PORTUGUÊS: Dúvidas de ortografia e relações inusitadas entre palavras

Prezado leitor, resolvi mostrar algo sobre dúvidas de ortografia e relações inusitadas entre palavras no português. As dúvidas, por vezes, nos “jogam no buraco” quando prestamos concursos ou provas, por absoluta distração.

Atire a primeira pedra quem nunca teve dúvida ortográfica. É “tábua” ou “táboa”? É “tabuada” ou “taboada”? Tábua provém do latim tabula e equivale a uma peça de madeira, quadro, lousa, em que foram impressas as primeiras leis da humanidade. Dessa forma latina, surgiram “tabuada” e “tabuleta”, com o uso lógico da letra “u”. De tabula, surgiu a forma francesa tablette: um produto alimentar ou medicamento solidificado, que se apresenta sob a forma de placa, geralmente retangular. Com o aportuguesamento, registra-se o paroxítono “tablete”.

Já a forma inglesa tablet (diminutiva de table e originária também de tabula) aplica-se a uma espécie de computador fino e pequeno semelhante à lousa em que os romanos escreviam com estilo. Aqui no Brasil, inúmeras expressões da Informática são herdadas do Inglês, como é o caso de “mouse”, “download”, “upload”, “link”, “hyperlink”, “touch screen” e “tablet”.

Uma curiosidade: quando se faz um “download”, com a origem em down(line) – linha abaixo – e load – ato de carregar -, usamos a forma verbal portuguesa “baixar”. Dezenas dessas estrangeiras já estão tanto no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa quanto nos principais dicionários, como as famosas “on-line” e “off-line”. Aqui fica um lembrete:  em acordo ao padrão, devem sim fazer o uso de hífen.

Sobre a hifenização em termos ingleses, estranha-me a falta de lógica nos registros oficiais: por que “on-line”, “off-line”,  “off-the-records”, “off-off-Broadway (versão radical do teatro off-Broadway) hifenizados, mas “offset” e “offside” sem o tal sinalzinho?

A verdade é que – nem mesmo diante dos termos portugueses – o hífen assume um caminho lógico. É uma pena, pois isso dificulta a vida de qualquer escritor, estudante, pesquisador, usuário, admirador do nosso idioma.

Seguindo nessa linha, você sabe qual a relação entre os verbos agredir e assaltar? Então, vejamos! Arrependido após agredir colega, Silva promete engatar bom futebol. Ao consultar o dicionário, percebemos a relação semântica entre “agredir” e “assaltar”. De onde vem isso? Proveniente do latim aggredere, em “agredir” nota-se o étimo “grad”, do latim gradus, passo, etapa.

Na pesquisa etimológica de Deonísio da Silva, está registrado: “…as primeiras agressões não foram verbais: a pessoa se aproximava a passos lentos ou rápidos para atacar o desafeto. Se fossem rápidos, aos saltos, era assalto.

Sobre o verbo “engatar”, haveria alguma relação com “gato”? Sim, há. É uma palavra formada por en + gato + ar  e significa prender com gato(s) ou engaste(s); atrelar; segurar com gato(s) de ferro. 

O termo “gato” tem a origem no latim “cattu”; é como os romanos passaram a intitular o felino após a domesticação. Na obra “De Onde Vêm as Palavras”, do estudioso citado, há: engatar passou a designar o que fazem os gatos entre si, pois o povo diz que gatos e cachorros, no ato sexual, se engatam. Com o sentido de prender, é o que o gato faz com sua presa.

Além disso, a palavra “gato” tem relação com o adjetivo espanhol gatuno; significa “ladrão”, “malicioso”, “aquele que furta”. Na linguagem popular, várias são as expressões que depreciam a figura felina: “Fulano fez um gato na tevê a cabo.” “A energia elétrica do vizinho é um gato.”

Os principais dicionários brasileiros ainda registram:

  • Comprar gato por lebre:  ser enganado, recebendo coisa pior do que a devida ou esperada.
  • Amarrar o gato: defecar ou embriagar.
  • Fazer de gato e sapato: desrespeitar, desprezar, dar pouca importância.
  • Meter-se a gato mestre: agir como quem sabe tudo, quando pouco ou nada sabe; dar uma de gato mestre.

Fonte: Notícias sobre dicas de português – revista Exame

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.