PORTUGUÊS: Olha nós aqui, outra vez, falando de redação

Oi! Tudo bem? A coluna dessa semana está um pouco carregada, pesada mesmo. Mas acho necessário dar uns toques mais contundentes, se quisermos ter sucesso. Quando nos deparamos com redações escritas por candidatos a concursos, percebemos que os erros se repetem em todos os textos de forma preocupante, por mais diferente que seja a formação ou o conhecimento das pessoas que os escreveram.

Na tentativa de auxiliar as pessoas que estão se preparando para entrar numa universidade ou assumir um cargo na carreira pública, segue um arrazoado de motivos e dicas para que todos possam eliminar erros que certamente estão presentes em suas dissertações.

Então, vamos a eles!

Orações com sentido de tempo em início de frase pedem vírgula logo após sua ocorrência – ao analisarmos uma mensagem é importante observar o contexto […]. A expressão “ao analisarmos” é equivalente a “quando analisamos”, na qual o sentido de tempo fica mais claro. Para corrigir basta inserir a vírgula após a oração adverbial de tempo. Ao analisarmos uma mensagem, é importante observar o contexto […]

O verbo ter, no sentido de existir, é coloquial, ou seja, próprio da língua falada, mas proibido na língua escrita – Portanto, essa função não será exclusiva, mas terá uma predominante. Corrigindo: Substituir pelos verbos haver ou existir. Portanto, essa função não será exclusiva, mas haverá/existirá uma predominante.

O uso da conjunção aditiva “e”, em início de frase, é coloquial – E por fim, há a questão do aquecimento global. Como corrigir: Eliminar a conjunção inicial. Por fim, há a questão do aquecimento global.

“Onde” deve ser usado apenas para referenciar local físico, espacial, e não como pronome relativo para todos os casos – Além disso, existe a função metalinguística, onde as palavras são utilizadas para explicar elementos da própria língua. Corrigindo: Substituir por outro pronome relativo, como no(a) qual ou em que, respeitando a concordância necessária. Além disso, existe a função metalinguística, na qual/em que as palavras são utilizadas para explicar elementos da própria língua.

O Verbo “acarretar” é transitivo direto – Toda essa situação acarreta em problemas para a sociedade. Como corrigir: O verbo deve unir-se a seu complemento sem o auxílio de preposição. Toda essa situação acarreta problemas para a sociedade.

Uso de termos entre aspas para lhes acrescentar significados ou modificá-los – [Falando das funções da linguagem] – “A que se destaca é a que traduz a intencionalidade de sua comunicação e essa recebe a “assistência” das demais funções”. Como corrigir: Um avaliador olha para este uso e pensa: “o candidato não sabia que palavra usar e, por isso, colocou outra entre aspas para tentar dar o sentido que queria. Isso é falta de vocabulário”. Se realmente não souber que palavra usar, apenas elimine as aspas. [Falando das funções da linguagem] – “A que se destaca é a que traduz a intencionalidade de sua comunicação e essa recebe a assistência das demais funções”.

Erro no uso de pronomes demonstrativos `este`, `esta` e `isto` ou `esse`, `essa`, `isso` como elementos coesivos – A fome do Brasil é um fenômeno que tem se alastrado nos últimos anos. Este problema tão sério é prioridade para o governo federal. Como corrigir: Quando o referente já foi citado anteriormente no texto, use sempre “Esse, Essa, Isso”. Se, caso contrário, o referente será citado a seguir, use “Este, Esta, Isto”.

IMPORTANTE: Dificilmente você deverá usar o segundo caso. O erro ocorre, geralmente, pelo uso do “T” em lugar do “S”. A fome do Brasil é um fenômeno que tem se alastrado nos últimos anos. Esse problema tão sério é prioridade para o governo federal.

Presença de frases fragmentadas, soltas, principalmente pela falta de elementos coesivos – Ela se serve dos verbos no modo imperativo, em grande frequência, para causar reflexão no receptor da mensagem. Bastante utilizada no meio publicitário. Em “logo você saberá a verdade, Maurício”, há exemplo de seu uso. Como corrigir: A frase em destaque caiu de paraquedas no texto, sem nada que a interligue ao que veio antes ou depois. Esse tipo de erro tira muita nota do candidato no quesito coesão textual. Para resolver, basta utilizar um operador argumentativo adequado ou transformar o período em oração subordinada.

Usando o operador argumentativo:

Ela se serve dos verbos no modo imperativo, em grande frequência, para causar reflexão no receptor da mensagem. Além disso, é bastante utilizada no meio publicitário. Em “logo você saberá a verdade, Maurício”, há exemplo de seu uso.

Baixe uma lista de operadores argumentativos, com exemplos práticos de uso. (PDF). Transformando em oração subordinada: Ela se serve dos verbos no modo imperativo, em grande frequência, para causar reflexão no receptor da mensagem, sendo bastante utilizada no meio publicitário. Em “logo você saberá a verdade, Maurício”, há exemplo de seu uso.

Separação de termos essenciais da oração por vírgula (sujeito e predicado ou verbo e complementos) – Construir um padrão de linguagem que não esteja ligado a manifestações elitistas, significa admitir que as funções exercidas pelo mesmo vão muito além daquelas massificadas pelos meios de comunicação.

Como corrigir: o trecho destacado é um período composto que desempenha o papel de sujeito em um período composto maior ainda, que é a frase inteira do exemplo. O uso da vírgula para separar sujeito e predicado, portanto, é incorreto. Corrigindo: Construir um padrão de linguagem que não esteja ligado a manifestações elitistas significa admitir que as funções exercidas pelo mesmo vão muito além daquelas massificadas pelos meios de comunicação.

O uso da conjunção adversativa “mas” em início de frase é coloquial – Os meios de comunicação, hoje, têm a capacidade de controlar tudo que um indivíduo consome em nível de informação ou entretenimento. Mas aqueles que desejam escapar da massificação ainda possuem opções. Como corrigir: Em início de frases, use as outras conjunções adversativas – porém, no entanto, entretanto, contudo, todavia. Os meios de comunicação, hoje, têm a capacidade de controlar tudo que um indivíduo consome em nível de informação ou entretenimento. Contudo, aqueles que desejam escapar da massificação ainda possuem opções.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.