Português para Concursos: dicas que valem ouro

Olá, caros leitores, tudo bem com vocês? Para essa semana separei algumas dicas de português que, tenho certeza, serão úteis para todos que prestam ou prestarão concursos ou provas. Mesmo que algumas delas se repitam, passem adiante. Se vocês já dominam essa parte, outras pessoas ainda não o fazem e ficarão agradecidas.

Então, vamos às dicas!

Qual é a forma correta de se dizer: “é bastante difícil” ou “é muito difícil”?

Ao pé da letra, “bastante” significa “que basta” (ou seja, “suficiente”), mas é perfeitamente possível o emprego dessa palavra como sinônimo de “muito”, o que é legitimado por todos os dicionários. São corretas, pois, as duas formas (“bastante difícil” e “muito difícil”).

Conotação e denotação?

Fala-se de “conotação” quando se emprega uma palavra fora do seu sentido literal (“A palavra ‘flor’ tem conotação de delicadeza”; “Aquela moça é uma flor”). Já a denotação se refere ao sentido literal, sem figuração (“Comprei flores para ela”).

Uso de “mau” e “mal”

“Mau” é antônimo de “bom”; “mal” é antônimo de “bem”. Basta fazer a troca para que se perceba se cabe “mal” ou “mau” na frase. Vamos a alguns exemplos: “Fulano joga mal” (bem); “Como podem eleger um homem tão mau?” (bom); “Mal (nem bem) saí, começou a chover”; “O mal (bem) que me fizeste é incurável”.

Uso do “g” e do “j”

Não existe regra para diferenciar o uso, mas alguns procedimentos podem evitar certos erros. Vamos a alguns deles: 1) palavras que terminam em “gem” são grafadas com “g”, com raras exceções (“lambujem” e “pajem”, por exemplo); 2) todas as flexões dos verbos terminados em “jar” são grafadas com “j” (viajem”, “encorajem” e “enferrujem”, por exemplo); 3) as flexões dos verbos terminados em “gir” merecem cuidado: na primeira pessoa do singular do presente do indicativo e em todo o presente do subjuntivo, ocorre (por motivos óbvios) a letra “j” (“fujo, fuja, fujam”), mas nas demais flexões ocorre (também por motivos óbvios) “g” (“foge, fugimos, fogem, fugi, fugiram, fugisse”).

 Online ou on-line?

O “VOLP” (“Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”) registra “on-line”, com hífen.

Um monte de vez ou um monte de vezes?

O elemento formador de um coletivo costuma ser empregado no plural, quando se trata de um ser contável. Diz-se, pois, uma “dúzia de laranjas”, “um bando de malfeitores”, “um enxame de gafanhotos” (mas “um bando de gente”, já que “gente” não é contável). No caso em questão, diz-se, portanto, “um monte de vezes”.

Uso correto do gerúndio

O que se convencionou chamar de “gerundismo” é o emprego de construções como “vou (ou ‘vai’, ‘vamos’, ‘vão’, ‘preciso’, ‘devo’ etc.) + estar + gerúndio” em casos em que não se expressam processos duradouros ou simultâneos. Quando o/a atendente de uma loja diz ao cliente que ele “deve estar pegando uma senha”, ocorre o tal gerundismo (pegar uma senha é algo imediato, instantâneo; se o cliente levasse ao pé da letra a informação do/da funcionário/a, ficaria a vida inteira pegando senhas, cujo rolo deveria ter no mínimo o tamanho do globo terrestre). No entanto, quando se diz algo como “Não me ligue nesse horário porque estarei dormindo”, emprega-se de forma mais do que legítima a construção “verbo ‘estar’ + gerúndio”. Como se sabe, o processo de “dormir” tem certa duração; leve-se em conta também o fato de que o suposto (e indesejado) telefonema seria simultâneo ao processo de dormir. Essa simultaneidade se vê também nesta mais do que legítima construção: “Quando você estiver chegando a Curitiba, eu estarei discutindo o caso com o seu médico”. Como se vê, o problema não está na construção “vou (ou ‘devo’ etc.) + estar + gerúndio”, mas em certos empregos que se fazem dela.

Grafia de substantivos compostos e adjetivos compostos

A reforma ortográfica não alterou a grafia de substantivos e adjetivos compostos como “segunda-feira”, “peixe-boi”, “cavalo-marinho”, “verde-claro”, “azul-escuro”, “ítalo-brasileiro” etc. Conclui-se, pois, que quando nomeia um documento (reivindicatório, de protesto etc.) que contém várias assinaturas, o substantivo composto “abaixo-assinado” se grafa com hífen.

É isso aí. Até a próxima semana. Abraços!

Fonte: Dicas de português / professor Pasquale.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.