PORTUGUÊS: os novos hábitos para melhorar seu português em 2020 – Parte II

Prezado leitor, dando continuidade ao assunto iniciado na semana passada, nesta coluna mostraremos dois exemplos que sempre “derrubam” candidatos desavisados ou desatentos ao emprego correto da língua portuguesa: o uso do verbo atender e o plural correto de benção. Vamos a elas!

Como usar o verbo “atender”? – muitos brasileiros dedicam-se ao universo dos concursos públicos. Língua Portuguesa é de extrema importância: na compreensão textual, na redação, nas questões gramaticais. Uma questão sempre presente: como estudar o verbo “atender”?

Na visão do eminente gramático Napoleão Mendes de Almeida, constrói-se, indiferentemente, com acusativo ou dativo, ou seja, complemento com preposição ou não:

“O senhor não atendeu ao pedido.”

ou

“O senhor não atendeu o pedido.”

ou

“O senhor não atendeu a oração.”

ou ainda

“O senhor não atendeu à oração.”

Então, deduz você que o citado verbo tem a regência meramente facultativa. Certo? Depende! Hoje em dia, as bancas examinadoras de respeito seguem os preceitos de Celso Pedro Luft, no Dicionário Prático de Regência Verbal. A visão de Luft, além de lógica, atende à proposta de um concurso público: selecionar. Vejamos?

Se o complemento for um pronome pessoal referente a PESSOA, só se empregam as formas objetivas diretas:

“O diretor atendeu os interessados.”

Logo,

“O diretor atendeu-os.”

Dedutivamente, se o complemento não for pessoa, atendendo à sintaxe clássica, há a presença da preposição:

“O prefeito atendeu ao nosso requerimento.”

e

“O prefeito atendeu às necessidades da cidade.”

Tradicionalmente, então, o sujeito atende ao telefone para atender o cliente (diferenciando-se a pessoa do objeto qualquer). Como disse, a visão de Luft, normalmente adotada pelos examinadores, segue uma interessante linha de raciocínio capaz de promover a seleção dos candidatos.

“Benções” ou “bênçãos”: qual a forma certa de usar o termo? – a palavra oxítona “benções” – tonicidade presente na última sílaba – provém de “benção”, com uso formal menos comum no Brasil, mas usada correntemente em Portugal, de acordo com o importante dicionário Houaiss.

Com outras palavras, reproduz assim o Aurélio: “benção, oxítono, seria a boa forma, mas hoje é só usada pelo povo. Houve recuo da acentuação tônica.” No Brasil, de acordo com a língua-padrão, há a preferência por “bênção” e seu correspondente plural “bênçãos”.

Fica a dica

Uma dica aqui: tenha muito cuidado com a tonicidade de uma palavra; procure observar a presença e a ausência do acento gráfico (agudo, circunflexo ou grave).

História do termo

Sobre a etimologia, vem do latim “benedictione” e por meio de várias formas arcaicas e antigas. Remete ao “benedictio”, ao bendito, ao bendizer, ao oposto de maldizer, ao louvor. Deu origem a dois nomes próprios conhecidíssimos em nossa Língua: Benedito, Bento.

O beneditino, aliás, é o paciente, o meticuloso, o que se devota incansavelmente a um trabalho meticuloso.

Na boca do povo

No linguajar popular, existe uma jocosa expressão: “tomar a bênção a cachorro”, que significa estar em situação difícil e humilhante; estar em maus lençóis.

Por fim, lembre-se: existe tanto “benções” quanto “bênçãos”, mas a formalidade hoje, no Brasil, opta pela paroxítona (tonicidade presente na penúltima sílaba).

Fonte de pesquisa: professor Diogo Arrais / Exame.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.