Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher é lançada em Itabira

Não foi fácil para a médica Paula Veloso, de Belo Horizonte, Minas Gerais, romper o silêncio e se libertar de um relacionamento abusivo. Depois de sofrer agressões físicas e psicológicas do ex-marido, ela deu um basta ao casamento de quase uma década e pediu à Justiça uma medida protetiva. “Agora eu pretendo falar do assunto. A gente pode evitar que isso aconteça. Todo mundo pode fazer alguma coisa. Tem que meter a colher sim”, disse ela, hoje responsável pelo projeto Colheres de Ouro, que pode ser acompanhado pelo Instagram (@colheresdeouro).

Paula falou da dolorosa experiência dela a uma plateia que lotou o teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) nesta segunda-feira, 26 de novembro, ocasião do lançamento, em âmbito municipal, da campanha “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”.

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A Prefeitura de Itabira abraça a iniciativa pelo quarto ano consecutivo e participa, com representantes de diversas secretarias, da Comissão Municipal de Enfrentamento da Violência Sexual e Doméstica. O grupo engloba também o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Ministério Público, polícias Civil e Militar, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e o Legislativo Municipal.

Na esfera pública local, reflexos da mobilização podem ser observados, por exemplo, nas secretarias municipais de Educação (SME) e Assistência Social (SMAS). Os titulares das duas seções – José Gonçalves Moreira e Marly Oliveira, respectivamente – mostraram aos espectadores o que é feito para combater a violência de gênero no Executivo: a tratativa do tema com crianças e adolescentes em sala de aula, por meio do programa Conexão Jovem, e o fortalecimento da rede de apoio – o Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) teve equipes de atenção à mulher ampliadas, com atendimento ora individual, ora em grupo, e encaminhamento aos órgãos de apoio.

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Itabira por Eles

A campanha dos “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher” ocorre em Itabira até o dia 10 de dezembro, com palestras, rodas de conversa e panfletagem. O principal alvo da conscientização é o público masculino – a campanha traz o tema “Homens pelo fim da violência contra a mulher”.

O prefeito Ronaldo Magalhães, inclusive, assinou termo de cooperação técnica com o TJMG para a implantação do projeto “Itabira por Eles”. Homens, agressores, serão encaminhados e supervisionados pela Vara Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Itabira a grupos reflexivos, dirigidos por psicólogos e assistente social do Município, para se tratarem.

Cada grupo terá entre 15 e 20 homens, autores de violência contra mulheres, que frequentarão 12 encontros por três meses. A estimativa é que o projeto atenda até 80 participantes em um prazo de um ano.

“Há muito pela frente”

Vice-prefeita, Dalma Barcelos é a primeira mulher a ocupar o posto na cidade de 170 anos de emancipação político-administrativa. Ao subir ao palco, ela conclamou união de homens e mulheres em prol da descontração da cultura do machismo. “Se hoje nós estamos aqui, foi graças àquelas que lutaram para que nós tivéssemos o que temos hoje. Nada foi de graça, tudo foi por luta”, discursou.

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Em tempo

Os “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher” começaram em 1991, quando mulheres de diferentes países, reunidas pelo Centro de Liderança Global de Mulheres (CWGL), iniciaram uma campanha com o objetivo de promover o debate e denunciar as várias formas de violência contra as mulheres no mundo, segundo a ONU Mulheres Brasil.

No Brasil, a Campanha ocorre desde 2003. A mobilização termina em 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. Cerca de 130 países participam da campanha.

A data é uma homenagem às irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas como “Las Mariposas” e assassinadas em 1960 por fazerem oposição ao governo do ditador Rafael Trujillo, que presidiu a República Dominicana de 1930 a 1961, quando foi deposto.

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