PORTUGUÊS: Estilística – Figuras de Construção ou Sintáticas – Parte 1

Prezados, conforme disse semana passada, o capítulo “Estilística” é longo e, por vezes, enfadonho. Entretanto, é um tema dos mais solicitados em provas e concursos e, por isso, deve ser observado com mais detalhe. Assim, nessa semana abordaremos as Figuras de Construção ou Sintáticas. Como elas derrubam candidatos menos avisados, vale a pena você tirar um pouco do seu tempo e dedicar-se.

Vamos a elas!

Figuras de Construção ou Sintáticas

As figuras de construção ocorrem quando desejamos atribuir maior expressividade ao significado. Assim, a lógica da frase é substituída pela maior expressividade que se dá ao sentido.

Elipse

Consiste na omissão de um ou mais termos numa oração que podem ser facilmente identificados, tanto por elementos gramaticais presentes na própria oração, quanto pelo contexto.

Exemplos:

  1. A cada um o que é seu (deve se dar a cada um o que é seu).
  2. Tenho duas filhas, um filho e amo todos da mesma maneira (nesse exemplo, as desinências verbais de tenho amo permitem-nos a identificação do sujeito em elipse “eu”).
  3. Regina estava atrasada. Preferiu ir direto para o trabalho (ela, Regina, preferiu ir direto para o trabalho, pois estava atrasada).
  4. As rosas florescem em maio, as margaridas em agosto (as margaridas florescem em agosto).

Zeugma

É uma forma de elipse. Ocorre quando é feita a omissão de um termo já mencionado anteriormente.

Exemplos:

  • Ele gosta de geografia; eu, de português.
  • Na casa dela só havia móveis antigos; na minha, só móveis modernos.
  • Ela gosta de natação; eu, de vôlei.
  • No céu há estrelas; na terra, você.

Silepse

É a concordância que se faz com o termo que não está expresso no texto, mas sim com a ideia que ele representa. É uma concordância anormal, psicológica, espiritual, latente, porque se faz com um termo oculto, facilmente subentendido. Há três tipos de silepse: de gênero, número e pessoa.

Silepse de Gênero: 

Os gêneros são masculino feminino. Ocorre a silepse de gênero quando a concordância se faz com a ideia que o termo comporta.

Exemplos:

  1. A bonita Porto Velho sofreu mais uma vez com o calor intenso.
    Nesse caso, o adjetivo bonita não está concordando com o termo Porto Velho, que gramaticalmente pertence ao gênero masculino, mas com a ideia contida no termo (a cidade de Porto Velho).
  2. Vossa excelência está preocupado. Nesse exemplo, o adjetivo preocupado concorda com o sexo da pessoa, que nesse caso é masculino, e não com o termo Vossa excelência.

Silepse de Número

Os números são singular plural. A silepse de número ocorre quando o verbo da oração não concorda gramaticalmente com o sujeito da oração, mas com a ideia que nele está contida.

Exemplos:

  • procissão saiu. Andaram por todas as ruas da cidade de Salvador.
  • Como vai a turmaEstão bem?
  • povo corria por todos os lados e gritavam muito alto.

Note que nos exemplos acima, os verbos andaramestão gritavam não concordam gramaticalmente com os sujeitos das orações (que se encontram no singular, procissãoturma povo, respectivamente), mas com a ideia de pluralidade que neles está contida. Procissão, turma e povo dão a ideia de muita gente, por isso que os verbos estão no plural.

Silepse de Pessoa

Três são as pessoas gramaticais: a primeira, a segunda e a terceira. A silepse de pessoa ocorre quando há um desvio de concordância. O verbo, mais uma vez, não concorda com o sujeito da oração, mas sim com a pessoa que está inscrita no sujeito.

Exemplos:

  • O que não compreendo é como os brasileiros persistamos em aceitar essa situação.
  • Os agricultores temos orgulho de nosso trabalho.
  • “Dizem que os cariocas somos poucos dados aos jardins públicos” (Machado de Assis).
  • Observe que os verbos persistamostemos e somos não concordam gramaticalmente com os seus sujeitos (brasileirosagricultores e cariocas que estão na terceira pessoa), mas com a ideia que neles está contida (nós, os brasileiros, os agricultores e os cariocas).

Na próxima semana continuaremos mostrando as Figuras de Construção ou Sintáticas. Até lá!

Fonte: Só Português

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.