PORTUGUÊS: Entenda as mudanças do novo acordo ortográfico: Hífen

Prezados leitores, desde 1º de janeiro de 2016, é obrigatório no Brasil o uso do novo acordo ortográfico da língua portuguesa. Apesar de a maioria das palavras permanecer igual, algumas alterações na acentuação e na ortografia devem ser levadas em conta.

Hoje vou retomar um tema que já foi publicado no Trem das Gerais. Porém, pela sua importância, vale a pena rever. Com a nova regra ortográfica, o hífen passa a ser usado:

  1. em vocábulos compostos, locuções ou encadeamentos, nos seguintes casos:

1.1 Usado em palavras compostas por justaposição que constituem uma unidade sintagmática e semântica

Exemplos: ano-luz; tio-avô; médico-cirurgião; segunda-feira; guarda-chuva; sul-africano.

Atenção! As palavras compostas por justaposição que tenham perdido a noção de composição não são mais grafadas com hífen.

Exemplo: girassol; paraquedas; mandachuva e passatempo.

1.2 Em topônimos compostos, ou seja, em nomes próprios de lugares, que começam com o adjetivo grão/grã, ou que começam com um verbo, ou ainda quando existir artigos entre os elementos

Atenção! Os demais topônimos não devem ser grafados com hífen, com exceção do nome do país Guiné-Bissau.

Exemplos: Grã-Bretanha; Grã-Pará; Baía de Todos-os-Santos e Trás-os-Montes.

1.3 Em palavras que distinguem espécies botânicas e zoológicas

Exemplos: Erva-doce; couve-flor, bem-te-vi; mico-leão-dourado.

1.4 Em palavras compostas iniciadas pelo advérbio “bem” ou “mal”, em que a segunda palavra seja iniciada por qualquer vogal ou a letra “h”

Exemplos: bem-humorado; bem-amado; mal-afortunado; mal-estar.

As palavras compostas que perderam o hífen acabaram virando uma única palavra, como benfeito ou benfeitor.

Atenção! Algumas palavras que se iniciam com o advérbio “bem”, quando se mantém a noção de composição não se aglutina com o segundo elemento, mantendo o hífen, como nos casos: bem-criado; bem-nascido; bem-visto.

1.5 Em palavras compostas iniciadas pelos elementos: além, aquém, recém e sem

Exemplos: além-mar; recém-casado; sem-vergonha.

1.6 Em qualquer tipo de locução o hífen deixou de ser empregado

Exemplos de antes e depois: cão-de-guarda / cão de guarda, cor-de-vinho / cor de vinho, dia-a-dia / dia a dia e fim-de-semana / fim de semana.

  1. O hífen ainda deve ser utilizado em vocábulos formados por prefixação, recomposição e sufixação, nas seguintes condições:

Principais prefixos e falsos prefixos utilizados na língua portuguesa: aero, agro, anti, auto, arqui, circum, co, contra, des, entre, ex, hidro, hiper, in, inter, mini, pan, pós, pré, pró, pseudo, sub, semi, super, tele, ultra, vice.

Exemplos: Anti-inflamatório, arqui-inimigo, contra-ataque, mini-instrumento, inter-racial, pan-nacionalismo, pós-graduação, pré-operatório, tele-homenagem, ultra-apressado, super-racional, vice-presidente, semi-intensivo, ex-namorado, circum-hospitalar, co-herdeiro, auto-observação.

2.1 Se o segundo elemento começa com a letra “h”

Exemplo: anti-higiênico; pré-história; semi-hospitalar; super-homem; extra-humano.

Atenção! Em alguns casos, após o prefixo “des” e “in”, o hífen deixa de ser usado se o segundo elemento da palavra perdeu a letra “h”, como nos casos: desumano; inapto e desumidificar.

2.2 Se o prefixo do primeiro elemento terminar com a mesma vogal que inicia o segundo

Exemplo: arqui-inimigo; micro-ondas; semi-intensivo; auto-observação.

Atenção! Na palavra iniciada com o prefixo “co”, mesmo se o segundo elemento começar com a letra “o”, o hífen não é usado, como nos casos: cooperar: coordenar; coocupação.

2.3 Se o prefixo do primeiro elemento for “circum” e “pan” e a primeira letra do segundo elemento for uma vogal ou as letras “h”, “m”, “n”

Exemplo: circum-hospitalar; circum-navegação; pan-americano; pan-mágico.

2.4 Se o prefixo do primeiro elemento for “hiper”, “inter” e “super” e o segundo elemento iniciar com a letra “r”

Exemplo: hiper-resistente; super-revista.

2.5 Em todas as palavras cujo prefixo for “ex” (no sentido de estado anterior) e “vice”

Exemplo: ex-aluno; ex-mulher; ex-presidente; vice-governador; vice-reitor.

2.6 Se o prefixo do primeiro elemento for “pós”, “pré” e “pró”

Exemplo: pós-graduação; pró-reitoria; pré-escola.

Atenção! O hífen deixa de ser empregado caso os prefixos tenham perdido a sua tonicidade, como nos casos: prever; promover; pospor.

  1. O hífen não é usado em todas as palavras em que o prefixo terminar em vogal e o segundo elemento começar com “r” ou “s”. Nesses casos, deve-se duplicar essas consoantes:

Exemplo: antissemita; contrarregra; minissaia; microssistema; extrarregular.

  1. O hífen deixa de ser usado em todos os casos em que o prefixo terminar com vogal e o segundo elemento começar com uma vogal diferente:

Exemplo: antiácido; autoestrada; hidroelétrica.

  1. O hífen é utilizado nas palavras derivadas por sufixação em que o primeiro elemento terminar de forma tônica ou com acento gráfico e o segundo elemento for os sufixos “açu”, “guaçu”, “mirim”:

Exemplo: capim-açu; andá-açu; amoré-guaçu.

  1. O hífen ainda deverá ser usado nas formas pronominais, nas seguintes condições:

6.1 Nos casos de ênclise e mesóclise

Exemplo: adorá-lo; pediu-lhe; contar-te-emos; dar-se-ia.

6.2 Após o advérbio “eis” seguido de formais pronominais

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.