PORTUGUÊS: Não erre mais no uso do pronome “lhe”

Prezado leitor, como foi seu fim de semana, tudo certo? Pois bem, a coluna dessa semana tratará de um dos erros mais comuns em português: o uso correto do pronome “lhe”. Este é, de fato, um dos pronomes que as pessoas mais erram na língua portuguesa. Portanto, fique atento e não erre mais!

Como foi dito, hoje veremos visões mais profundas sobre o uso de “lhe”, uma vez que nem sempre esse pronome oblíquo átono desempenha a função de objeto indireto. É possível que tenha a função de adjunto adnominal, com a ideia de posse.

A sentença “Não lhe apararei as costeletas por dinheiro algum”, pode ser assim vista: “Não apararei as costeletas dele (de você) por dinheiro algum.”

Antes da próxima possível função sintática de LHE, lembremo-nos de que as ideias locativas assumem o papel de adjunto adverbial de lugar. Exemplos simples:

  • “Assistimos ao jogo no estádio”.
  • “Ponho a comida no prato”.
  • “Nossas melhores memórias foram no sítio”.

Na obra Sintaxe, de Claudio Henriques, vê-se o LHE na função de adjunto adverbial de lugar: “Sozinho, pego o prato, ponho-lhe comida e janto sossegado.”

Em outras palavras: “Sozinho, pego o prato, ponho comida (nele) e janto sossegado.”

Agora, vamos a uma outra função sintática a ser assumida por LHE: a de complemento nominal.

Como se sabe, auxiliado por uma preposição, o complemento nominal completa a ideia de substantivos, adjetivos, advérbios. Vejamos, por exemplo, um adjetivo a ser complementado: “Um dia, todo o trabalho será útil a vocês.”

A expressão “a vocês” é complemento nominal de “útil”. Usando ideia semelhante à de Henriques, vemos o “lhes” em função de complemento nominal: “Um dia, isto lhes será útil.”

Mais reflexões sobre o uso do “lhe”

Por que usamos a forma “encontramo-nos”, sem o s, e “enviamos-lhes” com o s no verbo? É uma questão de eufonia, caro leitor. Não se usa o “s” final da 1ª pessoa do plural dos verbos, quando seguida do pronome “nos”: encontramo-nos, preparemo-nos, vestimo-nos.

No entanto, seguida de “lhe” ou “lhes”, a forma verbal mantém o “s”: enviamos-hes, perdoamos-lhes, agradecemos-lhes.

Lembrete: o uso de “lhe” não é aleatório.

Como, então, usamos o lhe?

Pronome pessoal oblíquo, “lhe” funciona como objeto indireto (complemento de verbo ligado por preposição). É equivalente a “a ele”, “a ela”, “a você”, “ao senhor”:

  • “Obedecemos aos nossos pais”.
  • “Obedecemos-lhes”.
  • “Obedecemos a eles”.

Por que é correto “obedecemos aos nossos pais”, mas não “obedecemos os nossos pais”? No estudo da Gramática Normativa, existem critérios de Regência. Há verbos que exigem a preposição “A” (como no caso de obedecer); há verbos que não exigem preposição (como no caso de respeitar).

Assim sendo, vejamos um uso inadequado, incorreto, de “lhe”:

  • “Respeitamos os nossos pais”.
  • “Respeitamos-lhes”.

Ratifico: lhe(s) não substitui objetos diretos (complementos verbais destituídos de preposição).

É verdade que posso usar “lhe” em lugar de pronomes possessivos “seu”, “sua”? É verdade sim. Como afirmam diversos estudiosos, é um recurso de estilo. Vejamos algumas situações em que isso ocorre:

  • “O vento despenteou a sua cabeleira”.
  • “O vento despenteou-lhe a cabeleira”.
  • “O barulho irrita a sua audição”.
  • “O barulho irrita-lhe a audição”.

Além de tudo isso, em estudos mais aprofundados, é possível ver que o pronome “lhe” pode exercer a função de adjunto adverbial (com o valor de a nele, a nela), ou até mesmo a função de complemento nominal (a ti).

Até a próxima semana!

Fonte: Dicas do professor de Língua Portuguesa Diogo Arrais

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.