PORTUGUÊS: Vamos errar menos?

Prezados leitores, esta semana resolvi retornar com as dicas sobre Português, em função de pedidos e de comprovar, por meio de e-mails e textos que recebo diariamente, a dificuldade que as pessoas têm em escrever corretamente. Às vezes por desconhecimento da língua, outras vezes por preguiça em pesquisar e, o que é pior, algumas vezes por achar que estão realmente escrevendo de forma correta.

Então, separei algumas dicas que, se levadas a sério, melhorarão o nível dos textos e frases e deixarão, naqueles que as recebem, a certeza de que seus autores sabem escrever. Vamos a elas:

Acento e assento – por incrível que pareça ainda encontro pessoas empregando essas duas palavras de forma incorreta. Assento, com “ss”, é o banco do carro, é a poltrona do cinema, é a cadeira de casa ou, até mesmo, um lugar (posso pleitear um assento em qualquer Conselho da minha cidade). Já acento, com “c”, é a sílaba forte de uma palavra, o sinal gráfico que a demarca ou mesmo o sotaque. Como podem perceber, “acento” e “assento” são coisas bem diferentes.

Imigrante e emigrante – os termos “imigrante” e “emigrante” têm significados opostos: imigrante é aquele que entra em um país, emigrante é aquele que sai de um país. Teoricamente, a distinção é muito simples. Entretanto, para empregar o termo adequado, é necessário levar em consideração o ponto de referência. Do ponto de vista de quem está no Brasil, imigrante é o estrangeiro que vem estabelecer residência em nosso país. Já o brasileiro que sai para fixar-se em outro país, do nosso ponto de vista, é um emigrante.

Vírgula antes do “e” – eis uma questão interessante. De modo geral, não se usa vírgula antes das conjunções aditivas (“e”, “nem”). A conjunção “e”, além de estabelecer relação de adição entre termos de uma oração ou entre orações, serve para finalizar uma enumeração. Em alguns casos seria cabível, e até mesmo recomendável, o emprego da vírgula para separar orações aditivas de sujeitos diferentes. Isso quer dizer que, sendo os sujeitos diferentes, é cabível o emprego da vírgula antes do “e”. Cabível, mas nem sempre obrigatório.

Havia ou haviam – sempre é bom lembrar que o verbo “haver”, quando empregado no sentido de “existir” ou de “ocorrer”, é impessoal. Isso quer dizer que deve ser conjugado apenas na terceira pessoa do singular, qualquer que seja o tempo (há, houve, havia, houvera, houver, houvesse etc.). O mesmo vale para os auxiliares do verbo “haver” em construções do tipo “deve haver”, “pode haver”, “vai haver”, “há de haver” etc.

Desmistificar e desmitificar – as palavras são formalmente parecidas, mas têm significados diferentes. Desmistificar significa destituir o caráter místico ou misterioso de algo. Também pode significar enganar, assumindo, portanto, o sentido de desmascarar. Desmitificar, por sua vez, vem de “mito” e significa destituir algo ou alguém de seu caráter de mito, de seus aspectos lendários. Nesse sentido, diz-se que alguém “desmitificou um personagem histórico”, por exemplo. O verbo admite ainda, como extensão desse sentido, o significado de banalizar.

Há ou a? – para marcar distanciamento no tempo ou no espaço, usa-se a preposição “a”, não a forma do verbo haver “há”. Esta indica o tempo decorrido, passado, e pode ser substituída pela forma “faz”. Se não se tratar de tempo passado, o correto será usar a preposição “a”. Exemplo: “A dois meses da eleição, o candidato sofreu um acidente” ou “Daqui a dois meses, haverá eleição”.

É comum haver confusão entre “há” e “a” quando o assunto é tempo. No exemplo expresso a seguir, temos um claro caso de distância espacial, em que só cabe usar a preposição: “Só que, nesse dia, por conta de um soluço geológico ocorrido a milhares de quilômetros de distância…” Se se tratasse de um “soluço geológico ocorrido há milhares de anos” (tempo), o correto é empregar o verbo “haver”.

Boa leitura e bom aprendizado. Até a próxima semana!

Fonte de pesquisa: Dicas de Português UOL
Autoria: Thaís Nicoleti

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.