Sobre agradecimentos, desafios e sopas no calor

Mais um feriado e eu me perdi nas datas, me esqueci que era dia de coluna.

Anseio tanto por férias que os fins de semana com feriado só aumentam minha certeza disso – e o calor colabora. Tenho me arrastado, confesso. Estou na quarta linha e ainda não sei o tema da coluna de hoje (é, não sei se vai ter tema).

Primeiro eu queria agradecer os elogios que tenho recebido pelos textos aqui do Trem das Gerais. Encontrei com algumas pessoas na rua e recebi mensagens pelo WhatsApp, todas me parabenizando e elogiando minhas modestas palavras aqui. Obrigada mesmo, de coração. Escrevo despretensiosamente do jeito que eu bato papo com meus amigos enquanto tomamos uma cerveja e contamos casos. Fico muito feliz! Aceitei o convite de escrever aqui como um desafio e é bom saber que tenho dado conta do recado. Continuem me dando feedback, elogiando ou fazendo críticas, podem sugerir temas e, se tiverem dúvidas, perguntem que eu vou tentar responder.

Segunda coisa que eu queria contar pra vocês é que eu já estou no 16º dia do “Desafio 21 Dias Sem Carne” e tá bem legal. Obviamente há dias em que dá vontade de comer carne. Domingo foi dia de churrasco e eu assei pão de alho, queijo coalho, cebolas e abacaxi em rodelas. Estava tudo muito gostoso, mas senti falta da barriga de porco pipocando na grelha.

Claro que tem muita coisa positiva nesse desafio. Eu não tenho tido azia nem dor de estômago e como o calor está intenso, tem sido bem melhor não sentir aquele peso no estômago pós-almoço. Estou exercitando minha criatividade em reinventar as refeições e variar para não cair na mesmice. (tem algumas fotos lá no meu Instagram: @kamilanega)

O calor tem aumentado minha sensação de cansaço, o que acaba interferindo no que eu como.

Para não enjoar eu preparo pequenas porções para evitar as sobras e, consequentemente, ter que repetir a mesma salada em refeições seguidas. Guardo tudo em vasilhas herméticas ou tupperwares que conservam melhor os alimentos. Tenho sempre verduras picadas, repolho, tomate e cenoura cozida ou ralada crua, que servem de base para saladas e sopas.

Apesar do calor eu não renego um prato de sopa, caldo ou creme. Gosto muito das opções de sopas frias, não é muito comum por aqui, mas, acreditem, ficam incríveis e são excelentes opções de jantar e até mesmo para um almoço rápido.

Hoje eu vou compartilhar com vocês uma das minhas preferidas que é a sopa de tomates assados e que pode ser servida quente ou fria. Eu prefiro fria com croutons e quenelles (as quenelles têm esse nome pois são modeladas com auxílio de duas colheres e ficam ovaladas, lembrando o formato do bolinho frito de mesmo nome feito de carne ou peixe) de ricota com manjericão.

Quem fizer essa receita em casa depois me conta o que achou, se precisou mudar alguma coisa e se comeu fria ou quente.

Ingredientes:
1kg de tomate andrea
1 cebola grande (eu prefiro a roxa por ser mais adocicada)
2 dentes de alho
2 folhas de louro
3 colheres de sopa de açúcar
Ramos de tomilho, orégano, manjericão e alecrim (ou ervas finas desidratadas), sal e pimenta calabresa a gosto
Azeite extravirgem
Para acompanhar: ricota, croutons ou torradas.

Modo de fazer:
Em uma assadeira coloque os tomates lavados partidos ao meio, distribua a cebola em rodelas, os dentes de alho, os ramos das ervas (se não quiser ter trabalho para tirar depois amarre com um barbante todos os raminhos e as folhas de louro), por cima salpique o açúcar e o sal com a pimenta. Regue com azeite (mais ou menos 1/3 de xícara) e leve ao forno por 30 minutos.

Retire os galhos das ervas e as folhas de louro e transfira para o liquidificador ou para um bowl fundo. Processe tudo com a ajuda de um mixer. Acerte o tempero a seu gosto e pronto!

Na hora de servir amasse a ricota com um fio de azeite e manjericão, faça bolinhas ou quenelles com a ajuda de duas colheres coloque por cima da sopa junto com as torradinhas.

Dica 1:
Escolha tomates bem maduros para que a sopa não fique ácida. Caso necessite, coloque um pouco mais de açúcar ou meia cenoura processada para controlar a acidez.

Dica 2:
Você pode congelar essa sopa por até seis meses.

Dica 3:
Você pode servir a sopa dentro de um pão italiano com fatias crocantes de bacon ou presunto de Parma.

Espero que gostem. Boa semana e até já.

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Kamila Duarte de Jesus ou simplesmente Nêga, como é chamada pela família e pelos amigos, traz a paixão pelas panelas no DNA. Bisneta de Raimundo Cozinheiro - cozinheiro dos ingleses que vieram para Itabira junto com a Companhia Vale do Rio Doce -, aprendeu a cozinhar ainda criança quando usava um mini fogão a lenha para preparar guisados e batatas para suas bonecas. Formou-se em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário Newton Paiva por ouvir de todos que era muito criativa. A paixão pela gastronomia passou de brincadeira de criança a assunto de adulto e já atuando profissionalmente na área se formou em Cozinha Profissional pelo Senac – MG em 2014. Acredita que um bom prato de sopa até cura, que doce é um carinho na alma e que cozinhar é uma maneira de demonstrar amor ao próximo.