PORTUGUÊS: Errar pode ser fatal para suas pretensões

Prezados leitores, gostaram da coluna passada? Pois bem, os concursos continuam aparecendo e povoando a cabeça de milhares de pessoas que contam com estabilidade no emprego e um bom salário.

Então, para vocês não fazerem feio na hora das provas, continuem seguindo nossas dicas de português. Elas podem ser valiosas e fazer o diferencial a favor de vocês.

Use este truque para não errar mais na conjugação verbal

“Professor, existe alguma dica para conjugar o presente do verbo DOAR?” Comecemos com uma curiosidade: a palavra “dica” provém da redução de indicar, do latim indicare, indicar, revelar, expor, mostrar; há uma ligação com dicare, dizer, divulgar, avisar.

Sobre conjugação verbal, não vale apenas a memória visual ortográfica, nem apenas a prática na conjugação, mas sim a relação com a terminação de cada verbo. Como exemplo, em quais verbos você consegue pensar com a mesma terminação de DOAR? Vários, como “perdoar”, “coroar”, “abençoar”, “voar”, “soar” (mas não suar). Serão conjugados, pois, da mesma forma em função de possuírem a mesma terminação (e gramaticalmente por serem regulares): eu doo, tu doas, ele doa, nós doamos, vós doais, eles doam;

eu perdoo, tu perdoas, ele perdoa, nós perdoamos, vós perdoais, eles perdoam;

eu voo, tu voas, ele voa, nós voamos, vós voais, eles voam;

eu soo, tu soas, ele soa, nós soamos, vós soais, eles soam (repito: suar tem outro significado).

Você sabia?

Os verbos finalizados em -OAR e -UAR terão todas as pessoas do presente do subjuntivo grafadas com “e”. Vejamos o exemplo de “soar” (emitir ou produzir som) e “suar” (expelir suor pelos poros):

que eu soe, que tu soes, que ele soe, que nós soemos, que vós soeis, que eles soem;

que eu sue, que tu sues, que ele sue, que nós suemos, que vós sueis, que eles suem

Nem todos os verbos de nossa Língua seguirão esse parâmetro da regularidade. Mesmo assim, ajuda muito observar a terminação do verbo, pensar em outros semelhantes a fim de que se facilite a conjugação.

Continuando com o assunto, este é o tema mais complexo de concordância verbal. “Não é certo os eleitores venderem o voto” ou “Não é certo os eleitores vender o voto”?

Em se tratando de concordância verbal, a parte mais complexa ocorre com o infinitivo. A fim de simplificar a regra, trago-lhes duas sentenças: “Não é correto eleitores vender o voto” e “Não é correto eleitores venderem o voto”. Quando o infinitivo tem o seu próprio sujeito, diferente do sujeito da oração principal, o infinitivo deve ser flexionado:

“Os norte-americanos devem achar um absurdo vivermos num país com tantas injustiças.”

“(eu) Trouxe esta boa bebida para que (tu) a degustes.”

Veja ainda este trecho de Carlos Drummond de Andrade: “Está ali desde antes de nascerem os viajantes.”

Está, pois, correto o leitor que optou pela segunda construção, já que o verbo “vender” deve concordar com “eleitores”: “Não é correto eleitores venderem o voto.”

Em compensação, o infinitivo não será flexionado quando tiver o mesmo sujeito da oração principal, aquela que – em tese – inicia o período:

“Eles se julgam com o direito de desrespeitar o Congresso Nacional.”
“Elas sentem imenso prazer em defender o povo brasileiro.”
“Não fomos capazes de estabilizar a economia.”

Lembre-se também que, nas locuções verbais, o verbo principal não terá o infinitivo flexionado:

“Trabalhadores injustiçados devem protestar, devem lutar, devem ser guerreiros.”

Você sabia?

O verbo “parecer”, seguido de infinitivo, pode assumir a forma flexionada ou a não flexionada. Vejamos estas duas construções adequadas:

“Novas reformas parecem encontrar apoio forçado na Câmara.”

“Novas reformas parece encontrarem apoio forçado na Câmara.”

Perceberam como a nossa língua pode nos colocar em armadilhas, se não estivermos preparados? Na próxima semana tem mais. Então, meus amigos, até lá!

Fonte: Dicas do professor Diogo Arrais.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.