Dan & Duca: quando Rio e Minas dão samba

Quando a mineira Nadja Lírio Furtado decidiu viajar com uma amiga de faculdade para a festa de aniversário de uma escola de samba, não imaginava que iria conhecer um de seus fundadores, o carioca Daniel Félix Soares, e, 12 anos depois, ser sua parceira na vida e na música.

Duca, seu apelido de adolescência que virou meu nome artístico, e Dan têm a música no sangue desde muito novos. O Dan, músico registrado desde os 15 anos, teve como primeiro instrumento um pandeiro. “No litoral do Rio de Janeiro, o pagode era muito forte e ele não tinha acesso ao samba de raiz, que andava ausente das rádios. Depois disso, ele foi aprendendo os instrumentos de acordo com a demanda do grupo”, explica Duca. Se faltasse o cavaquinhista, ele aprendia a tocar cavaco. Quando faltou banjo, se dedicou a estudar esse instrumento. Assim, por curiosidade e demanda, foi se tornando um multi instrumentista.

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O avô de Duca era violonista e dava aula de violão em casa. Dos três aos nove anos de idade, ela morou na casa dele. “Ele era seresteiro e chorão famoso em João Monlevade. Lá em casa sempre tinha roda de seresta e choro. Minha mãe toca violão e canta desde adolescente. Ela tirava as músicas de ouvido e cantava comigo em casa sempre que podia”, relembra. Assim, aos sete anos ela já tinha um repertório de gente grande.

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Quando Duca e Dan se conheceram em 2007, ele estava afastado da música. “Apliquei o samba de raiz e ele se apaixonou. Dois anos depois começamos a tocar na noite e ele passou a cantar, coisa que até então não fazia”, conta Duca. Como todo músico profissional, eles começaram a carreira em barzinhos, mas pouco tempo depois criaram o grupo de samba raiz Samba na Sola. “A nossa configuração musical dependia da demanda. Nos apresentávamos em trio e até em sexteto. Estivemos em muitas casas incríveis em cidades como Búzios, Macaé, Rio das Ostras, Cabo Frio, Araruama e Saquarema, todas no estado do Rio de Janeiro”, recorda Duca.

Da praia para as montanhas

Há cerca de dois anos decidiram vir para Minas Gerais. “Fomos muito bem recebidos, principalmente por Itabira e, João Monlevade. Nesses dois anos rodamos bastante o estado, fizemos novas parcerias e cultivamos amizades. Agora, estamos numa nova fase. Queremos promover nosso trabalho autoral e temos sentido maior identificação do público com os nossos nomes do que com o nome do grupo, por isso estamos experimentando usar “Dan & Duca”, conta.

E tem dado certo! A ligação de Duca sonoridade, natureza e povo de Minas Gerais inspirou a primeira música autoral que será lançada pela dupla. “Canário canta é, basicamente, uma tradução musical desse amor. Nasceu pouco antes de virmos, com todo esse sentimento de sonho e saudade, memória e expectativa. Fala das coisas que mais amo aqui: o acolhimento, a natureza, a música. Ela começou com uma frase musical do Dan que casava com todo esse sentimento. E contamos com ajuda do amigo e grande artista do capizaba, Zé Martins, na criação da harmonia”.

Canário canta já foi gravada e já tem clipe. Dan e Duca estão em fase de divulgação para o lançamento oficial do trabalho. Mas conseguir realizar esse sonho não foi fácil. Duca conta que “sempre quisemos gravar as nossas músicas, mas é um processo caro. Desde o ano passado, eu coloquei na minha cabeça que não podia mais ser adiado e que eu faria como pudesse, de qualquer jeito”.

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Assim, as amizades construídas nos últimos dois anos também se tornaram uma fonte inesgotável de apoio e aprendizado. “Rafael Formiga (violonista, cantor e compositor itabirano), Juninho Ibituruna (grande percussionista), o pessoal do Grupo Triar (Janaína Mendonça, Jordanna Malena e Zeca Rodrigues), o Aloízio Horta (baixista) e o Daniel Bahia (violonista e guitarrista) foram algumas das pessoas que me sugeriram a criação da campanha de financiamento coletivo.

Imbuídos do espírito de realização pessoal, os artistas lançaram a campanha no site Vakinha e fizeram uma divulgação em massa. “Eu tinha muito medo de não conseguir bater a meta no prazo de um mês, por isso acabei colocando um valor abaixo do orçamento total”, esclarece Duca. Mas, para a alegria e surpresa deles, na última semana de campanha a meta foi batida e superada.

O valor arrecadado teve dois fins: a gravação da música, incluindo captação, mixagem, masterização, arranjo e músicos; e a produção do clipe com direito a produtora, captação, edição de vídeo, iluminação, itens de cenário; figurino; transporte e alimentação de toda a  equipe.

Como Duca fez questão de frisar, o investimento na música autoral é mais do que o caminho natural na carreira da dupla. “É o caminho que decidimos trilhar. Amamos nosso repertório de interpretações e não vamos abandoná-lo, mas queremos muito compor e produzir nosso próprio som. Há muita ansiedade para isso. O meu intuito, agora, é lançar mais dois singles ainda esse ano. Januária, uma parceria minha com Rafael Formiga, é um deles. No ano que vem queremos gravar um EP e sair em uma mini turnê”.

Jardim Sonoro

O single e clipe de Canário canta serão lançados, oficialmente, no dia 14 de julho, domingo. Mas quem já quiser sentir um gostinho do que vem por aí, pode assistir a um teaser no perfil da dupla no Facebook. Além disso, eles se apresentam hoje, 12 de julho, às 19h, no projeto do Coletivo Altamente, “Jardim Sonoro”. O show acontece na Casa Studio Altamente. o evento vai contar também com a Feirinha do Jardim recheada de artesanato, comidinhas típicas e bebidas variadas para espantar o frio. Os ingressos constam R$20 e são limitados. Outras informações, no perfil do Coletivo Altamente.

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras