PORTUGUÊS: Mais dicas, curiosidades e conceitos

Prezado leitor, tudo bem com você? Espero que tenha curtido os feriados e dias “imprensados” de outubro e novembro, por que não? Conforme já dito, continuamos com a nossa completa revisão de assuntos já abordados pela coluna, mas de vital importância para que você fique melhor preparado. Os concursos estão aí. Quem se prepara, larga na frente.

Sendo assim, “pau na máquina”!

“É necessário” ou “É necessária”? “É proibido” ou “é proibida”?

Todas as construções são permitidas! Sim. Mas cada uma em seu devido lugar. O adjetivo “necessário” é masculino singular quando:

  1. Não há especificação (um artigo, por exemplo) do substantivo com o qual concorda. Exemplos: É necessário confiança!(Substantivo feminino, porém sem determinante). É necessário dinheiro para isso. (Substantivo masculino, sem determinante).
  2. A oração complementar é feita com o verbo no infinitivo. Exemplo: Acho, então, necessário procurar um médico.
  3. Há especificação do substantivo com o qual concorda e ele é um substantivo masculino singular. Exemplo: Para que dê certo, é necessário o apoio de todos.

O uso do adjetivo no feminino singular se dá quando:

  1. D) Há especificação do substantivo femininocom o qual concorda. Exemplos:

É necessária a confiança. (Substantivo feminino, com artigo definido)

Para entrar na festa, é necessária a apresentação desse convite.

Essa explicação foi realmente necessária para você?

Essas construções podem realmente nos confundir e nos fazer errar na hora de escrever. Portanto, é necessário prestar atenção.

Domínio de vocabulário

Ler muito é garantia de um amplo vocabulário? A resposta é “não”. Mas por quê? A leitura pode ser atenta ou desatenta e, mais importante que isso, o leitor pode (ou não) incorporar a palavra ao seu “vocabulário mental”.

Além desse, há outro ponto crucial: é preciso usar a nova palavra para torná-la parte de seu vocabulário ativo. Se você não colocar em prática o uso de um vocabulário mais amplo, os sentidos das palavras serão identificados quando você ler, mas não haverá um aumento real no uso de novas palavras. É como tirar carta/carteira de motorista e nunca mais dirigir – sem a prática não se automatiza a troca de marchas, o olhar os espelhos, etc.

Nesse sentido, um primeiro passo pode ser a simples troca de verbos chamados “curingas” (corretos, mas menos precisos) por verbos mais específicos.

Substitua o verbo “dar”.

Ele não me deu o relatório completo.

Escreva:

Ele não me entregou/ enviou o relatório completo.

Troque o verbo “ter”. Teve uma forte emoção.

Escreva:

Viveu/ passou por/ sofreu uma forte emoção.

Outro verbo curinga que pode ser substituído é o ”fazer”: Fazia dez relatórios mensais.

Ele pode ser substituído:

Escrevia/ redigia/ produzia dez relatórios mensais.

Vale ressaltar que verbos curinga como “dar”, “ter” e “fazer” não estão errados gramaticalmente. Mas, se o objetivo é aumentar o vocabulário e ser mais específico, procure explorar as possibilidades que a língua portuguesa nos oferece em termos de uso de palavras.

Uma simples troca que pode ajudar – e muito – a aumentar o seu vocabulário!

Linguagem oral e linguagem escrita

As modalidades oral e escrita constituem universos específicos de linguagem e, como tal, possuem características próprias. A modalidade escrita parece caminhar para o espaço da totalidade, do distanciamento máximo entre produtor e interlocutor, enquanto a oralidade pressupõe um envolvimento maior entre os falantes. Entretanto, sabe-se que essa configuração nem sempre se realiza.

Quando escrevemos, podemos impedir que nosso leitor interfira diretamente em nosso texto. Indiretamente, porém essa intervenção acaba por acontecer, visto que, continuamente, ajustamos a escrita à imagem que fazemos dele, prevendo possíveis perguntas que ele nos faria – e tentando respondê-las. Desse modo, a presença desse leitor virtual exige de nós um esforço de elaboração e precisão, levando o texto escrito para um certo grau de completude e preenchimento, refletidos no vocabulário apurado, no rigor gramatical, na obediência à norma culta, na objetividade e clareza de ideias, na eliminação de ambiguidades.

Por outro lado, na oralidade, a relação que estabelecemos com quem falamos é direta, traduzida em um processo de dialogação, que pode ainda contar com uma série de recursos extralinguísticos, como gestosexpressões faciaisentonaçãopostura, que facilitarão a transmissão de ideias, emoções e possibilitarão refazer a mensagem, caso esta não seja assimilada ou bem interpretada.

Em ambas as modalidades (oral e escrita), espera-se que a comunicação seja efetiva e possa, de fato, se concretizar pelo contínuo ajustamento de linguagem que o emissor da mensagem faz com relação ao seu destinatário.

A língua é rica e múltipla de possibilidades. Atualizá-la em função das exigências do momento da comunicação é nossa tarefa e nosso desafio.

Fonte: Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Educação Continuada – CPDEC.

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