Banda Karma: mais um talento do rock itabirano

Na maior parte das vezes que ouvimos como uma banda de rock se formou, a história é parecida. Os integrantes, com os mesmos interesses musicais, se conhecem ainda jovens na escola e se unem em uma banda. O enredo pode ser o mesmo, muitas vezes, mas os personagens sempre mudam.

É o caso dos integrantes da Banda Karma. Bruno Andrade Santos entrou para o ensino médio em 2011 e, logo depois descobriu uma paixão: o violão. A mesma paixão alimentada por Jean Artuso Castro. “Começamos a fazer um som juntos, ambos tocávamos violão e eu fazia o vocal. Nos apresentamos na escola e isso despertou esse interesse de um dia, quem sabe, formar uma banda”, relembra Bruno.

Bruno conta que depois de um ano Jean o apresentou ao Giovani Augusto. “Ele estava aprendendo a tocar bateria e resolvemos marcar um ensaio, ao acaso, para tocarmos juntos e descobrir no que daria. Nesta época, o Jean começou a tocar guitarra e montamos uma espécie de “power trio”. Vez ou outra surgia um quarto membro “não oficial” para fazer um som com a gente, seja tocando guitarra ou mesmo o baixo”, conta Bruno.

Giovani, três anos mais velho que Bruno e Jean, já tinha contato com a música desde muito novo. “Meu pai trabalhava com um escola de samba da cidade, por isso sempre estive conectado com percussão. Comecei a tocar bateria bem mais tarde, sempre com o Bruno e o Jean”, explica.

Nessa época, a banda se chamava Blackout. “Era uma banda de garagem. Nos reuníamos semanalmente para tocar algumas músicas clássicas do rock nacional. Foram dois anos apenas fazendo ensaios aleatórios, sem muito compromisso. A gente fazia o que gostava, mas não muito preocupados com o futuro ou o que poderia surgir a partir disso”, recorda Bruno.

Foi então que Bruno descobriu o Igor Amaral Oliveira. “Ele estudava na mesma escola que a gente, mas era mais novo. Ele tocava guitarra e alguma coisa chamou a minha atenção. Por isso, o convidei para fazer um som junto com a gente e deu muito certo. Nesse momento passamos a ter um quarto membro oficial”, frisa Bruno.

Igor conta que sempre se interessou por música, mesmo antes de tocá-la. “Para mim a música vai muito além disso, ela passa emoções e sentimentos únicos para quem a escuta. Ganhei minha primeira guitarra aos 13 anos. Como todo músico, comecei aprendendo as músicas que gostava de escutar mas, não conseguia ficar apenas nisso. Sempre criava um solo aqui, uma letra ali e uns riffs diferentes. Assim, fui descobrindo meu interesse em compor algo mais completo”.

Com a chegada do Igor, os membros da banda começaram a olhar para a música de forma mais compromissada, como algo que poderia render bons frutos no futuro. “O Jean começou a tocar baixo, por ser um instrumento que sentíamos falta na banda. Ele não demorou para se adaptar ao instrumento e depois de vários ensaios fizemos a primeira apresentação com a formação oficial do que viria a ser a Banda Karma”, detalha Bruno.

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O novo nome carregava a ideia de que suas ações definem o que você colherá no futuro, podendo ser algo bom ou ruim. Bruno reforça que “apostamos, claro, na visão positiva do que aquilo poderia se tornar. Já na nossa primeira apresentação mostramos, de cara, uma de nossas músicas autorais: “A Onda”. Imediatamente chamamos a atenção das pessoas que estavam ali nos prestigiando. Este foi o pontapé inicial!”.

Assinatura própria

Desde a formação definitiva da banda e a mudança de nome, a Banda Karma estabeleceu uma assinatura que viria a se transforma em um potente diferencial. “Quando pegamos para fazer o cover de alguma música das bandas que curtimos, não buscamos representá-las do mesmo modo em que foram gravadas. Criamos algo diferente em cima delas para que fiquem com a nossa cara”, descreve Bruno.

