PORTUGUÊS: Preste atenção, estude e tire as pegadinhas de letra

Prezados leitores, tudo bem com vocês? Como passaram a semana, estudando Português? Ou se entregando às delícias da vida mundana?

Dei uma ampla “olhada” em todos os jornais que caíram às minhas mãos. Em alguns deles observei chamamentos para concursos. Uns aparentemente de bom quilate. Outros nem tanto. Mas, em todos, a estrita observância às regras da boa redação. Valendo pontos preciosos em desempates, por exemplo.

Por isso, meus caros, conhecer a língua portuguesa torna-se um diferencial em favor daqueles que, realmente, estão empenhados em prestar concursos e ser bem sucedidos.

Então, segue mais uma leva de importantes pegadinhas. Fiquem atentos:

O homem polue os rios, os mares e as florestas – verbos cujo infinitivo termina em UIR possuem as formas UI ou OI: evolui, atribui, constrói, destrói. Já, os que têm o infinitivo em UAR, fazem UE:  continue, atenue, jejue, recue. Este tipo de questão é muito comum em provas de concurso. A frase inicial, depois de corrigida, fica assim: O homem polui os rios, os mares e as florestas. 

Haja visto os insistentes apelos do povo, o rei fez a concessão tão esperada – há erro de grafia na frase. O certo é haja vista. Ambas as palavras da expressão terminam com a letra a. A frase acima, depois da correção, fica assim: Haja vista os insistentes apelos do povo, o rei fez a concessão tão esperada.

Espero que vocês viagem com conforto e segurança – viagem, com g, é substantivo: tenham uma boa viagem. A viagem durou seis horas. Viajem, com j, é verbo: o juiz não quer que vocês viajem desacompanhadas de um responsável. Mesmo que eles viajem amanhã, ainda chegarão dentro do prazo. Então a frase inicial, depois de corrigida, fica assim: Espero que vocês viajem com conforto e segurança.

Temo que o barril de pólvora exploda a qualquer momento – o verbo explodir somente é conjugado em algumas pessoas. Precisamente, naquelas em que a letra d é sucedida por e ou i. Assim: A bomba explode (correto). O carro explodiu (correto). Quero que ela expluda (errado). Quero que ela exploda (errado). A frase inicial, depois de corrigida, fica assim: Temo que o barril de pólvora venha a explodir a qualquer momento.

Quando soubemos da notícia, ficamos todos fora de si – Si é pronome das terceiras pessoas (do singular e do  plural). O pronome próprio da primeira pessoa do plural é nós. Apesar de pouco usual, a frase inicial, depois de corrigida, fica assim: Quando soubemos da notícia, ficamos todos fora de nós.

Ontem, fizeram três anos que nos conhecemos – o verbo fazer, na indicação de tempo, é impessoal. Portanto, a frase inicial, depois de corrigida, fica assim: Ontem, fez três anos que nos conhecemos. 

Hoje, aquele menino é um homão – quem diz homão, em lugar de homenzarrão, também deve dizer murão, arvão, pão, casão em lugar, respectivamente, de muro, árvore, pé, casa. Os aumentativos desses substantivos são, na ordem apresentada acima, muralha, arvorezão, pezão, casarão. Se preferir, pode-se também dizer:  homem grande, muro grande, árvore grande, pé grande, casa grande. A frase inicial, depois de corrigida, fica assim: Hoje, aquele menino é um homenzarrão.  ou, se preferir: Hoje, aquele menino é um homem grande.

Encontrei o livreto no porta-luva – a grafia porta-luva é errada. Construções desse tipo fazem-se com o verbo mais um substantivo no plural, sempre que seja possível a ocorrência, no plural, desses substantivos. Veja outros exemplos: porta-aviões, porta-cabos, porta-cigarros, porta-guardanapos, porta-revistas, porta-seios. A frase inicial, depois de corrigida, fica assim: Encontrei o livreto no porta-luvas.

O ônibus passa na porta de minha empresa – passar na porta é passar sobre a porta. Isso, de alguma forma, seria um despropósito, se pudesse ocorrer habitualmente. Exceto os casos acidentais, normalmente, diz-se que os veículos passam à porta, ao portão etc. Escreveremos a frase original da seguinte maneira: O ônibus passa à porta de minha empresa.

O jogador virou a cabeça para o outro lado – essa frase é de um famoso locutor esportivo de TV. Seria impossível para alguém conseguir virar a cabeça para o mesmo lado. Partindo dessa óbvia constatação, melhor seria virar a cabeça para a esquerda ou para a direita. Escreveremos a frase original da seguinte maneira: O jogador virou a cabeça para o lado direito.

O jogo transcorreu debaixo de chuva – essa pérola, como a anterior, é do mesmo autor, um  insigne locutor esportivo de TV. Esse destaque do célebre comunicador nos remete a um quadro um tanto bizarro: assistir a uma partida de futebol, em que os times joguem em cima de chuva. Sejamos menos extravagantes, dizendo apenas na chuva. Por acaso, o leitor já assistiu ao filme “Dançando na chuva”, “Cantando na chuva”. A frase inicial, depois da correção, fica assim: O jogo transcorreu na chuva. 

Senha cadastrada com sucesso! – essa frase não contém nenhum erro de português. Trouxemo-la para dar ao leitor uma ideia de excesso textual, que não deixa de ser, em nível mais brando, a utilização do recurso “enchimento de linguiça”, acrescido de certa dose de incoerência. Por acaso, o leitor já ouviu falar em alguma senha que tivesse sido cadastrada “sem sucesso”? Cremos que isso não tenha acontecido, pois se foi cadastrada, já se conseguiu o que queria. Tudo que vier depois disso é excesso e, como toda extravagância na escrita, só serve para cansar o leitor e empobrecer o texto. Fato que deve ser levado em conta quando se faz uma redação. Então, escreve-se corretamente: Senha cadastrada.

Por hoje é só. Até a próxima semana!

Fonte de pesquisa: Portal Tudo Sobre Concursos.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.