PORTUGUÊS: Pequenos “toques” em português

Caros leitores, essa semana daremos alguns “pequenos toques” em português. Eles, se não forem observados, poderão levar candidatos e alunos à derrocada em concursos e provas.

São pequenas dicas que acontecem a qualquer momento. Vamos a elas!

“Um dos que” pede verbo no plural: a empresa que ganhou a licitação da obra do barracão de Lourdes, a Solução, e uma das que perdeu a disputa, a Florecon, têm a mesma engenheira em seus quadros.

O redator quis dizer que a empresa Florecon foi uma das que perderam a disputa, não a única. A construção “um dos que” é sempre um convite à confusão – as pessoas hesitam entre fazer o verbo concordar com “um” (ou “uma”) e fazê-lo concordar com o pronome “os” (ou “as”) que está contraído com a preposição “de”.

Note que, se a preposição fosse “entre”, a chance de acerto seria maior (ele é um entre os que estiveram lá), o que talvez se explique pelo fato de o pronome “os” não estar contraído com a preposição.

De qualquer forma, contraído ou não, esse pronome demonstrativo (“os” nessa construção equivale a “aqueles”) é o antecedente do pronome relativo “que”, portanto é com ele que se faz a concordância verbal.

Ninguém diria “as que perdeu a disputa foram…”, portanto também não se deve dizer “uma das que perdeu a disputa”. Vejam a seguir o fragmento corrigido: A empresa que ganhou a licitação da obra do barracão de Lourdes, a Solução, e uma das que perderam a disputa, a Florecon, têm a mesma engenheira em seus quadros.

Ambiguidade é defeito de construção: “Nicole Richie colocou silicone no cirurgião de Kate Hudson”. Esse é um daqueles títulos que merecem lugar de honra na galeria das célebres frases ambíguas. Ao pé da letra, como se diz por aí, o cirurgião de Kate Hudson foi quem recebeu o implante de silicone, colocado por Nicole Richie.

É claro que o leitor dispensa a interpretação absurda, mas não deixa de percebê-la. Sua atenção é, naturalmente, desviada do foco da notícia.

Cabe perguntar o que, linguisticamente, leva a essa duplicidade de sentidos na frase. Na linguagem popular, quando dizemos que “fulana colocou silicone”, queremos dizer que ela recebeu implantes de silicone no corpo – quem os colocou não foi ela, mas, por óbvio, o cirurgião. Ora, se fosse apenas “Nicole Richie colocou silicone”, a frase possivelmente não despertaria a atenção, mas a segunda parte (“no cirurgião de Kate Hudson”) é que tira da rota o sentido pretendido.

O que se pretendia dizer era o seguinte: Cirurgião de Kate Hudson colocou silicone em Nicole Richie. Pode, entretanto, o redator entender que a ênfase da notícia sofreria alteração com essa mudança, já que passaria a recair sobre o cirurgião, não sobre Nicole Richie. Nesse caso, resta dar tratos à bola para encontrar a formulação ideal – sem ferir o princípio da clareza!

Outras sugestões: Nicole Richie teve silicone implantado por cirurgião de Kate Hudson e Silicone de Nicole Richie foi posto por cirurgião de Kate Hudson.

Até a próxima semana.

Abraços!

Fonte: Dicas de Português – Thaís Nicoleti

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.