PORTUGUÊS: Fique ligado: oito erros comuns em português

Prezado leitor, como o assunto é interessante e importante, segue mais uma leva de erros comuns que cometemos com a língua pátria.

 Dor NA COSTA ou dor NAS COSTAS?

Agora vamos falar um pouco de geografia e um pouco de anatomia. Claro que do ponto de vista da língua portuguesa. Quando a gente dorme de mau jeito, se senta todo torto, qual é o resultado? “Dor NA COSTA ou dor NAS COSTAS ou dor NAS COSTA?”.

Talvez você pense que “tanto faz, não faz diferença usar o singular ou o plural”. Mas não é bem assim. Algumas palavras têm significados diferentes se usadas no singular ou no plural. Uma delas é COSTA, cujo plural é COSTAS.
COSTA é a faixa litorânea de uma localidade. Dizemos, por exemplo:

“A COSTA brasileira é repleta de belas praias.” Já a forma COSTAS, usada somente no plural, refere-se ao dorso, à parte que fica atrás do tórax.

“Neymar foi retirado do campo após uma joelhada nas COSTAS.”

Agora você já sabe a resposta à nossa dúvida. Quando for viajar para a COSTA catarinense, não se esqueça de passar protetor solar… nas COSTAS. É importante lembrar que aquele profissional conhecido como “segurança” pode ser chamado também de guarda-costas. Isso mesmo, você pode ter um GUARDA-COSTAS ou vários GUARDA-COSTAS. A palavra GUARDA-COSTAS pode ser usada para o singular e para o plural.

CABEÇALHO ou CABEÇÁRIO?

Vamos abordar o uso de uma palavra que gera dúvida em muita gente.

Afinal, as linhas iniciais de uma carta ou de um texto, contendo data e local, como são chamadas: CABEÇALHO (com L-H-O) ou CABEÇÁRIO (com R-I-O e acento agudo no segundo A)? O correto é CABEÇALHO (com L-H-O). A palavra, como deu para perceber, vem de “cabeça”, isto é, o que fica em cima, mais o sufixo ALHO.

Em Portugal, CABEÇALHO também é o título de maior destaque numa página no jornal – o que nós, brasileiros, chamamos de “manchete”. A forma “cabeçário”, ao contrário do que muita gente pensa, não existe. Só se fosse um lugar para cabeças, pois berçário é local para berços. O sufixo “-ario” geralmente indica “lugar”: vestiário, aquário, sanitário… Curioso é o armário, que já foi o lugar para armas, e hoje serve para guardar qualquer coisa: livros, roupas, pratos…

POR HORA ou POR ORA?

Vamos observar o uso de duas expressões que têm o mesmo som, a mesma pronúncia, mas significados distintos e pequenas diferenças na escrita.

Qual é o certo: POR HORA (com H) ou POR ORA (sem H)? Esse é mais um daqueles casos em que a resposta é… depende. Sim, depende do que você quer dizer.

HORA (com H) é aquele período, contado no relógio, de 60 minutos. Ao usar a expressão POR HORA, com H, é preciso ter como referência esse intervalo de tempo. Veja o exemplo: “O metrô transporta mais de cem mil passageiros POR HORA.” (Ou seja, a cada 60 minutos, cem mil passageiros utilizam esse meio de transporte.)
Já a palavra ORA (sem H) significa “agora”, “neste momento”. A expressão POR ORA, sem H, é usada no lugar de POR ENQUANTO ou NESTE MOMENTO. Confira:

“POR ORA, o metrô funciona normalmente.” (Ou seja, NESTE MOMENTO, nenhuma anormalidade interrompeu o funcionamento do metrô.) Por ora (sem H), é só.

DESDE AS 10h ou DESDE ÀS 10h?

A dúvida agora é o uso do acento grave indicador de crase. Qual é a forma correta: DESDE AS (sem acento) 10h ou DESDE ÀS (com acento de crase) 10h?

O correto é DESDE AS 10h, SEM ACENTO indicador de crase. E sabe por quê?

Porque nunca há crase após a preposição DESDE. Para que exista crase, é preciso haver a preposição A + outro A, geralmente o artigo feminino A (ou AS). Ora, DESDE já é uma preposição, portanto não pode haver outra logo depois. Na expressão DESDE AS 10h, o que vem depois de DESDE é apenas o artigo feminino.