Ele conta ainda que o baixista, Jean, é muito influenciado por bandas como Led Zeppelin e Pink Floyd. Isso faz com que crie linhas de baixo relacionadas ao tipo de música que escuta. O mesmo tipo de processo acontece com o guitarrista, Igor, e suas influências como as bandas Scalene e Lavolta. Na bateria, Giovani, que é um fã de bandas como Fresno, cria solos mais voltados para um som mais marcante e pesado. Assim, como o trabalho vocal feito pelo Bruno inspirado em nomes como Dinho Ouro Preto, Humberto Gessinger, Bruno Gouveia, Paulo Ricardo e Renato Russo. “Nosso desafio é fazer com que todos esses gêneros, de alguma formam se encontrem para formar nosso estilo, ressalta Bruno”

Boas experiências

Essa busca por um equilíbrio entre as inspirações individuais de cada um e a identidade da banda, os levou a experiências marcantes, como se apresentar no Festival de Inverno de Santa Maria de Itabira. Para Bruno essa foi, sem dúvidas, a maior apresentação que fizeram. “O público se animou de uma forma que deixou aquela noite marcada para o resto de nossas vidas. Foi nossa primeira apresentação com uma estrutura completa, e isso nos permitiu dar o máximo de nós para que aquela noite pudesse ficar na história da Banda Karma e daquele festival”, comemora.

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Eles ainda citam outros momentos importantes da banda, como o show no “Natal Musical”, na Praça do Campestre, em 2016; o “Encontro de Leitores” que ocorreu na Fazenda do Pontal, também em 2016; a participação no programa “Em Cena”, na extinta TV Cultura de Itabira e as apresentações acústicas nos eventos “Sábado Cultural” e “Sábado Nerd” na galeria do Bretas.

Além disso, recentemente, eles foram vencedores da 4ª edição do Palco Aberto, um evento criado para dar força para aqueles que desejam ter oportunidade para apresentar seu trabalho musical e crescer como músico. Bruno comentou que “além de permitir que você faça uma apresentação ao seu modo, com músicas autorais, o Palco Aberto também proporciona conhecer outras pessoas que possuem sonhos como os seus. Esta interação entre músicos é muito bacana e permite que você cresça cada vez mais, desenvolvendo novas idéias”.

O Palco Aberto funciona de forma interativa, em que o público escolhe, enquanto os artistas se apresentam, quem é o seu favorito. A escolha é feita por meio de votação. “Saber que teria uma galera bacana, músicos como a gente dividindo o palco, e uma oportunidade para apresentarmos o nosso som para pessoas que curtem o nosso tipo de música, fez com que a gente se inscrevesse. Vencer essa 4ª edição foi apenas a cereja do bolo de uma noite incrível e muito importante para a banda. O prêmio, apesar de dar uma força financeiramente, não foi o mais importante e, sim a experiência adquirida naquela ocasião”, comemora Bruno.

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Produção Autoral

Assim como em sua primeira apresentação, a Banda Karma continua investindo na produção de músicas autorais. O vocalista, Bruno, e o guitarrista, Igor, são os principais compositores da banda, ambos com perfis distintos de criação. “Eu começo pela composição da letra, junto a uma base simplificada, para passar a ideia de como quero que a música seja elaborada em termos de velocidade, tom e entre outras coisas. Com isso, cada membro da banda trabalha em cima desse esboço colocando um pouco de suas características a fim de criar algo que seja a cara da banda”, explica.

Igor busca inspiração ouvindo músicas de estilos e bandas que não costuma ouvir, normalmente, para criar coisas novas. “A partir disso, crio o instrumental com toda a estrutura e o sentimento que a música vai passar. A letra, com a melodia, vem em seguida conforme vou criando e encaixando as partes. Eu planejo o que os outros integrantes vão fazer, mas deixo cada um criar algo em cima, dentro da proposta da música”, destaca.

Olhando para o futuro

Os rapazes deixam claro que 2018 foi um ano muito rico para a banda. Eles avaliam que os eventos nos quais se apresentaram trouxeram um grande crescimento profissional, reforçaram as experiências em palco e, principalmente, fora dele. “Foi um bom ano, não só em relação a shows, mas em evolução. A banda melhorou muito musicalmente e em questão de sintonia também. Houve ainda um grande desenvolvimento na nossa assinatura e na busca de um som único e diferenciado”, analisa Igor.

Para 2019, os planos são muitos. “Queremos manter esse grande número de apresentações para podermos alcançar um público cada vez maior. Para isso, queremos tocar nos Festivais de Inverno de Itabira e de Santa Maria de Itabira. Também pretendemos fazer shows cidades da região e até na própria capital mineira. Independente daquilo que surgir, vamos trabalhar com muito empenho para crescer cada vez mais e buscar um outro objetivo: gravar um EP com nossas músicas autorais”, conclui Bruno.

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