ESPORTES: Saudosos ídolos

É notória e frustrante a escassez de ídolos no âmbito esportivo pela qual temos passado ultimamente. Não que todo jogador deva ter um amor platônico pela camisa que veste, mas deveria, ao menos, empenhar-se para conquistá-lo. Também discordo de nosso “pachequismo” que os coloca acima do bem e do mal. A famosa conclusão de sempre sermos melhores por uma simples questão de nacionalismo da qual despreza todos os outros princípios que envolvem uma disputa.

Entretanto, gostaria de fazer um contraponto que possa explicar uma pequena parcela dessa carência. A alta competitividade obrigou toda a área esportiva a se desenvolver, se profissionalizar. E esse incessável aprimoramento busca maior preocupação com a média que o singular, isto é, a equipe passa ser o foco, não um indivíduo. Então, podemos dizer que um pouco da carência de ídolos se deve pela necessidade coletiva do esporte na atualidade. Equipe essa que é composta por vários profissionais dedicados que quase nunca recebem o devido valor. Técnicos, preparador físico, departamento de estatística, fisiologistas, fazem muita diferença no resultado final.

Se a falta de ídolos é uma questão mundial, aqui em nosso país a coisa é um pouco pior. O principal motivo agravante é a generalizada falta de organização em que vivemos. Uma quantia absurda de dinheiro é gasta sem critério e sustentada pelo desperdício, o que cria muitas oportunidades para o efêmero. Os que deveriam ser eternos estão se tornando cada vez mais sazonais, isto é, grandes atletas que se destoam da maioria por um curto espaço de tempo. E essa insuficiência não é uma necessidade só minha, e sim do esporte. Ídolos são extremamente importantes não só por expor a marca do time, mas também ajuda a formar a personalidade de uma torcida, valoriza o espetáculo, induz novas gerações, aumenta a receita etc.

A garotada sente, e muito, a falta de ícones. Pretexto este que faz com que indivíduos “brotem” na mídia, mesmo sem marcar com feitos relevantes, merecem admiração e atenção dos jovens. Há uma corrida desenfreada em busca de famosos numa fabricação impostora de talentos; celebridade não é mais o que os dicionários definem: reputação ilustre e estabelecida, notabilidade, renome.

Houve uma distorção dos valores, não sei se por precariedade de informação ou excesso de desinformação. Que prevaleçam, então, a admiração pelos nossos mortos célebres. Que a eles se voltem as nossas lembranças. Glória aos nossos imortais que perante o tempo vão se sucumbindo, ano após ano.

Comentários

Lucas, Cabelo e até Lucão (juro!). Único filho homem em uma família com duas irmãs que, assim como todo brasileiro, também sonhava em ser jogador de futebol. Tão talentoso que do campo foi para o sofá e do sofá para o teclado. Hobbie? Bola. Seja redonda ou oval, grande ou pequena, com ou sem costura; a emoção é sempre a mesma!