PORTUGUÊS: revisão sobre a utilização da língua portuguesa – Parte 6

Prezado leitor, como dito semana passada, vamos continuar revisando a utilização da língua portuguesa ainda por algumas colunas. Isso porque os erros em português, cometidos por candidatos, chegam às raias do absurdo.

Então, sem mais delongas, vamos à nossa revisão.

Eles OBTERAM ou OBTIVERAM?

Já sabemos as vantagens de saber conjugar os verbos primitivos ver, vir, ter e pôr quando temos de conjugar seus derivados. Observemos o verbo TER e seus derivados. Muitas vezes, li e ouvi reportagens em que o entrevistado dizia: “Eles obteram”. Essa forma verbal não existe, pois OBTER se conjuga como TER. Como dizemos “Eles TIVERAM”, devemos dizer: “Eles OBTIVERAM”.

Confira a conjugação do verbo TER e OBTER no pretérito perfeito, do modo indicativo:
Eu tive.  Eu obtive.
Tu tiveste.  Tu obtiveste.
Ele teve.   Ele obteve.
Nós tivemos.  Nós obtivemos.
Vós tivestes.  Vós obtivestes.
Eles tiveram.  Eles obtiveram.

Verbos como manter, conter, reter e outros derivados de TER também seguem esse modelo de conjugação: eles mantiveram, contiveram, retiveram. Na dúvida, sempre volte ao verbo primitivo.

VIR e VER

Quem nunca teve dificuldades com os verbos VER e VIR? Isso acontece porque esses verbos têm flexões muito parecidas em duas situações. A primeira é no modo indicativo, na primeira pessoa do plural. Confira as frases:
“VIMOS os meninos no parque” e “VIMOS informar-lhe que a reunião foi adiada.”

As duas formas verbais são VIMOS. Mas qual é a do verbo VER e qual é a do verbo VIR? Só dá para saber pelo contexto. Vamos analisar: Em “VIMOS os meninos no parque”, refere-se ao ato de enxergar – verbo VER. Já em “VIMOS informar-lhe…”, o sentido é de movimento, de locomoção, de dirigir-se até alguém. Logo, verbo VIR.

A outra situação é a flexão no futuro do subjuntivo: – Verbo VIR: “Quando eu VIER ao Rio novamente, passarei em sua casa”; – Verbo VER: “Quando eu VIR o Paulo, falarei que você mandou lembranças”.

Muitos estranham a forma QUANDO EU VIR, mas ela é corretíssima, é a única maneira correta de flexionar a primeira pessoa do singular do verbo VER no futuro do subjuntivo. Nada de falar “quando eu ver” – isso está errado e não existe.

E atenção, os verbos derivados de VIR e VER também seguem a mesma conjugação: quando ele PREVIR, REVIR, ANTEVIR; quando ele INTERVIER, PROVIER, CONVIER.

MAIS BEM ou MELHOR

Quando usar MAIS BEM ou MELHOR? Você sabe qual a MELHOR opção? Observe o seguinte exemplo: “A renda deveria ser MAIS BEM distribuída no país.” Ou deveríamos ter dito “MELHOR distribuída”? Vamos para a explicação:

Claramente aqui temos um comparativo, certo? Então, se diante do comparativo tivermos um particípio, ou seja, aquela forma verbal terminada em  -ado ou -ido, podemos substituir os comparativos “melhor” e “pior” pelas formas “mais bem” e “mais mal”.

 Por exemplo: “Aquele aluno foi MAIS BEM orientado do que os outros alunos da sala.” “Aquele cão foi MAIS MAL alimentado que os irmãos, por isso ficou menor que os outros.”

 É importante saber que não está errado dizer “MELHOR orientado” e “PIOR alimentado”.

 Caso o particípio seja irregular (feito, escrito, pago…), devemos usar  MAIS BEM e MAIS MAL: “Trata-se da proposta MAIS BEM feita”; “Foi o texto MAIS BEM escrito”;
“É o profissional MAIS MAL pago da empresa”.

 Se não houver um particípio na frase, MELHOR e PIOR devem ser usados. Exemplo:
“Aquele aluno é MELHOR do que os outros.” “Aquele aluno é o PIOR da turma.”

 Assim sendo, devemos usar:

  • “Isso é para MELHOR atender os nossos clientes”;
  • “Nossos clientes são MELHOR ou MAIS BEM atendidos”;
  • “Eles se prepararam MELHOR neste ano”;
  • “Eles estão MELHOR ou MAIS BEM preparados”.

Fonte: dicas do professor Sérgio Nogueira

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