BIOGRAFIA: Carlos Drummond de Andrade, um poeta

Há exatos trinta anos, no dia 17 de agosto de 1987, morria no Rio de Janeiro um dos maiores poetas que esse país já conheceu: Carlos Drummond de Andrade. Autor de vasta bibliografia, Drummond caminhava confortavelmente por diversos gêneros literários, do conto à crônica, da poesia aos artigos jornalísticos. Foi um poeta, contista e cronista brasileiro, considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX. Drummond foi um dos principais nomes da segunda geração do Modernismo Brasileiro.

O Trem das Gerais, cujo foco principal é disseminar a cultura, não poderia deixar data tão importante e simbólica passar em branco. Por isso, resolveu dedicar um tanto de linhas em memória e homenagem ao nosso poeta maior, mostrando um pouco de sua vida, do nascimento à despedida.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) nasceu em Itabira do Mato Dentro, interior de Minas Gerais, no dia 31 de outubro de 1902. Filho de Carlos de Paula Andrade e Julieta Augusta Drummond de Andrade, proprietários rurais. Em 1916, ingressou em um colégio interno em Belo Horizonte. Doente, regressou para Itabira, onde passou a ter aulas particulares. Em 1918, foi estudar em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, também em colégio interno.

Em 1921 aflorou sua verve jornalística, quando começou a publicar artigos no Diário de Minas. No ano seguinte ganhou um prêmio de 50 mil réis, no Concurso da Novela Mineira, com o conto “Joaquim do Telhado”. Em 1923 matricula-se no curso de Farmácia da Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte. Em 1925 conclui o curso. Nesse mesmo ano casa-se com Dolores Dutra de Morais. Funda “A Revista”, veículo do Modernismo Mineiro.

Drummond dava aulas de Português e Geografia em Itabira, mas a vida no interior não lhe agradava. Voltou para Belo Horizonte e empregou-se como redator no Diário de Minas. Em 1928 publicou “No Meio do Caminho”, na Revista de Antropofagia de São Paulo, provocando um escândalo com a crítica da imprensa. Diziam que aquilo não era poesia e sim uma provocação, pela repetição do poema. Como também pelo uso de “tinha uma pedra” em lugar de “havia uma pedra”. Ainda nesse ano, ingressou no serviço público como auxiliar de gabinete da Secretaria do Interior.

Em 1930 publicou “Alguma Poesia”, abrindo o livro com o “Poema de Sete Faces”, que se tornaria um dos seus poemas mais conhecidos: “Mundo mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução”. Faz parte do livro também, o polêmico “No Meio do Caminho”, “Cidadezinha Qualquer” e “Quadrilha”.

Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro e assumiu a chefia de gabinete do Ministério da Educação, do ministro Gustavo Capanema. Em 1942 publicou seu primeiro livro de prosa, “Confissões de Minas”. Entre os anos de 1945 e 1962, foi funcionário do Serviço Histórico e Artístico Nacional.

Em 1946, foi premiado pela Sociedade Felipe de Oliveira, pelo conjunto da obra. O Modernismo exerceu grande influência em Drummond. O seu estilo poético era permeado por traços de ironia, observações do cotidiano, de pessimismo diante da vida e de humor. Drummond fazia verdadeiros “retratos existenciais” e os transformava em poemas com incrível maestria. Carlos Drummond de Andrade foi também tradutor de autores como Balzac, Federico Garcia Lorca e Molière.

Em 1950, viajou para a Argentina, para o nascimento de seu primeiro neto, filho de Julieta, sua única filha. Nesse mesmo ano estreou como ficcionista e, em 1962, aposentou-se do serviço público, mas sua produção poética não parou. Os anos 60 e 70 foram muito produtivos, inclusive escrevendo crônicas para jornais do Rio de Janeiro. Em 1967, para comemorar os 40 anos do poema “No Meio do Caminho”, reuniu extenso material publicado sobre ele, no volume “Uma Pedra no Meio do Caminho – Biografia de Um Poema”.

Carlos Drummond de Andrade faleceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto de 1987, doze dias depois do falecimento de sua filha, a também escritora Maria Julieta Drummond de Andrade.

Produção literária de Carlos Drummond de Andrade

  • No Meio do Caminho, poesia, 1928
  • Alguma Poesia, poesia, 1930
  • Poema da Sete Faces, poesia, 1930
  • Cidadezinha Qualquer e Quadrilha, poesia, 1930
  • Brejo das Almas, poesia, 1934
  • Sentimento do Mundo, poesia, 1940
  • Poesias e José, poesia, 1942
  • Confissões de Minas, ensaios e crônicas, 1942
  • A Rosa do Povo, poesia, 1945
  • Poesia até Agora, poesia, 1948
  • Claro Enigma, poesia, 1951
  • Contos de Aprendiz, prosa, 1951
  • Viola de Bolso, poesia, 1952
  • Passeios na Ilha, ensaios e crônicas, 1952
  • Fazendeiro do Ar, poesia, 1953
  • Ciclo, poesia, 1957
  • Fala, Amendoeira, prosa, 1957
  • Poemas, poesia, 1959
  • A Vida Passada a Limpo, poesia, 1959
  • Lições de Coisas, poesia, 1962
  • A Bolsa e a Vida, crônicas e poemas, 1962
  • Boitempo, poesia, 1968
  • Cadeira de Balanço, crônicas e poemas, 1970
  • Menino Antigo, poesia, 1973
  • As Impurezas do Branco, poesia, 1973
  • Discurso da Primavera e Outras Sombras, poesia, 1978
  • O Corpo, poesia, 1984
  • Amar se Aprende Amando, poesia, 1985
  • Elegia a Um Tucano Morto, poesia, 1987

Fonte de pesquisa: ebiografia.com

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.