Cafe Republica divulga “Jardim dos Olhos”, novo single do seu próximo álbum

Psicodelia e guitarras pesadas assumem a dianteira no novo single da banda Cafe Republica, “Jardim dos Olhos”. A música traz a ideia da natureza que invade o espaço urbano, tomando para si os lugares que sempre foram seus. Ao se misturar com o ambiente, os corpos e as plantas se tornam um só, mostrando que somos reflexos desse “ser orgânico”. A canção é o segundo single liberado do primeiro disco cheio da banda. A produção é assinada pela própria Cafe Republica com co-produção de Eugenio Dale.

Ouça: http://bit.ly/JardimdosOlhosSpotify

Enquanto na canção anterior, “Um”, a reflexão era sobre as partes que compõem o ser humano, em “Jardim dos Olhos” a relação deixa de ser egoísta e pensa as partes dentro do todo – quando termina o indivíduo e começa a natureza? No trecho “vem ver de onde nascerão as plantas”, a ideia é guiar o ouvinte para pensar o nascimento. O questionamento aparece como uma metáfora para o que sucede dentro do indivíduo, e não no solo.

“A escalada de crescimento no meio ambiente muito se aproxima ao nosso amadurecimento interno como indivíduos e que atravessa várias etapas. De forma resumida, ‘Jardim dos Olhos’ traça a compreensão da natureza, dentro de um espaço urbano, se misturando com as vivências que por aqui temos. Desde a simples comparação entre os corpos e as plantas, como a percepção de que somos reflexo desse ‘ser orgânico’”, comenta Barbanjo Reis.

Fator essencial na ambientação do disco e nas músicas, a natureza obteve papel principal no desenvolvimento de “Jardim dos Olhos”. A faixa foi gravada no estúdio Camelo Azul, local ambientado com árvores e plantas que quase entram no espaço. Essa conexão facilitou o andamento da composição.

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“Quando estávamos gravando, nos demos conta de que a copa de uma das árvores mais altas formava a silhueta da cabeça de uma pessoa. E a partir de então, todas as vezes que íamos à varanda, enxergávamos naquela árvore, um espelho mais que perfeito do ser humano, como se numa completude simbiótica”, relembra Barbanjo.

Essa relação de dependência entre ser humano e natureza surgiu de uma reflexão do Cafe Republica a respeito de como o florescer se relaciona com questões do indivíduo. Na mesma linha de pensamento, eles traçaram um paralelo entre os elementos que existem no meio ambiente e a dos seres humanos na vida urbana. Barbanjo Reis conta que esse embate é uma questão recorrente em nossa vivência, aprisionando os indivíduos em pequenos espaços.

“A cidade portanto é opressora, não só com os indivíduos, como com a natureza que nessa música é tomada como um espelho do ser humano. A vida urbana oprime-nos duplamente. A diferença é que a opressão aos animais e árvores é muito mais visível do que a aplicada ao ser humano. O meio ambiente, tendo sua pluralidade tolhida, diz muito a respeito da nossa sociedade”, finaliza.

Formada por Octavio Peral (guitarra e voz), Anderson Ferreira “Cabs” (teclado e voz), Barbanjo Reis (bateria e voz), Juca Sodré (baixo) e Ygor “Big” (guitarra), a Cafe Republica reúne elementos de múltiplos estilos musicais, procurando sempre produzir composições e arranjos diferentes. Presente na cena underground carioca, o grupo possui três EPs: “Sweet Dive in Turtle’s Land” (2014), “Luddere Occultant” (2016) e o recente “Interlúcido” (2017).

Ouça “Jardim dos Olhos”:

Ficha técnica:

  • Letra e música: Cafe Republica
  • Produção: Cafe Republica e Eugenio Dale
  • Gravação: Barbanjo Reis no Estúdio Camelo Azul
  • Mixagem: Barbanjo Reis, Eugenio Dale e Cafe Republica no Estúdio Camelo Azul
  • Masterização: Eugenio Dale e Cafe Republica no Estúdio Camelo Azul
  • Capa: Talita Hoffmann

Cafe Republica é:

  • Anderson Ferreira “Cabs”: teclados (orgão, harpa) e vocal
  • Barbanjo Reis: bateria e percussão
  • Juca Sodré: baixo
  • Octavio Peral: guitarra e vocal
  • Ygor “Big”: guitarra e vocal

Letra da música “Jardim dos Olhos”:

voar
em cada pele um semear
em toda parte hei de encontrar
tanta leveza

espalha o pólen
vê crescer
as folhas brincam de inventar
um novo espelho nascerá
resistir à pedra, brotar

vem ver de onde nascerão as plantas

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