Revisão da língua portuguesa: gerúndio e etc.

Prezado leitor, hoje abordaremos dois assuntos que merecem a atenção de qualquer concurseiro: quando usar o gerúndio e aplicação da vírgula antes do etc.

1.Quando se usa e quando não se usa o gerúndio? Trata-se da raiz do verbo acrescida da terminação “ndo”. Exemplos: pegando, dormindo, estudando. Lembrando que o uso excessivo do gerúndio até ganhou um nome: o “gerundismo”. Termo certamente originado das traduções literais quando começou a importação, nos anos 90.

No Brasil até então pouco se importava, a gente não tinha aqui grande quantidade de produtos importados. Então vieram vários e vários produtos importados com os manuais traduzidos, sabe Deus por quem, ao pé da letra.

O gerúndio em inglês foi então traduzido literalmente para o português, apesar de eles cumprirem papéis diferentes.

“O que em inglês é ‘I will be sending’, por exemplo, em português não é ‘Eu vou estar enviando’, é ‘Eu vou enviar’”.

Alguém começou a traduzir isso ao pé da letra e, meu Deus do céu, isso infestou o teleatendimento, virou um inferno, né? O gerúndio usado fora do lugar traz a ideia de uma “coisa que não vai ser resolvida nunca”.

Exemplo do que não se deve dizer: “O senhor vai ter que estar esperando”. Eu não posso só esperar?

Outro exemplo de gerúndio sem necessidade: “O senhor precisa estar pegando uma senha”. O correto é: “O senhor precisa pegar uma senha”.

O gerúndio pode ser empregado em ações contínuas, que têm um curso. Exemplo: “Não me ligue nessa hora, porque eu vou estar dormindo”.

Então nada de condenar o gerúndio por si só, coitado. Gerúndio maldito, você veio ao mundo para ser excomungado, amaldiçoado – nada disso.

O gerúndio é da língua, é perfeito, não há nenhum problema. Desde que ele faça o papel dele.

2. Devemos colocar vírgula antes de ‘etc.’? Primeiro, deve-se lembrar que “etc.” sempre se escreve com ponto, mesmo que apareça no meio do texto. A forma correta é: “Comprei laranja, banana, etc. e depois fui ao cinema”.

Essas três letrinhas – “etc.” – são a redução de uma expressão do latim, “et coetera”, que significa “e outras coisas”.

Então, há duas maneiras de se proceder.

“Há quem leve ao pé da letra a etimologia, ou seja, a origem. Se ‘etc.’ significa ‘et coetera’, ‘e outras coisas’, quem age assim não colocaria vírgula antes de ‘etc.’ na frase ‘Comprei laranja, banana, abacate etc.’, assim como não colocaria vírgula na frase ‘Comprei laranja, banana, abacate e outras coisas’.”

Assim procede, por exemplo, o dicionário Houaiss.

Então a pergunta está respondida? Ainda não.

Como muitas pessoas perderam a noção histórica do sentido da palavra, elas consideram que o “etc.” virou uma palavra, mais um elemento da enumeração.

Assim procede, por exemplo, o texto do formulário ortográfico oficial. O que não quer dizer que seja essa a única forma possível. As duas formas são possíveis.

Alguns órgãos da imprensa colocam vírgula antes de “etc.” e outros não. E ambos acertam. Então tanto faz.

Existe, porém, um caso em que a vírgula é obrigatória: Se você repetir ‘etc., etc., etc.’, aí você passa a ter uma enumeração, como outra qualquer.

“Você age como age quando diz ‘laranja, banana, abacate etc.’. Vai virgular, vai separar um elemento do outro da enumeração.”

Até a próxima semana!

Fonte: dicas do professor Pasquale Cipro Neto.

CLIQUE AQUI E LEIA OUTROS ARTIGOS DA COLUNA “PORTUGUÊS”

Comentários

Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.