PORTUGUÊS: você sabe usar a crase corretamente?

Prezado leitor, essa semana decidimos voltar com um assunto simples e, ao mesmo tempo, complexo e que tende a derrubar muitos candidatos a concursos: a correta utilização da crase.

O significado de crase pode ser explicado por meio de sua origem grega, cujo termo quer dizer “mistura” ou ainda “fusão”. Nas regras gramaticais da nossa língua portuguesa, podemos dizer que crase nada mais é do que a junção de duas vogais iguais.

Neste caso em específico, o que será responsável pelo emprego da crase é a junção da preposição “a” ou ainda com alguma preposição que também se inicie com a letra “a” com o artigo feminino “a”. Então deve-se fazer o uso da crase, colocando o acento grave na letra “à”, caracterizando assim o uso desta.

Mas quando que é necessário usar o acento? Tomemos como exemplo a clássica canção “Você já foi à Bahia?”, de Dorival Caymmi.

“Se você foi, você foi a algum lugar. O verbo ‘ir’ – ‘você foi’, verbo ‘ir’ -, no português tradicional, rege a preposição “a”. Ir a algum lugar”. E que lugar é esse? No exemplo dado, é a Bahia. “Bahia é um substantivo que dá nome a lugar e pede artigo”.

Existem formas simples de perceber isso: “’Eu moro na Bahia’ – o que é ‘na’? Não é ‘em’ mais ‘a’? ‘Eu acabei de chegar da Bahia’. O que é ‘da’? ‘De’ mais ‘a’. É fácil perceber que Bahia pede artigo.”

Neste caso, ocorre a crase – a fusão – entre duas vogais: a preposição “a”, que sucede o verbo ir, se junta com artigo “a”, que antecede o substantivo feminino Bahia, ocorrendo o acento grave.

O resultado é: “Você já foi à Bahia?” – o significa a mesma coisa que “Você já foi para a Bahia?”.

Mas se a pergunta fosse sobre Santa Catarina – “Você já foi a Santa Catarina?” -, não haveria fusão, já que Santa Catarina não pede artigo – diz-se “Eu moro em Santa Catarina” e não “Eu moro na Santa Catarina”.

“Moral da história, esse ‘a’ de ‘Você já foi a Santa Catarina?’ não passa de uma preposição que não se fundiu com nada”. “Esse ‘a’ não receberá acento por uma razão muito simples: não houve fusão.”

Como lembrete, o “à” (com acento grave) tem a mesma pronuncia do “a” sem o acento. “Eu fundo os dois em ‘Você já foi à Bahia’. Então, na hora de pronunciar isso, não desfaça a fusão. Não diga ‘você já foi àààààààà Bahia’”.

Erros comuns

“Sal e pimenta à gosto” (o correto é sem o acento indicador de crase) é um erro bastante comum. “Isso aparece em tudo quanto é receita, quase sempre com erro, né? O ‘a’ com acento. ‘Gosto’ é palavra masculina. Como é que vai haver um artigo feminino antes de palavra masculina?”

Outro erro comum é “Parabéns à você” (novamente, o correto é sem o acento indicador de crase). “Você não pede artigo. ‘Eu gosto de você’, eu não ‘gosto da você’. Não há artigo antes de você”.

Mais um erro recorrente: “Bem-vindo à Brasília” (o correto é sem o acento).

“Coitada da língua!”. “‘Eu moro em Brasília’, não ‘moro na Brasília’. A menos que eu more num automóvel – se for aquela Brasília amarela dos Mamonas (Assassinas), tudo bem”.

Outra expressão que frequentemente aparece errada: “Estou disposto à colaborar” (a forma correta é sem o acento).

“As pessoas adoram colocar acento aí”. “‘Eu gosto de colaborar’, eu não ‘gosto da colaborar’”.

Àquele

Outro caso de crase é quando a proposição “a” se junta ao “a” que é a primeira letra da palavra “aquele”.

Isso ocorre, por exemplo, na frase “Vá àquele mercado”, em que se fala de um mercado específico.

“‘Vá a algum lugar’, que lugar é esse? ‘Aquele mercado’. Então a preposição ‘a’, do verbo ir, e a letra ‘a’ inicial da palavra ‘aquele’ fundem-se e ocorre o acento grave no ‘a’ inicial de ‘aquele’”, explica Pasquale.

“Posso escrever separadamente – ‘Vá a aquele mercado’? Posso. Ninguém faz isso. Mas essa fusão não é obrigatória.”

Palavras subentendidas

A frase “Sua proposta é igual à do concorrente”, tem acento grave indicador de crase porque está subentendida a repetição da palavra “proposta” – “Sua proposta é igual à proposta do concorrente”.

“Se uma coisa é igual, é igual a”. “Já sai um ‘a’ daí. Preposição ‘a’, né?”

Como “proposta” é um substantivo feminino que pede artigo, a preposição “a” se junta com o artigo “a” que o antecede, ocorrendo o acento grave indicador de crase.

“Quer ver como é fácil perceber?”. “Em vez de ‘proposta’, (use) ‘orçamento’, que é palavra masculina. Como é que vai ser? ‘Seu orçamento é igual ao (do concorrente)”.

Fonte: dicas do professor Pasquale Cipro Neto.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.