PORTUGUÊS: mais algumas dicas ortográficas

 

Prezado leitor, dando continuidade ao nosso estudo sobre dicas ortográficas, nesta coluna abordaremos a utilização da crase, assunto já veiculado por aqui, mas de extrema importância para quem participa de concursos ou prestará alguma prova.

Uso da crase

Quem nunca se viu em dúvida na utilização da crase em um texto? Vamos sanar agora as dúvidas que você tem em relação a isso.

Antes de qualquer coisa você precisa saber que crase é a junção da preposição “a” com o artigo “a”. Ela é marcada com o uso do acento grave (`) na letra “a”.

Para saber se devemos ou não usar a crase, devemos analisar a palavra que vem antes e a palavra que vem depois do “a”. Veja a frase:

Eu fui à escola

Nesse caso, o verbo “fui” exige uma preposição “a”. Já o substantivo “escola” exige um artigo “a”.

Para tirar a prova, basta substituir por uma palavra masculina. Se a frase fosse “Eu fui ao teatro” teríamos a preposição “a” mais o artigo “o”. Como não existe a palavra “aa”, usa-se a crase para designar essa junção entre a preposição e o artigo.

A crase também pode ser utilizada como a fusão das preposições “aquele” ou “aquela” com o artigo “a”. Exemplo: devemos tudo àqueles homens.

O professor Pasquale, um dos grandes mestres da Língua Portuguesa, deu uma entrevista interessante à BBC Brasil dizendo como identificarmos o correto uso da crase:

Pasquale dá o exemplo da clássica canção “Você já foi à Bahia?”, de Dorival Caymmi.

“Se você foi, você foi a algum lugar. O verbo ‘ir’ – ‘você foi’, verbo ‘ir’ -, no português tradicional, rege a preposição “a”. Ir a algum lugar”, explica.

E que lugar é esse? No exemplo dado, é a Bahia.

“Bahia é um substantivo que dá nome a lugar e pede artigo”, disse Pasquale.

Ele mostra formas simples de perceber isso: “’Eu moro na Bahia’ – o que é ‘na’? Não é ‘em’ mais ‘a’? ‘Eu acabei de chegar da Bahia’. O que é ‘da’? ‘De’ mais ‘a’. É fácil perceber que Bahia pede artigo.”

Neste caso, ocorre a crase – a fusão – entre duas vogais: a preposição “a”, que sucede o verbo ir, se junta com artigo “a”, que antecede o substantivo feminino Bahia, ocorrendo o acento grave.

O resultado é: “Você já foi à Bahia?” – o significa a mesma coisa que “Você já foi para a Bahia?”.

Mas se a pergunta fosse sobre Santa Catarina – “Você já foi a Santa Catarina?” -, não haveria fusão, já que Santa Catarina não pede artigo – diz-se “Eu moro em Santa Catarina” e não “Eu moro na Santa Catarina”.

“Moral da história, esse ‘a’ de ‘Você já foi a Santa Catarina?’ não passa de uma preposição que não se fundiu com nada”, explica Pasquale. “Esse ‘a’ não receberá acento por uma razão muito simples: não houve fusão.”

Fonte de pesquisa: dicas do professor Pasquale Cipro Neto

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.