PORTUGUÊS: Duas notícias de duplo sentido sobre prisão de Lula e de amigos de Temer

Prezado leitor, hoje resolvi trazer um tema que passou despercebido da maioria das pessoas, mas que, em provas ou concursos, derruba qualquer candidato menos preparado ou desavisado. Nosso bate-papo dessa semana é sobre uma notícia de duplo sentido, veiculada em jornais, sobre a prisão de Lula e de amigos do Presidente Temer.

Senão, vejamos! Diz o noticiário: “Chegou a vez do amigo de Temer, que parece infeliz.”

No estudo linguístico, o duplo sentido em uma construção é chamado de anfibologia ou ambiguidade. É o que resulta em mais de uma interpretação de significado para um agrupamento de vocábulos.

Pergunta-se: quem parece infeliz? Temer ou o amigo dele?

A fim de haver a clareza na mensagem, é preciso reconstruir: “Chegou a vez do amigo de Temer. O presidente parece infeliz.”

Ou: “Chegou a vez do amigo – aparentemente infeliz – do presidente Michel Temer.” 

Se houvesse substantivos de gêneros distintos, a ambiguidade poderia ser desfeita com o uso do relativo “o qual” ou “a qual”. Vejamos: “Chegou a vez da amiga de Temer, a qual parece infeliz.”

Ou: “Chegou a vez da amiga de Temer, o qual parece infeliz.” 

Veja outra sentença ambígua:

“Ana Cañas encontra-se com cúpula do PT, que está animada com o possível habeas corpus de Lula.”

Agora, tanto “Ana Cañas” quanto “cúpula” pertencem ao gênero feminino. A extinção da ambiguidade só será possível com a troca de posição do trecho “que está animada com o possível habeas corpus“:

“Ana Cañas, que está animada com o possível habeas corpus de Lula, encontra-se com cúpula do PT.”

Ou:

“Cúpula do PT, que está animada com o possível habeas corpus de Lula, encontra-se com Ana Cañas.”

O relativo “que”, apesar de ser útil ferramenta para a fluidez textual, pode causar confusão quando houver dois ou mais referentes. O ideal é revisar o texto; na dúvida, reordene as ideias ou reconstrua toda a sentença, uma vez que não adianta sintetizar prejudicando a clareza da mensagem.

Fonte: dicas de Diogo Arrais, professor de português

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