Quer uma prova? Vamos trocar AS 10h por uma expressão masculina: O MÊS PASSADO. Você diria “DESDE AO MÊS PASSADO”? Horrível, não é? AO seria a junção da preposição A com o artigo masculino O, referente a MÊS. Você certamente diria DESDE “O” MÊS PASSADO. Portanto, como não há preposição, não há crase.

Eu COMPUTO, tu COMPUTAS, ele COMPUTA?

A dúvida agora é o uso de um verbo muito estranho, que causa dúvida, e até perplexidade em muita gente. Afinal, você sabe conjugar o verbo COMPUTAR? Será que sua conjugação segue, por exemplo, a do verbo LUTAR (eu LUTO, tu LUTAS, ele LUTA)? Poderia ser, não é? Mas não é. Segundo a gramática tradicional, o verbo COMPUTAR é considerado defectivo, ou seja, não deve ser conjugado em algumas de suas pessoas. No presente do indicativo, só apresenta plural: nós COMPUTAMOS, vós COMPUTAIS, eles COMPUTAM. Já o pretérito e o futuro são regulares. Se a forma “ele computa” não é aceitável, podemos usar “ele está computando” ou substituir por uma frase equivalente: ele calcula, ou ele programa (computadores).

Cheque ASSUSTADO ou SUSTADO?

A dúvida agora diz respeito a bancos, especialmente sobre um verbo muito utilizado por eles. Hoje em dia, com a tecnologia e a praticidade dos cartões de crédito e débito, pouca gente ainda utiliza o velho talão de cheques, mas eles persistem, principalmente em locais distantes das grandes capitais. Como você se refere ao cheque cujo pagamento tenha sido suspenso pelo emitente? Cheque ASSUSTADO ou cheque SUSTADO? O cheque é SUSTADO (começando com S). Essa palavra é do verbo SUSTAR, que significa “suspender”, “interromper”. Aí o cheque não será pago. ASSUSTADO (começando com A) significa amedrontado, apavorado. Isso é o que acontece. Depois que você pede que um cheque seja SUSTADO, pode deixar ASSUSTADA é a pessoa que o recebeu.

VEM, VÊM ou VEEM?

O problema agora são os verbos com formas parecidas. Você saberia quando usar VEM (sem acento), VÊM (com acento circunflexo) e VEEM (com dois ês)?

A forma VEM (sem acento) é a 3ª pessoa do singular do verbo VIR (presente do indicativo). Veja o exemplo: “Ela já confirmou que VEM de metrô e vai chegar mais tarde.” Já a forma VÊM, com acento circunflexo, também é do verbo VIR, só que da 3ª pessoa do plural. Observe: “Querido, papai e mamãe VÊM almoçar com a gente domingo!”

Por outro lado, VEEM, com dois ês, não é do verbo VIR, mas do verbo VER, e se refere à 3ª pessoa do plural do presente do indicativo. Confira o exemplo:

“Acidentes acontecem ali porque os motoristas não VEEM a placa  encoberta pela vegetação.” Antes do Novo Acordo Ortográfico, essa forma do verbo VER (VEEM) se escrevia com circunflexo no primeiro E: VÊ-EM. Desde 2009, quando o Acordo entrou em vigor, não existe mais essa forma.

CESSÃO, SEÇÃO ou SESSÃO?

Vamos analisar o uso de três palavras que têm a mesma pronúncia, mas de grafia e significados diferentes. Você sabe a diferença entre CESSÃO (com C no começo e SS), SEÇÃO (com S no começo e Ç), SECÇÃO (com S e depois C e Ç) e SESSÃO (com um S no início e dois no meio)? CESSÃO (com C e SS) é o ato de CEDER alguma coisa. Veja o exemplo: “A CESSÃO dos bens foi assinada em cartório pelo doador.”

Para não errar, lembre que o verbo CEDER começa com C. Já SEÇÃO (com S e Ç) – ou SECÇÃO (com S e um C antes do Ç) – significa uma divisão, um corte, um setor, uma parte de alguma coisa. Veja esta frase: “Esse creme pode ser encontrado na SEÇÃO de cosméticos.” “O círculo resulta da SEÇÃO (ou SECÇÃO) de uma esfera.” Por fim, SESSÃO é qualquer tipo de reunião: sessão de cinema, sessão espírita, sessão do júri, sessão plenária. Observe no exemplo: “O presidente da Câmara deu por encerrada a SESSÃO que alterou a lei.”

Fonte: Dicas de português do professor Sérgio Nogueira.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.