PORTUGUÊS: Vírgula antes do “e” e mais….

Caros leitores, essa semana a nossa coluna vai fazer uma pequena miscelânea mostrando dicas de português que costumam derrubar os incautos. Como vimos alertando há algum tempo, aqueles que não prestam atenção ou esquecem os “toques” dados pelos professores, certamente são grandes candidatos a errar.

Portanto, amigos leitores, fiquem atentos e não esqueçam de que, em concursos, o diferencial sempre é a prova de português. Vamos às dicas, então!

“Anvisa não foi notificada, e diz que vai recorrer” (a). “O governador Geraldo Alckmin tem uma enorme preocupação com a questão da segurança, e saberá tomar a decisão mais equilibrada” (b). “A SPR, em nota, diz que ‘o contrato com o Corinthians foi celebrado em junho de 2008’, e que na época ‘não teve qualquer concorrência, pois o sistema foi criado pela SPR e pelo Corinthians’” (c).

De modo geral, não se usa vírgula antes das conjunções aditivas (“e”, “nem”). A conjunção “e”, além de estabelecer relação de adição entre termos de uma oração ou entre orações, serve para finalizar uma enumeração. Em qualquer uma dessas situações, não cabe o uso da vírgula antes dela.

Nos três fragmentos acima, como se pode perceber, a vírgula foi incorretamente empregada antes do “e”. Nos exemplos (a) e (b), a vírgula assinalou –indevidamente – a separação de orações.

Note-se que seria cabível e, em alguns casos, recomendável o emprego da vírgula para separar orações aditivas (encabeçadas pelo “e”) de sujeitos diferentes. Isso quer dizer que, sendo os sujeitos diferentes, é cabível o emprego da vírgula antes do “e”. Cabível, mas nem sempre obrigatório.

Veja o seguinte caso: Ela cantava suavemente e o gato dormia no sofá. (sujeitos diferentes sem necessidade de vírgula). Se, no entanto, a construção puder conduzir a uma leitura ambígua, a vírgula será necessária. Veja a estrutura abaixo: Ela trazia as compras e o marido segurava o cachorro.

Num caso como esse, emprega-se a vírgula, para deixar claro que “o marido” é o sujeito de uma segunda oração, não a segunda parte do objeto direto. Assim: Ela trazia as compras, e o marido segurava o cachorro.

Nos casos (a) e (b), a conjunção “e” une orações de sujeito idêntico; não há, portanto, justificativa para o uso da vírgula. No período (c), a conjunção “e” une duas partes de um objeto direto (A SPR diz que… e que…), outra situação em que não cabe a vírgula.

Veja os fragmentos corrigidos: (a) Anvisa não foi notificada e diz que vai recorrer; (b) O governador Geraldo Alckmin tem uma enorme preocupação com a questão da segurança e saberá tomar a decisão mais equilibrada. (c) A SPR, em nota, diz que “o contrato com o Corinthians foi celebrado em junho de 2008” e que na época “não teve qualquer concorrência, pois o sistema foi criado pela SPR e pelo Corinthians”.

Leitores, é igualmente importante que fiquem atentos ao uso do pronome indefinido “outro”. Ele pode aparecer com vários sentidos. É empregado, por exemplo, para fazer referência a algo que esteja fora do âmbito do falante e do ouvinte, contrapondo-se a algo ou a alguém conhecido ou definido (“Em outros tempos, isso não teria acontecido”, “Em outro lugar, isso poderia ser tolerado, mas aqui as regras são rígidas”). Note-se que, nesses casos, o pronome “outro (s)” acompanha um substantivo. Quando mencionamos “outros tempos”, fica implícita a oposição ao tempo atual; quando tratamos de “outro lugar”, está subentendida a oposição ao lugar em que estamos.

Quando não se refere a uma realidade externa ao texto (como nos casos anteriores), o pronome retoma um termo anterior. Podemos, por exemplo, dizer: “Ganhou um presente ontem e quer outro hoje”. Nessa construção, “outro” (agora com valor substantivo) retoma o termo anterior (“presente”).
Veja, agora, o seguinte fragmento: Ao lado de colegas da Europa e de outros países da América do Sul, os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ) e Marina Sant’Anna (PT-GO) participaram de recente missão de paz na Faixa de Gaza.

O redator fez uso do pronome “outros” naturalmente para aludir implicitamente ao Brasil (outros países da América do Sul, que não o Brasil). Ocorre, porém, que a formulação geral da frase leva a um sentido não pretendido. Observe-se que o termo “Europa” tecnicamente impede o uso do pronome “outros”, sob pena de estarmos dizendo que a Europa é um país (!) e, ainda por cima, da América do Sul. Isso acontece porque o pronome “outro” retoma o termo anterior (no caso, “Europa”).

A seguir, uma sugestão para reelaborar o fragmento: Ao lado de colegas da Europa e de vários países da América do Sul, os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ) e Marina Sant’Anna (PT-GO) participaram de recente missão de paz na Faixa de Gaza.

Até a próxima semana.

Abraços!

Fonte: Dicas de Português – Thaís Nicoleti

LEIA OUTROS ARTIGOS DA COLUNA “PORTUGUÊS”

Comentários

Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.