PORTUGUÊS: Dois assuntos diferentes, mas muito importantes

Prezado leitor, hoje mostrarei dois assuntos – um recorrente e que, vez ou outra, derruba candidatos desatentos ou pouco preparados quando a prova é sobre a Língua Portuguesa -, e outro não tão badalado, mas igualmente matador de candidatos.

Vamos a eles?

Você sabe quando o termo “que” deve ser obrigatoriamente acentuado graficamente? Uma norma gramatical a ser sempre lembrada: escrever “quê”, com acento circunflexo, é marcá-lo como monossílabo tônico em “e”, como nos monossílabos “dê, lê, sê”.

De maneira simples: quando vier no fim de frase, quando for classificado como nome substantivo ou interjeição, o termo “quê” deverá ser acentuado graficamente. Vejamos:

  1. Pronome interrogativo, em fim de frase:

“Você está se referindo a quê?”

  1. Interjeição de espanto ou protesto:

“Quê! Não pode ser.”

“Quê! Isso é intriga.”

  1. Nome substantivo, partícula “quê” substantivada, pluralizável:

 “É preciso pensar os quês e os porquês dessas ações do Governo.”

“Um quê de etéreo, de indefinido e vago derramavam […] seus olhares.”

                                                                                  Fagundes Varela

Há ainda uma curiosidade: o termo “quê” pode ser segundo elemento da locução adverbial intensificativa “como quê”. O acento circunflexo também demarcará a forma:

“É mentiroso como quê.”

“Matreiro como quê, engazopou meio mundo.”

Cientes dessa norma gramatical, conferimos que também a grafia “porquê” e “porquês” é também um nome substantivo:

“O Brasil é um lugar repleto de porquês ideológicos.”

Isolado ou ao fim de uma sentença, como o citado “quê”, a forma será grafada “por quê”:

“Por quê?”

“Ainda não assistiu à série, por quê?” 

 Muita gente erra ao conjugar o verbo incorrer. Sabe qual o jeito certo?

O verbo é transitivo indireto, ou seja, exige preposição. Ontem defrontei-me com o verbo INCORRER. A dúvida regencial estava em que tipo de preposição usar: “a”, “com”, “em”. Bendito seja o dicionário!

INCORRER é um verbo transitivo indireto, ou seja, exige sim a preposição (ferramenta linguística responsável por ligar dois constituintes da frase):

  1. Temia incorrer em algum pecado.
  2. A empresa incorrerá em multa, por sujar o rio.

O sentido do verbo remete a ficar compreendido, incluído ou implicado (gerando algo desagradável, ruim), como “incorrer numa multa ou nas penas da lei.”

Nos registros regenciais de nossa Língua, a regência direta (sem o verbo transitivo direto) foi encontrada até o século 18. Hoje é arcaica, não sendo recomendada a forma “Incorreste grave erro.”, mas sim “Incorreste em grave erro.”

Você conhece o termo incurso? O adjetivo relacionado ao verbo “incorrer” é incurso; significa “estar envolvido, comprometido, incluído”:

“Sousa vive incurso nas piores bandalheiras.”

“Estar incurso nas penas da lei.”

INCORRER EM?

Exato! Em acordo à regência do verbo, há a necessidade da preposição EM: incorrer em.

Uma recomendação, para o domínio do padrão, da norma, é treinar os aspectos regenciais também na Fala. Na dúvida, consulte e corrija-se, pois o ouvinte (a depender do meio em que você se comunica) será bastante observador.

Boa leitura e até a próxima semana!

Fonte: dicas do professor Diogo Arrais.

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.