PORTUGUÊS: Mais um capítulo sobre Estilística

Prezados, o tema Estilística é longo. Ele é composto por diversos capítulos importantes. Portanto, como disse semana passada, vale a pena você tirar um pouco do seu tempo e estudar.

Essa semana vamos ver um pouco mais sobre as Figuras de Pensamento, que muitos alunos desprezam na hora de estudar e acabam se dando mal. Vamos a elas!

Ironia

Consiste em dizer o contrário do que se pretende ou em satirizar, questionar certo tipo de pensamento com a intenção de ridicularizá-lo, ou ainda em ressaltar algum aspecto passível de crítica. A ironia deve ser muito bem construída para que cumpra a sua finalidade; mal construída, pode passar uma ideia exatamente oposta à desejada pelo emissor.

Veja os seguintes exemplos:

  • Como você foi bem na última prova, não tirou nem a nota mínima!
  • Parece um anjinho aquele menino, briga com todos que estão por perto.

Hipérbole

É a expressão intencionalmente exagerada com o intuito de realçar uma ideia. Exemplos:

  • Faria isso milhões de vezes se fosse preciso.
  • “Rios te correrão dos olhos, se chorares” (Olavo Bilac).

Prosopopeia ou Personificação

Consiste em atribuir ações ou qualidades de seres animados a seres inanimados, ou características humanas a seres não humanos. Observe os exemplos:

  • As pedras andam vagarosamente.
  • O livro é um mudo que fala, um surdo que ouve, um cego que guia.
  • A floresta gesticulava nervosamente diante da serra.
  • O vento fazia promessas suaves a quem o escutasse.
  • Chora, violão.

Apóstrofe

Consiste na “invocação” de alguém ou de alguma coisa personificada, de acordo com o objetivo do discurso que pode ser poético, sagrado ou profano. Caracteriza-se pelo chamamento do receptor da mensagem, seja ele imaginário ou não. A introdução da apóstrofe interrompe a linha de pensamento do discurso, destacando-se assim a entidade a que se dirige e a ideia que se pretende pôr em evidência com tal invocação.  Realiza-se por meio do vocativo. Exemplos:

  • Moça, que fazes aí parada?
  • “Pai Nosso, que estais no céu…”
  • “Liberdade, Liberdade,

         Abre as asas sobre nós,

         Das lutas, na tempestade,

         Dá que ouçamos tua voz…” (Osório Duque Estrada).

Gradação

Consiste em dispor as ideias por meio de palavras, sinônimas ou não, em ordem crescente ou decrescente. Quando a progressão é ascendente, temos o clímax; quando é descendente, o anticlímax. Observe este exemplo:

  • Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Joana com seus olhos claros e brincalhões…

O objetivo do narrador é mostrar a expressividade dos olhos de Joana. Para chegar a esse detalhe, ele se refere ao céu, à terra, às pessoas e, finalmente, a Joana e seus olhos. Nota-se que o pensamento foi expresso em ordem decrescente de intensidade.

Outros exemplos:

  • “Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu amor” (Olavo Bilac).
  • “O trigo… nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se” (Padre Antônio Vieira).

Na próxima semana mostraremos as Figuras de Construção ou Sintáticas. Até lá!

 Fonte: Só Português

CLIQUE AQUI E LEIA OUTROS ARTIGOS DA COLUNA “PORTUGUÊS”

Comentários

Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.