PORTUGUÊS: Estilística – Figuras de Construção ou Sintáticas – Parte 2

Prezados, 2017 mal começou e já estamos mostrando a importância da língua portuguesa para as nossas vidas. Sim, porque os concursos públicos estão “bombando” e as provas de português costumam derrubar candidatos menos avisados.

Dando continuidade ao assunto “Estilística”, vamos mostrar mais algumas figuras de construção ou sintáticas. Vamos a elas!

Polissíndeto / Assíndeto

Para estudarmos essas duas figuras de construção, é necessário recordar um conceito estudado em sintaxe sobre período composto. No período composto por coordenação, podemos ter orações sindéticas ou assindéticas. A oração coordenada ligada por uma conjunção (conectivo) é sindética; a oração que não apresenta conectivo é assindética. Recordado esse conceito, podemos definir as duas figuras de construção:

Polissíndeto

É uma figura caracterizada pela repetição enfática dos conectivos. Observe o exemplo:

  • “Falta-lhe o solo aos pés: recua e corre, vacila e grita, luta e ensanguenta, e rola, e tomba, e se espedaça, e morre” (Olavo Bilac).
  • “Deus criou o sol e a lua e as estrelas. E fez o homem e deu-lhe inteligência e fê-lo chefe da natureza”.

Assíndeto

É uma figura caracterizada pela ausência, pela omissão das conjunções coordenativas, resultando no uso de orações coordenadas assindéticas. Exemplos:

  • Tens casa, tens roupa, tens amor, tens família.
  • “Vim, vi, venci” (Júlio César).

Pleonasmo

Consiste na repetição de um termo ou ideia, com as mesmas palavras ou não. A finalidade do pleonasmo é realçar a ideia, torná-la mais expressiva. Veja este exemplo: O problema da violência, é necessário resolvê-lo logo.

Nesta oração, os termos “o problema da violência” e “lo” exercem a mesma função sintática: objeto direto. Assim, temos um pleonasmo do objeto direto, sendo o pronome “lo” classsificado como objeto direto pleonástico.

Outro exemplo: Aos funcionários, não lhes interessam tais medidas. Aos funcionários, lhes = Objeto Indireto. Nesse caso, há um pleonasmo do objeto indireto, e o pronome “lhes” exerce a função de objeto indireto pleonástico.

Mais exemplos:

  • Vi, claramente visto, o lumo vivo” (Luís de Camões).
  • “Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal” (Fernando Pessoa).
  • “E rir meuriso” (Vinícius de Moraes).
  • “O bicho não eraum cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem” (Manuel Bandeira).

Observação: o pleonasmo só tem razão de ser quando confere mais vigor à frase; caso contrário, torna-se um pleonasmo vicioso. Exemplos:

  • Vi aquela cena com meus próprios olhos.
  • Vamos subir para cima.

Anáfora

É a repetição de uma ou mais palavras no início de várias frases, criando, assim, um efeito de reforço e de coerência. Pela repetição, a palavra ou expressão em causa é posta em destaque, permitindo ao escritor valorizar determinado elemento textual. Os termos anafóricos podem muitas vezes ser substituídos por pronomes relativos.

Assim, observe o exemplo abaixo:

  • Encontrei um amigo ontem. Eledisse-me que te conhecia. O termo ele é um termo anafórico, já que se refere a um amigo anteriormente referido.

Observe outro exemplo:

“Se você gritasse
Se você gemesse,
Se você tocasse a valsa vienense
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse…
Mas você não morre,
Você é duro José”! (Carlos Drummond de Andrade)

Anacoluto

Consiste na  mudança da construção sintática no meio da frase, ficando alguns termos desligados do resto do período. Veja o exemplo: Esses alunos da escola, não se pode duvidar deles.

A expressão “esses alunos da escola” deveria exercer a função de sujeito. No entanto, há uma interrupção da frase e essa expressão fica à parte, não exercendo nenhuma função sintática. O anacoluto também é chamado de “frase quebrada”, pois corresponde a uma interrupção na sequência lógica do pensamento.

Outros exemplos:

  • Alexandre, as coisas não lhe estão indo muito bem.
  • velha hipocrisia, recordo-me dela com vergonha (Camilo Castelo Branco).

Obs.: o  anacoluto deve ser usado com finalidade expressiva em casos muito especiais. Em geral, deve-se evitá-lo.

Hipérbato/Inversão

É a inversão da estrutura frásica, isto é, a inversão da ordem direta dos termos da oração. Exemplos:

  • São como cristais as palavras (na ordem direta seria: As palavras são como cristais).
  • Dos meus problemas cuido eu! (na ordem direta seria: Eu cuido dos meus problemas).

Na próxima semana mostraremos as Figuras de Som. Até lá!

Fonte: Só Português

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.