Alaíde Costa celebra 85 anos cantando José Miguel Wisnik, incluindo inéditas

A parceria da carioca Alaíde Costa e do paulista José Miguel Wisnik surge em outubro de 1968. À época, integrante do rol de intérpretes da primeira edição paulista do Festival Universitário da Canção Popular, exibido pela extinta TV Tupi, a cantora é escolhida por um jovem compositor de apenas 20 anos de idade para apresentar sua canção de estreia, “Outra Viagem”, escrita naquele ano. Só agora, 52 anos depois, é que os dois reatam esse elo silencioso e intacto para gravar essa e outras canções do cantor, compositor, pianista e escritor paulista.

“Eu fiquei apaixonada pela música e pela pessoa doce que ele [Wisnik] é. Dali [do festival], voltei para o Rio de Janeiro e agora a gente voltou a se reencontrar na casa de um amigo meu. Eu me emociono muito quando eu canto a música dele. Tenho paixão por ele”, destaca Alaíde.

Para José Miguel Wisnik, “Alaíde parece frágil à primeira vista, mas é firme nas suas convicções e nos seus sentimentos. É íntegra como a sua memória impressionante, que lembra tudo simplesmente porque não esquece das pessoas. É extremamente delicada, mas profundamente visceral”, afirma. “A música para ela não é um divertimento, é um transe. É uma cantora da melancolia que há em todos nós, mas não é uma pessoa triste. A emoção aflora e lava a alma. Tenho paixão por ela”, completa Wisnik.

E a conexão entre os dois é expressa na letra da faixa-título “O Anel”, composta em 2020 e que o autor divide o vocal com Alaíde. É uma das três inéditas do álbum O Anel – Alaíde Costa canta José Miguel Wisnik, que o Selo Sesc lança no dia do aniversário da cantora de voz suave, segura e de grande domínio técnico. Um trabalho que reconstitui a força expressiva de Alaíde ao interpretar com destreza pérolas do cancioneiro popular brasileiro.

Nunca antes gravada, “Aparecida” (1996) é a música que “agora, cantada por ela, parece feita para abrir o disco”, descreve o compositor em seu texto de apresentação. Wisnik canta em outras duas faixas: “Laser” (1989), composta em parceria com Ricardo Breim e que ele define como “a leveza capaz de cortar diamante ao meio” e em “Olhai os lírios do campo” (1966/2020), outra inédita e que fecha o disco em versão pout-pourri com “Onde está você” (1964-65), canção escrita por Oscar Castro Neves (1940-2013) e Luvercy Fiorini (1941-2007) e que se tornaria emblemática na carreira de Alaíde após sua interpretação no programa O Fino da Bossa, realizado no Teatro Paramount, estúdio da TV Record em São Paulo.

O disco foi gravado em setembro e outubro deste ano no estúdio Space Blues, em São Paulo, e duas composições também levam o nome de Paulo Neves, como “Saudade da Saudade” (1997), single que chega primeiro no dia 4 de dezembro e que Wisnik define como “uma canção sobre as canções”, que vão de Tom Jobim (1927-1994) a Caetano Veloso, e “Por um fio” (2000). O compositor e violonista Guinga divide com Wisnik a autoria de “Ilusão real” (2011) que, assim como “Estranho Jardim” (1989), foram escolhidas por Alaíde para compor o disco, que ainda traz o cântico e o acalanto “Assum branco” (1997).

Show de lançamento

No dia 19 de dezembro (sábado), Alaíde Costa e José Miguel Wisnik sobem ao palco do Sesc Pinheiros para uma apresentação pela série Música #EmCasaComSesc, que há sete meses transmite shows ao vivo pela internet, da casa dos artistas ou de estúdios de trabalho intercalando, desde outubro, com lives direto das unidades do Sesc na capital paulista, ainda sem a presença de público e seguindo todos os protocolos de segurança.

Para o lançamento de O Anel – Alaíde Costa canta José Miguel Wisnik, o duo cantora e pianista terá a companhia dos músicos Zeca Assumpção (contrabaixo acústico), Sérgio Reze (bateria) e Nailor Proveta (clarinete). A transmissão começa às 19h, no YouTube do Sesc São Paulo e no Instagram do Sesc Ao Vivo.

Repertório

1. Aparecida (José Miguel Wisnik)

2. O Anel (José Miguel Wisnik)

3. Saudade da Saudade (José Miguel Wisnik/Paulo Neves)

4. Ilusão real (Guinga/José Miguel Wisnik)

5. Estranho jardim (José Miguel Wisnik)

6. Assum branco (José Miguel Wisnik)

7. Por um fio (José Miguel Wisnik/Paulo Neves)

8. Laser (Ricardo Breim/José Miguel Wisnik)

9. Outra viagem (José Miguel Wisnik)

10. Olhai os lírios do campo (José Miguel Wisnik/Flávio Rezende) e Onde está você (Oscar Castro Neves/Luvercy Fiorini) – em versão pouti-porri

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