PORTUGUÊS: Estude! Assim, elas não vão te pegar

Prezados leitores, pelos acessos e mensagens ao longo da semana, acreditamos que o retorno das dicas e pegadinhas da língua portuguesa veio em boa hora. Muitos de vocês estavam ávidos por aprimorarem o conhecimento sobre as armadilhas que a nossa língua nos prega.

Então, para não perdermos mais tempo, vamos às dicas e pegadinhas em português:

Prefiro um emprego humilde do que trabalhar com aqueles corruptos – deve-se preferir uma coisa a outra, e, jamais, uma coisa do que outra. Exemplos: Prefiro laranja a goiaba. Preferimos ir a ficar. Ela preferiu falar a ficar calada. A frase inicial, depois de corrigida, fica assim: Prefiro um emprego humilde a trabalhar com aqueles corruptos. 

 Cientistas provam que existe vestígios de vida em Marte – o verbo existir flexiona-se, como outro verbo qualquer, para concordar com seu sujeito, que, neste caso, é  vestígios de vida. Muitas pessoas, erroneamente, dão o mesmo tratamento do verbo haver ao verbo existir. Realmente, o verbo haver, no sentido de existir, é impessoal. Mas, o verbo existir é pessoal e varia, normalmente, para concordar com o sujeito. A frase acima, depois da correção, fica assim: Cientistas provam que existem vestígios de vida em Marte.

A negligência nos estudos implicou em sua reprovação – o verbo  implicar, no sentido de  ter como consequência, acarretar, é transitivo direto, isto é, não se liga ao seu complemento por meio de preposição, mas, sim, diretamente. Exemplos: A sua dedicação aos estudos implicou a sua aprovação. O amor implica muitas renúncias. A transgressão implica multa. A frase acima, depois da correção, fica assim: A negligência nos estudos implicou sua reprovação. 

O concurso está em vias de anulação – só existe uma locução prepositiva na forma plural,  que é  “a expensas de”. Portanto, o correto é em via de. Exemplos: O cadastramento já está em via de descontrole administrativo. Esse planeta encontra-se em via de extinção. A frase acima, depois da correção, fica assim: O concurso está em via de anulação. 

Prenderam-no só porque furtou trezentas gramas de queijo – a grama é vegetal que embeleza o solo do jardim. O grama é medida de massa, cuja unidade é o quilograma. Exemplos: Comprei um quilo e duzentos gramas de mortadela. Um diamante de dois gramas. Quero quatrocentos gramas de farinha. Então a frase acima, depois da correção, fica: Prenderam-no só porque furtou trezentos gramas de queijo. 

Ela tem péssimos hábitos. Porisso, evito a sua companhia – essa locução deve ser escrita com duas palavras: por isso. Da mesma forma, escreve-se de repente, e não derrepente. A frase acima, depois da correção, fica assim: Ela tem péssimos hábitos. Por isso, evito a sua companhia. 

Não tenho nenhum óculos para proteger meus olhos – nenhum se flexiona no plural para concordar com a palavra a que se refere. Exemplos: Nenhumas pessoas deixaram tantas saudades quanto aquelas. Apesar de nenhuns alunos quererem compor a comissão, o caso prosseguiu. A frase acima, após a correção, fica assim: Não tenho nenhuns óculos para proteger meus olhos. 

Este assunto não tem nada haver contigo – não se usa o verbo haver nessas expressões. O correto é nada a ver, com o verbo ver. Também, estaria correto escrever  não tem nada que ver. Escreve-se corretamente a frase inicial do seguinte modo: Este assunto não tem nada a ver contigo. 

Tereza deu à luz a uma linda criança – o verbo dar possui dois objetos. Um objeto direto e outro indireto. Exemplos: Dei à Helena uma linda bicicleta (objeto direto: uma linda bicicleta; objeto indireto: à Helena).
O boêmio dá à noite um significado fantasioso (objeto direto: um significado fantasioso; objeto indireto: à noite). A frase inicial, depois da correção, fica assim: Tereza deu à luz uma linda criança. 

A operação durou cerca de uma hora e vinte e três minutos – a expressão  “cerca de” denota  aproximação, arredondamento. É inadequado seu uso para introduzir informações numéricas exatas, precisas. Exemplos: Cerca de “vinte” pessoas estavam presentes (certo). Cerca de “dezessete” pessoas estavam presentes (errado). O livro tinha cerca de “duzentas” páginas (certo). O livro tinha cerca de “cento e noventa e sete” páginas (errado).
A frase acima, depois de corrigida, fica assim: A operação durou cerca de duas horas.

Estávamos em cinco naquela embarcação – caro leitor, por gentileza, responda: O título do famoso romance de Maria José Dupré é “Éramos em seis” ou “Éramos seis”? É claro, a resposta certa é “Éramos seis”. A preposição “em” não pertence à expressão em análise. Veja os exemplos: Fomos cinco naquele fusquinha. Vieram oito no helicóptero. Ficamos vinte até o final da festa. A frase inicial apresenta-se corretamente grafada da seguinte maneira: Estávamos cinco naquela embarcação.

Preparem-se! A prova será daqui há vinte dias – na indicação de tempo futuro, usa-se apenas a. Exemplos: Estamos a dois dias da decisão do campeonato, a qual se dará domingo pela manhã. Tomarei posse daqui a dez dias. Na indicação de tempo passado, usa-se há ou a forma verbal faz. Exemplos: Ele saiu há duas horas. Ou, ele saiu faz duas horas. Eu voltei há três dias. Ou, eu voltei faz três dias. A frase acima, após a correção, fica assim: Preparem-se! A prova será daqui a vinte dias. 

A reação surpreendente do time adversário, não mexeu com a torcida – esta é uma  pegadinha muito frequente em provas de português. Não se deve separar com vírgula o sujeito do seu verbo. Então, a frase inicial, depois de corrigida, escreve-se assim: A reação surpreendente do time adversário não mexeu com a torcida.

Por hoje é só. Semana que vem tem mais. Até lá!

Fonte de pesquisa: Portal Tudo Sobre Concursos.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.