PORTUGUÊS: Mais algumas pegadinhas na língua portuguesa

Prezados leitores, como passaram a semana em meio à turbulência político-institucional? As coisas estão quentes pros lados da nossa Capital. E esses fatos, com certeza, serão temas para redações em concursos futuros.

Então, meus caros, não deixem a preguiça tomar conta de vocês. Continuem estudando e se preparando para não fazer feio. E continuem tomando cuidado com as pegadinhas na língua portuguesa.

Com esse foco, vamos a mais uma série de pegadinhas:

O presidente decidiu visitar os gaúchos, desembarcando ao norte do Rio Grande do Sul! – manchete como essa nos deixa perplexo diante das incertezas de uma decisão. Ao norte do Rio Grande do Sul, fica Santa Catarina. Para visitar os gaúchos, melhor seria desembarcar no norte do Rio Grande do Sul. Quem desembarca bem, desembarca em algum lugar. Já, os que não sabem o que querem, talvez por não conhecerem a língua que falam, desembarcam a algum lugar, que não deixa de ser um modo ridículo e errado de desembarcar. Sejamos coerentes e escrevamos assim com correção: O presidente decidiu visitar os gaúchos, desembarcando no norte do Rio Grande do Sul. 

As ruas estão molhadas posto que choveu – posto é conjunção subordinativa concessiva e equivale a  embora. Alguns, por desconhecerem a língua que falam, usam-na com valor de coordenativa explicativa, em lugar de  porque. Ninguém, em perfeito juízo e conhecedor do Português, dirá  “Não atravessem a rua fora da faixa de pedestre,  embora (=  posto que) podem se machucar”; mas sim, “Não atravessem a rua fora da faixa de pedestre, porque podem se machucar”. Então, a frase inicial, depois da correção, fica assim: As ruas estão molhadas porque choveu.

Em confirmação à sua teoria, manifesto minha aprovação – deve-se dizer que não se faz confirmação  a nenhuma teoria. O correto seria fazer confirmação de teoria, tese etc. A frase inicial, depois da correção, fica assim: Em confirmação de sua teoria, manifesto minha aprovação.

Dá-se aulas particulares de piano – os que anunciam dessa forma a sua disposição em dar aulas de piano podem ser notáveis mestres do instrumento, mas estão desafinando no Português. O verbo “dar”, que está na voz passiva, deve concordar com seu sujeito “aulas”. Assim, a frase inicial, depois da correção, fica: Dão-se aulas particulares de piano. 

Manter o mais absoluto sigilo – há redundâncias agasalhadas pela língua, como, por  exemplo,  antídoto contra, concordar com. Há outras chamadas redundâncias viciosas, condenadas pela língua culta, cujo exemplo pode ser a redundância ilustrada na frase evidenciada acima. Quando se diz absoluto, aí já está o mais, o infinito, o ilimitado, e, logicamente, não há lugar para aumentativo. A frase inicial, depois da correção, fica assim: Manter absoluto sigilo.

Ela já se habituou com o trabalho – é melhor  habituar-se, primeiramente,  à regência correta desse verbo. O correto é habituar-se a. Note a preposição a. Habituar-se a trabalhar, habituar-se ao trabalho. Alguém precisa habituar-se a escrever com correção. A frase correta é: Ela já se habituou ao trabalho.

Esse rapaz sai com cada besteira! – no sentido de  atrever-se, ousar, o correto é escrever  sair-se. Usa-se  sair-se também com o significado de escapar-se, livrar-se. Veja os exemplos: Às vezes ela se sai com cada uma! O político ouviu a ofensa e saiu-se com muita criatividade, como sempre. Ao ver que haviam depositado o dinheiro em minha conta, procurei sair-me da incômoda dívida. Diante disso, a frase correta é: Esse rapaz sai-se com cada besteira! 

Minha filha está grávida, mas ela não quer uma filha mulher – Abaixo a discriminação! Todavia, os gostos devem ser respeitados. O que não merece respeito é a negligência no uso do idioma, principalmente quando se deixa margem à dúvida ao determinar o sexo da filha por intermédio de uma redundância viciosa, como se fosse possível existir uma filha “homem”, mesmo admitindo certas tendências. A frase inicial, após a correção, fica assim: Minha filha está grávida, mas ela não quer uma menina.

O discurso, visto sob esse prisma, chega a ser uma afronta – prisma é um cristal com duas faces planas inclinadas, que decompõe a luz. A luz, portanto, passa através do prisma ou, também, pelo prisma. Não seria correto dizer que a luz passa sob o prisma. A frase inicial, após a correção, fica assim: O discurso, visto através deste prisma, chega a ser uma afronta. Ou, O discurso, visto por este prisma, chega a ser uma afronta.

Residente na rua das goiabeiras – essa dica derruba muita gente, inclusive esse humilde colunista que sempre utilizou a forma errada de escrever. Como os nomes de logradouros públicos são grafados com iniciais maiúsculas (Avenida Getúlio Vargas, Bosque das Mansões, Jardim das Acácias etc), a partir de agora eu, e vocês, escreveremos: Residente na Rua das Goiabeiras. 

Com essa última e importante dica, paramos por aqui. Até a semana que vem!

Fonte de pesquisa: Portal Tudo Sobre Concursos.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.