PORTUGUÊS: Erros, curiosidades e dicas – Parte 3

Prezado leitor, tudo certo? Como foi seu final de semana? Curtiu a coluna passada? Vamos continuar dando dicas, apontando erros e mostrando curiosidades da língua portuguesa. E, o mais importante, se você ler as colunas, estudar um pouco e prestar atenção, certamente seu coeficiente de erros cairá drasticamente.

Assim, sem mais delongas, vamos em direção ao nosso pátrio idioma.

A palavra dormição existe ou não em português? Dormição tem origem no latim tardio “dormitione” e remete ao sono longo de Maria, depois do qual a mãe de Jesus foi levada ao céu por dois anjos e coroada pelo próprio filho.

No Aulete Digital, vê-se a seguinte definição: “substantivo feminino; ação de dormir; dormida, sono. Tempo que decorreu entre a morte de Nossa Senhora e sua Assunção. F. lat. Dormitio.” A nossa Academia Brasileira de Letras também reconhece o termo, expondo-o no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

Você conhece o verbo dormitar?

No Dicionário de Regência Verbal, de Celso Pedro Luft, o verbo é classificado como intransitivo ou transitivo direto; significa dormir levemente, cochilar; a sesta, o sono. Vejamos os exemplos: “Brigava com o sono, dormitando durante a madrugada.” “Eles dormitavam um sono reconfortante.”

Dormitar é sestear

dormir a sesta (pronunciando-se abertamente o E) não é “sestar”, mas sim SESTEAR. Como é um verbo finalizado em -EAR tem a conjugação como “estrear, frear, pentear”: no presente do indicativo, uso da letra i; no pretérito perfeito, sem o uso da letra i. Vejamos:

  • Eu sesteio, tu sesteias, ele sesteia, nós sesteamos, vós sesteais, eles sesteiam.
    (Presente do Indicativo)
  • Eu sesteei, tu sesteaste, ele sesteou, nós sesteamos, vós sesteastes, eles sestearam.
    (Pretérito Perfeito do Indicativo)

Qual é o erro na frase: “Os números falam por si só”? Em época de jogos da Seleção Brasileira, é muito comum ouvirmos dos comentaristas a seguinte frase: “Gente, os números de Tite falam por si só.”

Na nossa Língua Portuguesa, o termo “só” pode modificar o substantivo ou o pronome substantivo. Nesse caso, a concordância será obrigatória (o termo deverá sofrer variação sempre que houver exigência): “Aqueles dois deputados chegaram sós à Câmara.”

  • “Eu e ele sós pouco podemos fazer.”

É também possível que “só” modifique o verbo, tendo a classificação adverbial. Nesse caso, o termo é invariável: “Só aqueles dois deputados chegaram à Câmara.” “Só eu e ele podemos resolver o problema.”

Em suma, nos dois últimos exemplos adverbiais,  “só” equivale a “somente”, “apenas”. Vejamos: “Apenas aqueles dois deputados chegaram à Câmara.” “Somente eu e ele podemos resolver o problema.”

Mais um exemplo em que o termo não deve sofrer variação: “Não escrevemos só (apenas, somente) poesia, mas também crônicas.” Na frase que inicia este texto, nota-se que a intenção do termo “só” é modificar “os números”, devendo sofrer a variação. Vejamos outras leituras possíveis:

  • “Sozinhos, os números de Tite falam por si.”
  • “Sozinhos, os números de Tite são suficientes.”

 Por isso, seguindo os parâmetros da concordância de nossa Língua:

  • “Gente, os números de Tite falam por si sós.”

Você sabia?

A forma “abaixo-assinado” é diferente de “abaixo assinado”.  O documento que se assina é um “abaixo-assinado”:

  • “Todos pedem um abaixo-assinado contra o presidente.”

Por outro lado, quem assina o documento é um “abaixo assinado”:

  • “O abaixo assinado, Silva Santos, discorda das diretrizes traçadas na última reunião, uma vez que…”

Até a próxima semana!

Fonte: Dicas do professor de Língua Portuguesa Diogo Arrais

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.