Sobre a honestidade nos relacionamentos

Recentemente, uma amiga passou por uma situação complicada. Um “amigo colorido”, há tempos sumido, começou a convidá-la insistentemente para visitá-lo em sua cidade. Ela pensou: “Porque não? O cara mora numa cidade bacana, sozinho, está fazendo vários programas divertidos para aproveitarmos juntos lá…”

Pediu uma ajuda de custo materna, fez as malas e lá foi ela, feliz da vida, achando que iria passar uma semana incrível, em boa companhia, repleta de sexo casual e diversão garantida.

Deu ruim! Até foi divertido! Até foi agradável! Mas não foi o que, claramente, parecia que seria. O cara apagou as cores da amizade deles e escolheu passar a semana só como amigo… mas ela não sabia disso!

Agora alguém me explica: qual é a dificuldade em deixar claro que não queria pegação, apenas uma pessoa legal para tomar um bom vinho, butecar e trocar ideia?

Gente, as pessoas não se ofendem com a honestidade! Elas se impressionam, já que ela tem sido tão rara nas relações humanas!

Outra situação estranha: outra amiga, solteira, bem resolvida, cheia de amor pra dar, recebe uma mensagem no celular de um conhecido. Direto e sincero o cara já lança a proposta: “O que acha de fazer sexo casual comigo? Sem sentimentos, sem envolvimento, só sexo mesmo?”. Ela não pensou duas vezes: “Acho ótimo! Topo!”. O cara sumiu! Nunca mais deu sinal de vida!

Como assim, gente? Eu te convido, você aceita e eu sumo! É assim que funciona agora? Será que esse mocinho não estava preparado para uma resposta positiva e se assustou? Mas se você quer um não, então porque corre o risco do sim?

Fica difícil acompanhar esse raciocínio, já que ele não parece, em nada, lógico!

Mas nem só de exemplos negativos a gente vive, né?!

Uma pessoa com quem me envolvi, certa vez, foi tão honesto que eu quase me apaixonei!

A gente vinha se encontrando e se curtindo há poucos meses quando ele foi o mais sincero que já vi alguém ser: “Tati, adoro ficar com você, mas estou pensando em voltar com minha ex, para uma última tentativa, já que temos uma filha. Não é que não goste de você, mas o bem estar da minha filha vem primeiro. Ainda gosto da ex, e a volta faz sentido.”

Eu me admirei demais! Qualquer outro cara teria tentado levar nós duas na conversa, voltaria com a ex e ainda continuaria saindo comigo, como se nada estivesse acontecendo. Mas ele não! Voltou com a ex e não me procurou enquanto esteve com ela!

A verdade é que nós não deveríamos nos assustar com a honestidade alheia. A gente deveria era se surpreender com a ausência dela. E não só no campo amoroso! Em tudo! Irmãos seriam mais unidos, pais e filhos seriam mais cordiais, colegas de trabalho não falariam mal pelas costas, amizades durariam muitos anos…

Conheço muita gente que se ofende com a sinceridade. Não gosta de ouvir a verdade se ela vai contra o que pensa. Isso porque estamos acostumados a inverter as coisas. E, como honestidade e sinceridade, não entendam grosseria. Mesmo porque dá pra ser honesto, sem ser ríspido! Essa inversão de valores está errada e prejudica os bons relacionamentos humanos.

E para esse pensamento comum mudar, comece por você e suas relações! Converse com seus irmãos, converse com seus amigos, sejam mais sinceros uns com os outros. Se eu mudo minha realidade e você muda a sua, já estaremos num caminho muito mais positivo em prol da convivência saudável!

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras