PORTUGUÊS: E tome pegadinhas na língua portuguesa

Prezados leitores, parece que a edição de pegadinhas na língua portuguesa está fazendo sucesso entre os leitores da coluna. Temos recebido diversos pedidos para continuar com elas. E, como concordamos com vocês que essas pegadinhas podem derrubar qualquer maior pretensão, principalmente em concursos públicos, seguimos postando mais uma série de pegadinhas e dicas.

Vamos a elas:

Sou difícil de fazer amizade – aparentemente tranquilo, neste tópico de dicas de português para concursos,  a frase já se inicia por uma incoerência, uma vez que ninguém é difícil ou fácil de coisa alguma. O que é difícil não é a pessoa, mas sim a  ação de fazer amizade. O sujeito dessa frase é oracional —  fazer amizade — e o predicativo é  difícil. O verbo é de ligação — ser. Então, depois da correção da frase inicial, fica assim: É-me difícil fazer amizade. Ou: Fazer amizade me é difícil. Ou, ainda: Fazer amizade é difícil para mim.

Já comuniquei o chefe que a mercadoria chegou – esta pegadinha de português para vestibular e concurso aborda um deslize sutil e corriqueiro, ideal para uma questão de concurso. Não devemos, jamais, comunicar  uma pessoa, seja ela quem for. O que se comunica é o objeto da comunicação, isto é, o assunto, o fato ocorrido. Comunica-se, sim, à pessoa um determinado fato.

O verbo comunicar possui dois objetos. Um deles é o objeto indireto, que é a pessoa que recebe a comunicação. A esse objeto o verbo se liga sempre por meio de preposição. O outro complemento verbal é o objeto direto, que representa o fato comunicado. Exemplos:  Daniel comunicou ao Mário a demissão da antiga secretária. O presidente comunicou ao povo a decisão que tomara quando decidiu o caso. Então, a frase correta fica assim: Já comuniquei ao chefe que a mercadoria chegou. 

A moça está meia aborrecida – mais um exemplo de pegadinha que tirou preciosos pontos para a aprovação de muitos vestibulandos e concursandos. Meia, modificando substantivo, é adjetivo e varia em gênero e número. Exemplos: meio litro de água. Meia xícara de café. Ele fala em meias palavras. Meio, modificando adjetivo, é advérbio e, como tal, não varia. Exemplos: Ela está meio triste. As duas moças permanecem meio confusas. Então, corrigida a frase inicial, fica assim: A moça está meio aborrecida.

Mais de um artista cantarão – este caso exige atenção redobrada. Embora saibamos que a expressão “mais de um artista” representa, no mínimo, duas pessoas, devemos levar o verbo à forma da terceira pessoa do singular  cantará, fazendo a concordância gramatical com o numeral  um da expressão “mais de um”. Exemplos: Mais de um automóvel foi sorteado. Mais de uma mulher assistiu à cena.

Do mesmo modo, é feita a concordância de frases do tipo “Menos de dois alunos fizeram a prova”. Nessa frase, embora compreendamos que a expressão “menos de dois alunos” representa, quantitativamente, um aluno, a concordância também é gramatical, com base no numeral dois da expressão “menos de  dois alunos”, e não ideológica, isto é, com a ideia ou sentido que a frase puder sugerir. Outros exemplos: Menos de dois livros foram queimados no incêndio. Menos de duas moças saíram antes de o espetáculo se findar. Então, depois de corrigida a frase inicial, fica assim: Mais de um artista cantará. 

Eu nasci há trinta e cinco anos atrás – esta pegadinha lembra uma famosa música dos anos setenta — “Eu nasci há dez mil anos atrás”. Há excesso nessa frase! Quando ocorre excesso desse tipo, dizemos que existe redundância, isto é, repetição viciosa, que só empobrece a linguagem de quem a comete. O verbo haver, por si só, já representa “tempo transcorrido”, a palavra atrás é redundante. Deve-se, portanto, escolher — ou se escreve há, do verbo haver, ou atrás.  Então, depois de corrigida a frase inicial, poderia ser escrita de duas maneiras: Eu nasci há trinta e cinco anos. Ou: Eu nasci trinta e cinco anos atrás. 

Viemos aqui, nesta hora, expressar nosso agradecimento pelo grande favor que nos fizeram – neste caso, apresenta-se um verbo comumente usado de maneira errada em algumas de suas formas. Neste momento falaremos apenas sobre um desses deslizes cometidos com o uso indevido do verbo vir. Ninguém diz: “estivemos aqui, nesta hora.” Diz-se, porém, no tempo certo: “estamos aqui, nesta hora.” Se é “nesta hora” que o fato ocorre, então, o verbo deve estar no presente. Então, depois da correção, a frase inicial fica assim: Vimos aqui, nesta hora, expressar nosso agradecimento pelo grande favor que nos fizeram. 

Na próxima semana ainda traremos mais algumas dicas ou pegadinhas na língua portuguesa. Lembrando que estudar nunca é demais. Boa leitura e bom aprendizado.

Até lá!

Fonte de pesquisa: Portal Tudo Sobre Concursos

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.