PORTUGUÊS: Sobre os pronomes de tratamento

Prezado leitor, hoje vou para quebrar um pouco a nossa sequência, trazendo à baila um assunto que denota certa complexidade, principalmente se não for devidamente estudado: o emprego de pronome de tratamento.

Chamar a ministra Cármen Lúcia só pelo nome é errado. Sabe que pronome usar? É no mínimo desrespeitoso tratar, sem o devido cargo, uma presidente do Supremo Tribunal Federal. Notam-se diversas frases com: “Cármen Lúcia afirma que..”, “Cármen Lúcia pede que…”.

De acordo com o Manual de Redação da Presidência da República, em uma correspondência oficial a uma presidente do STF, deve ser utilizado o vocativo “Excelentíssima Senhora Presidente”, já que a ministra é chefe do Poder Judiciário.

Vocativo é expressão de chamamento e aparece antes do texto:

  • “Excelentíssima Senhora Presidente do Supremo Tribunal Federal,
    nas últimas semanas, o Senado vem sendo alvo de….”

Durante o texto, caso se dirija diretamente a essa autoridade, o pronome de tratamento é “Vossa Excelência”:

  • “Excelentíssima Senhora Presidente do Supremo Tribunal Federal,
    estamos remetendo a Vossa Excelência o orçamento acerca de…”

No entanto, caso se comente sobre a autoridade (falando sobre ela), “Vossa” dará lugar a “Sua”:

  • “Senhor Deputado X,
    referimo-nos, durante esta semana, ao pronunciamento de Sua Excelência, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal.”

Enfatizo, caro leitor: a norma acima é para correspondências oficiais, sempre cobrada em concursos públicos e a utilizada na Presidência.

Curioso é também notar que – com os pronomes de tratamento “Vossa Excelência”, “Vossa Senhoria”, “Vossa Magnificência”, “Vossa Reverência” – a concordância do verbo ocorrerá com a 3ª pessoa:

  • “Vossa Excelência poderia solicitar…”
  • “Vossa Excelência será…”

Apesar da notória formalidade, por que as manchetes tratam a presidente do Supremo Tribunal Federal apenas como “Cármen Lúcia”? Seria apenas a falta de espaço, já que uma manchete deve ser breve? Fico com a questão do desrespeito mesmo.

Usar “Doutor” a quem concluiu o doutorado; usar “Mestre” a quem concluiu o mestrado; usar “Presidente” a quem – além de ministro – é (ou ao menos “está”) traduz a noção diplomática de um povo.

Fonte: revista Exame – Notícias sobre português

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