ENTREVISTA: O som visceral dos cariocas da Nove Zero Nove

O imóvel histórico localizado na rua Major Paulo, na região central de Itabira, em seus 210 anos, poucas vezes experimentou momentos de grande energia e adrenalina como no sábado, 5 de agosto, quando a banda carioca Nove Zero Nove subiu ao palco do Casarão – Coletivo Altamente. O grupo, com um som característico do hardcore, fez o público pular, mochar e cantar de maneira intensa.

Egressos da cena underground do Rio de Janeiro, a Nove Zero Nove trouxe um show visceral que espantou o frio itabirano e já faz parte das grandes apresentações realizadas no Casarão Altamente, que em poucos meses vem contribuindo para o fomento e a diversidade da cena cultural de Itabira.

Antes de pegarem a estrada, os integrantes da Nove Zero Nove bateram um papo com a reportagem do Trem das Gerais. Confira a íntegra dessa entrevista!

Trem das Gerais: Essa é a segunda vez que se apresentam em Itabira. Como foi o show?

NZN: Estivemos na cidade em 2015, quando fomos a Governador Valadares levar a água que arrecadamos em várias ações beneficentes no Rio de Janeiro devido à tragédia de Mariana. O show foi tão bom que, desde então, planejamos esse retorno. Foi bacana reencontrar velhos amigos e fazer novos, levar o som para mais pessoas. Uma boa oportunidade pra quem perdeu o primeiro show conhecer a Nove ao vivo.

O show foi uma verdadeira “sessão de descarrego”, que é como costumamos chamar nossas apresentações (risos). Nossa entrega no palco é total, e fazemos cada show como se fosse o último de nossas vidas.

TG: Vocês gravaram em 2016 o álbum “Blindado”. Como vocês classificam esse trabalho?

NZN: O “Blindado” veio para fechar um ciclo que começou lá em 2009, quando a banda começou a ensaiar e produzir seus próprios shows. O público que nos acompanha desde então estava ansioso e até cobrava esse trabalho. Estamos na estrada com ele há quase um ano e o resultado tem sido incrível. A maior parte dessas músicas nos acompanha desde o início, então estavam bem maduras e prontas para serem eternizadas no álbum, o que refletiu no resultado final.

TG: Anteriormente, em 2013, soltaram o “Nove Zero Nove”. Como classificam esse trabalho?

NZN: Esse EP mostrou ao público o som da Nove e nos abriu muitas portas. Algumas das músicas foram regravadas para o “Blindado”, trazendo as mudanças naturais que o tempo de estrada proporciona. Muitas delas é parte importante do nosso repertório, estão sempre no set list, afinal, foram as canções que nos trouxeram os primeiros seguidores.

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TG: Qual a diferença desses dois registros?

Além da estrutura de gravação, bem superior no “Blindado”, ambos refletem momentos diferentes da banda. O EP expressa a urgência de quem precisa gritar ao mundo o que pensa, e já! O álbum mostra uma Nove mais madura, calejada pela estrada, trazendo versões atualizadas e também canções que não apareceram no EP, como “Ode Química (Pinguim)” e “Uma Noite Dessas”.

TG: Vocês são uma banda originada no underground. Qual a importância dessa cena para o desenvolvimento da cultura e da música?

NZN: Tudo que chega ao mainstream passou antes pelo underground, que funciona meio que como uma “chancela” para o artista. Uma vez que há um destaque na cena alternativa, o mainstream passa a olhar com outros olhos para o trabalho. No underground também não há o compromisso com fórmulas de sucesso, o que permite experimentar, testar conceitos, enfim, se arriscar, o que produz resultados interessantes com frequência.

TG: Como é ser uma banda underground?

NZN: É um estado, quase não há apoio, aprendemos a conquistar o público e casas, é um desafio, mas gostamos. É inexplicável chegar a um lugar centenas de quilômetros de distância de sua cidade natal e encontrar pessoas cantando alto as letras na frente do palco, vestindo a camisa, se interessando pelo que dizemos. E quando se consegue isso sem nenhum apoio, por conta própria, a sensação de vitória é ainda maior.

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TG: Quais os desafios da cena independente?

NZN: Falta de estrutura em algumas casas, a divulgação quando tem é pouco arquitetada, as despesas, que são enormes. Mas, como disse anteriormente, é gratificante ver o trabalho andar mesmo com tantos obstáculos.

TG: O Casarão Altamente, onde se apresentaram, tem aberto espaço para alguns nomes da cena independente itabirana. Qual a importância de espaços como esse para a música e a cultura de uma cidade?

NZN: O trabalho realizado pelo pessoal do Coletivo Altamente é essencial para Itabira, e deve ser tratado com patrimônio da cidade. Não é todo município que conta com uma opção de cultura diversificada e acessível para a população. O jovem precisa disso, de referências, ele precisa experimentar o novo para ampliar sua visão de mundo, para sonhar… Se cada cidade brasileira tivesse um grupo como o Altamente a nossa realidade seria bem diferente. Infelizmente nem todos pensam assim, e quando se fala em crise a primeira área a perder investimento é a cultura, o que mostra bem que tipo de mentalidade reina por aqui…

TG: Quais conselhos dariam para os artistas independentes de Itabira?

NZN: Perseverança, resistência sempre. Não esmorecer. E apoiem a cena da cidade, banda também é público, compareçam aos shows de outros músicos, se conectem, movimentem-se. É uma sorte muito grande contar com um coletivo como o Altamente na cidade, então aproveitem e façam o o movimento crescer, todo mundo ganha.

TG: Vocês trabalham em novos projetos. O público pode esperar novidades de vocês em um futuro próximo?

NZN: Sim, estamos preparando o primeiro clipe do “Blindado” e um novo single deve sair ainda esse ano. As novidades começam nos próximos meses e seguem 2018 adentro, estamos trabalhando muito em material novo, mesmo em turnê com o ” Blindado”.

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A profissão é jornalista. A diversão é um livro. Mas também pode ser um filme ou uma série. O esporte é futebol - desde que acompanhado do sofá da sala. O universo digital exerce grande interesse. Não dispensa uma xícara de café ou um copinho de cerveja.