Uma questão de detalhes

Tem um provérbio alemão que diz: “o diabo mora nos detalhes!” Pode até ser… e nem vou entrar neste mérito. Só para constar: fiz referência ao provérbio só pra dizer que acho que deveriam corrigi-lo. O que mora nos detalhes é o futuro das relações humanas.

Homens, vocês não primam pela sutileza e pela capacidade de observação. Isso, além de histórico, é científico. Do mesmo jeito que a mulherada de plantão há de concordar que não primamos pelo senso de direção e deixamos muito a desejar na leitura de mapas. E em 500 mil outras coisas que diferenciam os sexos, em “trocentas” outras categorias passíveis de comparação.

A questão aqui é: mulheres são extremamente detalhistas, inclusive as que dizem que não são. Estão mentindo! TODA mulher é apegada a TODO tipo de detalhe. E aí é que eu afirmo: estamos colocando em risco o futuro das relações humanas.

Exemplo: moça conhece rapaz. Moça repara na cor dos olhos, no formato da boca, no tamanho da mão, na cor do alargador, na espessura do fio da barba, na imperceptível entradinha nos cabelo indicando uma futura calvície, no fio solto na manga da camisa, no zíper meio aberto da calça, percebe que o tênis dele nunca viu água e sabão, já tem uma ideia de qual deve ser o perfume dele e pega uns dois ou três tiques nervosos. Tudo isso em cinco minutos de conversa!!!

Eu também sou assim! Me incluo totalmente nessa lista. Mas meninas, sério, isso não é normal! Vocês tem ideia do quão nocivo esse nosso hábito nos é? Porque é no apego aos detalhes que pré-estabelecemos conceitos. E todo mundo sabe que pré-conceitos só prejudicam boas relações.

Tudo bem, a gente ter esse superpoder feminino de distinguir tom de voz, identificar reações pelos olhares e prever problemas com base em mensagens de whatsapp. Nós somos mais sensíveis a pequenas mudanças mesmo. É da natureza feminina, dado nosso instinto de proteção. Mas usar isso como determinante na hora de construir um relacionamento saudável, acredito, é arriscado.

Já pensaram que, na prática, acabamos virando umas psicopatas? Quanto mais envolvidas com um cara mais a gente lança mão dos detalhes para pressupor coisas. E mais a gente constrói expectativas falsas, baseadas em suposições insanas, embasadas por pequenas reações que não são esperadas.

Uma grande amiga uma vez me disse: “Tati, passei a ser mais feliz nas minhas relações quando parei de criar expectativas e de ver a negatividade das coisas. Se uma pessoa passar por mim na rua e não me cumprimentar, tenho três opções de reação: ficar irada porque a pessoa é mal educada e não falou nem um ‘oi’, ficar louca imaginando que eu posso ter feito algo para deixar aquela pessoa chateada a ponto de nem olhar na minha cara ou pensar ‘ela não me viu’”.

É isso! Sejamos detalhistas com o que precisar, criemos as expectativas baseadas em realidades e simplifiquemos o convívio humano!

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras