniciou uma pesquisa mais profunda para identificar se a cidade possuía todos os requisitos necessários para compor a história.

Daí por diante, o processo se desenrolou muito rápido: equipes de locação chegaram à cidade para fazer registros fotográficos dos locais que poderiam servir como cenário; responsáveis por arte e cenografia vieram montar o esboço do projeto arquitetônico da futura cidade cenográfica; diretores aprovaram o projeto e deram sequências às questões burocráticas, como licenciamentos e autorizações para intervenções nos casarios e prédio públicos; e outros procedimentos foram tomados para que o projeto fosse posto em prática e as gravações pudessem ter início.

“Foi um desafio muito grande conseguir, em tão pouco tempo, cumprir toda a burocracia e os trâmites legais que evolvem uma produção deste porte. Mas deu tudo certo”, explica o prefeito.

Segundo o vice-prefeito Fernando Rodrigues Guimarães, além do Poder Público, a produção contou com apoio de diversos outros setores. “A parceria foi grande e temos que agradecer a todos: Polícia Militar, Câmara [Municipal de Catas Altas], Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, servidores municipais, Conselho do Patrimônio Cultural, Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico [Iepha], direção do Santuário do Caraça, Cemig, escola estadual, Correios e empresas que atuam na região”, afirma.

“Isso sem contar o apoio da população que foi fundamental. Todos receberam a equipe de abraços abertos, autorizando-a a entrar em suas casas e comércios. É um trabalho que está envolvendo direta e indiretamente quase todo o município”, completa Parreira.

Muitos imóveis foram alugados para servirem como cenários da série e se transformaram em delegacia, floricultura, café, barbearia, padaria, farmácia, gabinete do prefeito, lojas, cinema e outros espaços da fictícia Vila de São Miguel.

Entre os figurantes, foram cerca de 220 somente da cidade. Todas as crianças e adolescentes entre sete e 17 anos que farão parte da série são de Catas Altas. E para explicar um pouco sobre o processo que envolve uma produção para televisão e cinema, o produtor Carlos Paulino se reuniu com alunos da rede municipal no dia 23 de outubro. Na ocasião, cerca de 180 crianças participaram do bate e papo e ficaram entusiasmadas.

A série, um thriller, se passa em 1961 e contará a história de dois adolescentes que investigam um crime.

LEIA MAIS

Comentários