PORTUGUÊS: Estilística – continuação

Prezados, continuando nossa conversa sobre Estilística, essa semana abordaremos o tema Figuras de Linguagem. O assunto é extenso, mas vale a pena uma leitura mais detalhada, pois, como disse semana passada, é um capítulo muito demandado em provas e concursos. E, principalmente em concursos, a língua portuguesa é diferencial valioso.

Então, vamos à Figuras de Linguagem.

Figuras de Linguagem são recursos que tornam as mensagens que emitimos mais expressivas. Subdividem-se em figuras de som, figuras de palavras, figuras de pensamento e figuras de construção.

Classificação das Figuras de Linguagem

Observe: 1) Fernanda acordou às sete horas, Renata às nove horas, Paula às dez e meia; 2) “Quando Deus fecha uma porta, abre uma janela”. 3) Seus olhos eram luzes brilhantes. Nesses exemplos, temos três tipos distintos de figuras de linguagem:

Exemplo 1: há o uso de uma construção sintética ao deixar subentendido, na segunda e na terceira frase, um termo citado anteriormente – o verbo acordar. Repare que a segunda e a última frase do primeiro exemplo devem ser entendidas da seguinte forma: “Renata acordou às nove horas, Paula acordou às dez e meia”. Dessa forma, temos uma figura de construção ou de sintaxe.

Exemplo 2: a ideia principal do ditado reside num jogo conceitual entre as palavras fecha e abre, que possuem significados opostos. Temos, assim, uma figura de pensamento.

Exemplo 3: a força expressiva da frase está na associação entre os elementos olhos luzes brilhantes. Essa associação nos permite uma transferência de significados a ponto de usarmos “olhos” por “luzes brilhantes”. Temos, então, uma figura de palavra.

Figura de Palavra – a figura de palavra consiste na substituição de uma palavra por outra, isto é, no emprego figuradosimbólico, seja por uma relação muito próxima (contiguidade), seja por uma associação, uma comparação, uma similaridade. Esses dois conceitos básicos – contiguidade similaridade – permitem-nos reconhecer dois tipos de figuras de palavras: a metáfora e a metonímia.

A Metáfora consiste em utilizar uma palavra ou uma expressão em lugar de outra, sem que haja uma relação real, mas em virtude da circunstância de que o nosso espírito as associa e depreende entre elas certas semelhanças. É importante notar que a metáfora tem um caráter subjetivo momentâneo; se a metáfora se cristalizar, deixará de ser metáfora e passará a ser catacrese (é o que ocorre, por exemplo, com “pé de alface”, “perna da mesa”, “braço da cadeira”).

Obs.: toda metáfora é uma espécie de comparação implícita, em que o elemento comparativo não aparece.

Observe a gradação no processo metafórico a seguir: Seus olhos são como luzes brilhantes. Esse exemplo mostra uma comparação evidente, por meio do emprego da palavra como.

Observe agora: Seus olhos são luzes brilhantes. Nesse exemplo não há mais uma comparação (note a ausência da partícula comparativa), e sim um símile, ou seja, qualidade do que é semelhante.

Por fim, no exemplo: As luzes brilhantes olhavam-me. Há substituição da palavra olhos por luzes brilhantes. Essa  é a verdadeira metáfora.

Observe outros exemplos:

1) “Meu pensamento é um rio subterrâneo” (Fernando Pessoa). Nesse caso, a metáfora é possível na medida em que o poeta estabelece relações de semelhança entre um rio subterrâneo e seu pensamento (pode estar relacionando a fluidez, a profundidade, a inatingibilidade, etc.).

2) Minha alma é uma estrada de terra que leva a lugar algum. Uma estrada de terra que leva a lugar algum é, na frase acima, uma metáfora. Por trás do uso dessa expressão que indica uma alma rústica e abandonada (e angustiadamente inútil), há uma comparação subentendida: minha alma é tão rústica, abandonada (e inútil) quanto uma estrada de terra que leva a lugar algum.

A Metonímia consiste em empregar um termo no lugar de outro, havendo entre ambos estreita afinidade ou relação de sentido. Observe os exemplos: 1 – Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis (= Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis). 2 – Inventor pelo invento: Édson ilumina o mundo (= As lâmpadas iluminam o mundo). 3 – Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da cruz (= Não te afastes da religião). 4 – Lugar pelo produto do lugar: Fumei um saboroso havana (= Fumei um saboroso charuto). 5 – Efeito pela causa: Sócrates bebeu a  morte (= Sócrates tomou veneno). 6 – Causa pelo efeito: Moro no campo e como do meu trabalho (= Moro no campo e como o alimento que produzo). 7 – Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo (= Bebeu todo o líquido que estava no cálice).

E mais: 8 – Instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones foram atrás dos jogadores (= Os repórteres foram atrás dos jogadores). 9 – Parte pelo todo: Várias pernas passavam apressadamente (= Várias pessoas passavam apressadamente). 10 –  Gênero pela espécie: Os mortais pensam e sofrem nesse mundo (= Os homens pensam e sofrem nesse mundo). 11 –  Singular pelo plural: A mulher foi chamada para ir às ruas na luta por seus direitos (= As mulheres foram chamadas, não apenas uma mulher). 12 – Marca pelo produto: Minha filha adora danone (= Minha filha adora o iogurte que é da marca danone). 13 – Espécie pelo indivíduo: O homem foi à Lua (= Alguns astronautas foram à Lua). 14 – Símbolo pela coisa simbolizada: A balança penderá para teu lado (= A justiça ficará do teu lado).

Saiba que: atualmente, não se faz mais a distinção entre metonímia e sinédoque (emprego de um termo em lugar de outro), havendo entre ambos relação de extensão. Por ser mais abrangente, o conceito de metonímia prevalece sobre o de sinédoque.

Na próxima semana continuaremos a falar sobre as figuras de linguagem ou de palavras: metonímia, metáfora, catacrese, perífrase e sinestesia.

Até lá!

Fonte: Só Português

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